Há automóveis raros e depois há verdadeiras lendas. Um dos seis Shelby Cobra Daytona Coupé alguma vez construídos vai a leilão nos Estados Unidos e poderá ultrapassar os 25 milhões de dólares (cerca de 21,5 milhões de euros), tornando-se um dos automóveis mais caros de sempre vendidos em hasta pública, avança o ’20 Minutos’.
A estrela do leilão da Gooding Christie’s, integrado no prestigiado Pebble Beach Concours d’Elegance, é o exemplar com o chassis CSX2300, considerado um dos mais importantes da história do automobilismo americano.
O interesse não se explica apenas pela raridade. Este é o único dos seis Shelby Cobra Daytona Coupé que pertenceu ao próprio Carroll Shelby, criador do modelo, e o único campeão mundial da categoria GT da FIA construído nos Estados Unidos.
Gooding Christie’s unveils one of the most important cars ever brought to public auction, the 1964 Shelby Cobra Daytona Coupe previously owned by Carroll Shelby, for Pebble Beach.https://t.co/BRjbL6j5RL
— Gooding Christie’s (@goodingandco) July 24, 2026
O automóvel criado para derrotar a Ferrari
No início da década de 1960, a Ferrari 250 GTO dominava as corridas de Grande Turismo. Para enfrentar o rival italiano, Carroll Shelby decidiu transformar o Cobra Roadster num automóvel muito mais eficiente em velocidade.
O designer Peter Brock desenvolveu uma carroçaria fechada revolucionária, muito mais aerodinâmica, que permitia ao Daytona Coupé ultrapassar os 300 km/h, algo extraordinário para a época.
A aposta revelou-se vencedora. Em 1965, a Shelby American conquistou o Campeonato do Mundo de GT da FIA, quebrando a hegemonia da Ferrari e tornando-se a primeira fabricante dos Estados Unidos a vencer um título mundial na categoria.
Esse sucesso abriu ainda caminho ao programa Ford GT40, que viria a dominar as 24 Horas de Le Mans entre 1966 e 1969.
Uma carreira nas pistas que durou mais do que todas as outras
Segundo o ’20 Minutos’, o CSX2300 estreou-se em competição no Tour de France Automobile de 1964 e participou em algumas das provas de resistência mais famosas do mundo, como Daytona, Sebring, Nürburgring e Reims.
Ao contrário dos restantes Daytona Coupé, este exemplar continuou a competir mesmo depois de terminado o programa oficial da Shelby American, prolongando a carreira até 1968 em competições disputadas no Japão, incluindo o Grande Prémio do Japão e provas no circuito de Fuji.
Essa trajetória faz dele o Shelby Cobra Daytona com o historial competitivo mais longo de toda a série.
O único que Carroll Shelby guardou para si
Em 1975, o historiador Michael L. Shoen conseguiu localizar o automóvel e convenceu Carroll Shelby a comprá-lo.
O criador do Daytona Coupé manteve-o durante mais de 20 anos e promoveu uma restauração completa para devolver o carro à configuração de competição de 1965, apresentando-o regularmente em eventos dedicados à marca.
Nas últimas duas décadas, o atual proprietário continuou a preservar essa tradição, exibindo o automóvel em alguns dos maiores eventos internacionais de clássicos, incluindo o Festival de Velocidade de Goodwood.
Uma peça única da história do automobilismo
O CSX2300 mantém a icónica pintura azul com faixas brancas e o número 12 nas portas. Debaixo do capô continua a estar o lendário V8 Ford de 4,7 litros, com cerca de 385 cv e 450 Nm de binário.
Dependendo da afinação utilizada em cada circuito, o Daytona Coupé era capaz de atingir velocidades entre 290 e 315 km/h, números impressionantes para um automóvel desenvolvido há mais de seis décadas.
Segundo a Gooding Christie’s, trata-se de uma oportunidade praticamente irrepetível para colecionadores. Se alcançar o valor esperado, este Shelby poderá entrar para a história como um dos automóveis mais caros alguma vez vendidos em leilão.






