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Parece perturbador, mas é real: o carro com “pele humana” que revela risco ao volante (vídeo)

Automonitor

Instalação, apelidada de “Carro Queimado de Sol”, foi desenvolvida pela empresa mycar Tyre & Auto e apresenta um habitáculo revestido com um material sintético que imita pele humana com elevado realismo

Um carro com interior revestido em “pele humana” que reage ao sol pode parecer uma ideia extrema — mas é precisamente esse o objetivo: chocar para alertar. A iniciativa, apresentada na Austrália, procura expor um risco muitas vezes ignorado pelos condutores: a exposição aos raios ultravioleta dentro do automóvel, relata a ‘L’Automobile Magazine’.

A instalação, apelidada de “Carro Queimado de Sol”, foi desenvolvida pela empresa mycar Tyre & Auto e apresenta um habitáculo revestido com um material sintético que imita pele humana com elevado realismo – pode ver o vídeo aqui. À medida que o veículo é exposto ao sol, essa “pele” altera a aparência, simulando queimaduras solares.

Um risco invisível ao volante

Por trás do impacto visual está uma realidade pouco conhecida: estar dentro do carro não significa estar protegido do sol.

Os vidros automóveis bloqueiam a maioria dos raios UVB, responsáveis pelas queimaduras solares visíveis, mas deixam passar uma parte significativa dos raios UVA — mais penetrantes e associados ao envelhecimento da pele e a danos celulares a longo prazo.

A exposição pode ser ainda maior em situações comuns, como conduzir com janelas abertas ou em veículos com teto panorâmico.

Exposição repetida, efeitos acumulados

O problema não está apenas na intensidade, mas na repetição. A exposição diária, muitas vezes impercetível, pode acumular efeitos ao longo do tempo.

Anne Gately, embaixadora da campanha e sobrevivente de melanoma em estágio avançado, alerta para essa perceção errada: é fácil subestimar o impacto do sol no dia a dia, mesmo em contextos aparentemente seguros como o interior de um carro.

Uma campanha para “tornar visível o invisível”

A iniciativa integra uma campanha mais ampla de sensibilização, que inclui autocolantes que mudam de cor quando expostos a raios UV, ajudando os condutores a perceber quando devem proteger-se.

O contexto australiano — com uma das mais elevadas taxas de cancro da pele no mundo — ajuda a explicar a abordagem mais agressiva. Ainda assim, o alerta é global.

Ao transformar um fenómeno invisível numa experiência visual quase perturbadora, este projeto destaca um ponto cego no uso quotidiano do automóvel: o risco solar continua presente — mesmo quando se está ao volante.