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“O drift é um desporto que se sente”: organização da Taça de Portugal abre as portas ao espetáculo de Sever do Vouga

“O drift é um desporto que se sente”: organização da Taça de Portugal abre as portas ao espetáculo de Sever do Vouga
Francisco Laranjeira

Em entrevista à ‘Automonitor’, a organização revela as alterações preparadas para surpreender os pilotos, identifica os principais candidatos ao triunfo e explica por que razão esta modalidade continua a conquistar novos públicos

O Circuito do Alto do Roçário, em Sever do Vouga, recebe este fim de semana a Taça de Portugal de Drift, uma competição em que os melhores pilotos nacionais vão disputar a vitória numa única prova. Mas, para o Vouga Sport Clube, responsável pela organização, o objetivo vai muito além de encontrar um vencedor.

Em entrevista à ‘Automonitor’, a organização revela as alterações preparadas para surpreender os pilotos, identifica os principais candidatos ao triunfo e explica por que razão esta modalidade continua a conquistar novos públicos.

“Porque o drift não é apenas um desporto que se vê. É um desporto que se sente.” A frase resume a forma como a organização encara a competição e a experiência que pretende proporcionar a quem visitar o circuito este sábado e domingo.

O Alto do Roçário ocupa um lugar especial na história do Vouga Sport Clube. Foi ali que nasceu o projeto e onde se realizaram alguns dos momentos mais marcantes da sua atividade.

Agora, o desafio passa por receber uma competição nacional decisiva e mostrar que Sever do Vouga pode continuar a afirmar-se como uma referência do desporto automóvel português.

Um novo traçado para surpreender os pilotos

Apesar de o circuito ser bem conhecido dos participantes, a organização decidiu introduzir alterações no percurso para esta edição da Taça de Portugal.

“Para esta Taça de Portugal, quisemos introduzir um layout diferente, precisamente para retirar os pilotos da sua zona de conforto”, revela à ‘Automonitor’.

A intenção é evitar que os concorrentes se limitem a repetir trajetórias que já dominam.

“Não queremos que seja apenas mais uma prova onde os pilotos chegam e fazem aquilo que já conhecem de memória.”

As maiores dificuldades deverão surgir nas transições entre curvas, na precisão das trajetórias e na proximidade entre os automóveis durante os duelos.

“No drift, não basta andar de lado. É necessário combinar velocidade, ângulo, fluidez e controlo, muitas vezes a poucos centímetros do adversário”, explica a organização.

É precisamente essa combinação de exigência técnica e espetáculo visual que o Vouga Sport Clube pretende explorar.

Quem são os favoritos? “Um pequeno erro pode significar o fim da prova”

A Taça de Portugal apresenta uma particularidade que aumenta a imprevisibilidade: ao contrário de um campeonato, não existe uma temporada inteira para recuperar de um mau resultado.

“Um pequeno erro pode significar o fim da prova, independentemente do currículo do piloto”, sublinha a organização.

Entre os nomes com capacidade para discutir a vitória estão Filipe Vieira, João Salvador, Rui Silva, Tiago Conde, Hugo Ramos, Joel Simões, Celso Lopes, Hélio Valente, Daniel Costa e Rodrigo Soares.

Ainda assim, a organização recusa apontar um favorito absoluto.

“Não basta ter o carro mais potente ou ser o piloto mais experiente. É preciso consistência, controlo emocional e capacidade de adaptação.”

A atenção está também voltada para os pilotos mais jovens, que têm demonstrado uma evolução significativa.

“Acredito que o futuro do drift português está precisamente nestes jovens que chegam com uma mentalidade diferente, muita vontade de aprender e, sobretudo, sem medo de arriscar.”

“Quero que um miúdo saia de lá a sonhar ser piloto”

Para o Vouga Sport Clube, a importância da Taça de Portugal não se esgota na competição.

A organização considera que o drift português evoluiu significativamente, com pilotos mais profissionais, equipas com investimentos relevantes e projetos capazes de competir internacionalmente.

Mas reconhece que a modalidade ainda enfrenta dificuldades de reconhecimento e de criação de condições para o desenvolvimento dos seus participantes.

Uma das prioridades passa por aproximar os mais jovens do desporto automóvel.

“Quero que um miúdo que venha assistir a uma prova saia de lá a sonhar um dia ser piloto, mecânico, engenheiro ou até organizador de eventos. Porque o desporto automóvel não vive apenas de quem está ao volante.”

A organização acredita que a proximidade entre os carros e o público constitui uma das maiores vantagens do Alto do Roçário.

E pretende aproveitar essa característica para transformar a prova numa experiência que ultrapasse os resultados desportivos.

Uma homenagem que mostrou o outro lado do drift

Quando questionada pela ‘Automonitor’ sobre os momentos mais marcantes vividos no circuito, a organização recorda a edição de setembro de 2024 do Turn6 Drift Challenge, que reuniu pilotos nacionais e internacionais.

Entre os convidados esteve Chelsea DeNofa, campeão da Formula Drift, cuja participação ajudou a demonstrar o potencial de Sever do Vouga para receber eventos de dimensão internacional.

Mas é uma memória mais recente que desperta maior emoção.

Durante o Turn6 Gymkhana, realizado em setembro, o clube preparou uma homenagem a Bruno Santos, amigo e membro da direção do Vouga Sport Clube, entretanto falecido.

“Ver os pilotos unidos naquela volta de parada, com balões brancos nos carros, foi algo que me marcou profundamente.”

Para a organização, aquele momento mostrou uma dimensão da modalidade que nem sempre é visível para quem acompanha apenas a competição.

“Existe competição, rivalidade e vontade de ganhar, mas existe também uma comunidade muito unida, onde as amizades e o respeito estão acima dos resultados.”

Sever do Vouga quer ser uma referência nacional

A organização acredita que receber a Taça de Portugal representa também uma oportunidade para o concelho.

Pilotos, equipas, mecânicos, familiares e espectadores deslocam-se de várias regiões, contribuindo para a atividade da restauração, do alojamento e do comércio local.

O Vouga Sport Clube recorda que já conseguiu reunir milhares de espectadores em eventos anteriores, embora prefira não antecipar números para esta edição.

“Não gosto de prometer números apenas para criar expectativas. Prefiro trabalhar para que as pessoas tenham uma boa experiência e queiram regressar.”

O trabalho de preparação, acrescenta, começa muito antes de os primeiros carros entrarem em pista.

“Muitas vezes são meses de preparação para dois dias de espetáculo.”

O objetivo é consolidar Sever do Vouga como um destino de referência para o drift nacional, valorizando simultaneamente o trabalho das equipas e das pessoas envolvidas na organização.

Vai assistir? Os momentos que não deve perder

Para quem pretende conhecer a modalidade, o sábado é uma oportunidade para acompanhar os treinos, observar os automóveis e perceber como os pilotos se adaptam ao circuito.

O domingo concentra os momentos decisivos, com o seguinte programa divulgado pela organização:

– 09h30 às 10h30: aquecimento dos pilotos.

– 10h40 às 12h30: qualificações.

– 14h00: volta de parada.

– 14h30: início dos duelos do Top 32.

– 17h30: final prevista.

Os bilhetes diários custam 15 euros e o passe para os dois dias tem o preço de 20 euros, segundo a informação da bilheteira divulgada para o evento. As crianças até aos 12 anos têm entrada gratuita, nas condições estabelecidas pela organização.

Para quem vai assistir pela primeira vez, o Vouga Sport Clube deixa uma recomendação simples: “Venham preparados para sentir o barulho dos motores, o cheiro da borracha e a adrenalina de ver dois carros a andar lado a lado, de portas praticamente encostadas.”

Porque, como resume a organização, “o público faz parte do espetáculo”.

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