Um Ferrari Testarossa já não é propriamente um automóvel discreto, mas Richard Rawlings decidiu levar essa ideia muito mais longe. Na Gas Monkey Garage, em Dallas, foi apresentado o primeiro Ferrari Testarossa 6×6 do mundo, um projeto que demorou dois anos a construir e que nasceu a partir de um exemplar recuperado depois de ter sido usado num filme.
O resultado, indicou o site ‘Supercar Blondie’, é um Testarossa com seis rodas, carroçaria alargada, frente inspirada na Ferrari F40, faróis traseiros feitos à medida e uma enorme asa traseira pensada para gerar apoio aerodinâmico. No interior, a preparação também não passou despercebida, com bancos em fibra de carbono e uma decoração igualmente inspirada na F40.
Mas o elemento mais absurdo está debaixo da pele. O motor LT4 sobrealimentado passou a debitar 1.200 cavalos, um valor muito acima da potência original da Testarossa e suficiente para transformar esta Ferrari num exercício mecânico difícil de ignorar. Mesmo para Richard Rawlings, conhecido pelo gosto por projetos extremos e pela notoriedade conquistada com a Gas Monkey Garage e o programa ‘Fast N’ Loud’, esta construção destaca-se como uma das mais invulgares.
A própria Alex Hirschi, conhecida como Supercar Blondie, reconheceu que a Ferrari costuma ser particularmente protetora da originalidade dos seus modelos. Ao ver este Testarossa 6×6, admitiu que era difícil imaginar o que a marca italiana pensaria de uma transformação deste género. Rawlings respondeu em tom descontraído que não queria criar problemas com a Ferrari e que, por enquanto, ainda não tinha recebido qualquer carta da marca.
As jantes ajudam a explicar a escala do projeto. Foram feitas especificamente para este carro e custaram 60 mil dólares, cerca de 51.700 euros. Ou seja, só as rodas deste Testarossa 6×6 custaram mais do que muitos automóveis novos.
Depois de conhecer o carro por fora, Alex Hirschi teve oportunidade de o conduzir. Antes desse teste, a Testarossa tinha percorrido apenas cerca de 16 quilómetros, o que fazia dele um projeto praticamente acabado de sair da oficina. Ao volante, a sensação inicial foi surpreendentemente normal, até o compressor entrar em ação e as rodas extra surgirem nos espelhos laterais.
“A única altura em que pensamos que estamos mesmo em algo completamente absurdo é quando o compressor entra em funcionamento e vemos todas aquelas rodas atrás no espelho lateral”, afirmou Alex Hirschi. A apresentadora resumiu a experiência de forma direta: quem quiser chamar a atenção, dificilmente encontrará carro mais eficaz.
Ainda assim, o projeto não está totalmente afinado. Durante uma manobra de burnout, a suspensão traseira perdeu uma barra de direção, sinal de que os 1.200 cavalos e a configuração 6×6 ainda estão a obrigar a oficina a ajustar a mecânica. Rawlings admitiu que a potência colocada no chão pode estar muito acima do esperado e que até uma brincadeira com pneus queimados pode representar um choque sério para o sistema.
O Testarossa 6×6 fica, por isso, algures entre homenagem, provocação e excesso mecânico. Não é um Ferrari para puristas, nem pretende ser. É antes uma demonstração de até onde pode ir uma oficina quando decide pegar num ícone italiano e transformá-lo num monstro de seis rodas, 1.200 cavalos e jantes mais caras do que muitos carros completos.






