Os portugueses continuam a privilegiar o automóvel nas deslocações do dia a dia, mas não estão necessariamente fechados a outras soluções. Um novo estudo da Telpark revela que 87,1% dos condutores inquiridos utilizam habitualmente o carro próprio, embora mais de metade admita trocar de meio de transporte se encontrar uma alternativa mais sustentável que responda às suas necessidades.
A conclusão faz parte do Telpark Impacta, uma análise nacional sobre hábitos e prioridades de mobilidade urbana, que mostra como o conforto, a rapidez e a falta de alternativas continuam a pesar mais nas escolhas do que as preocupações ambientais.
Entre os participantes, apenas 6,7% indicam os transportes públicos como meio habitual de deslocação. As viagens a pé representam 4%, os veículos partilhados 1,2% e as bicicletas ou trotinetes apenas 0,1%.
O que mantém os portugueses ao volante?
O conforto é o principal fator na escolha do meio de transporte, referido por 62,5% dos inquiridos, seguido de perto pela rapidez, com 61,2%.
A falta de alternativas pesa na decisão de 34,3% dos participantes, enquanto 34% destacam a acessibilidade.
Em contrapartida, apenas 4,5% apontam o impacto ambiental como um dos principais critérios na escolha do transporte habitual.
Apesar desta preferência pelo automóvel, 51,3% dos participantes afirmam estar bastante ou totalmente disponíveis para mudar para uma solução mais sustentável, desde que esta ofereça condições adequadas às suas deslocações.
Mesmo entre quem utiliza habitualmente o carro próprio, a disponibilidade para mudar aproxima-se dos 49%.
O principal obstáculo é o tempo de viagem: 58,3% dos inquiridos consideram-no uma barreira à mudança. Seguem-se o custo económico, referido por 35,3%, a preferência pelo conforto do automóvel, com 31,4%, e a falta de infraestruturas, com 29,2%.
Quando questionados especificamente sobre o que os impede de abandonar o carro particular, 40,5% apontam a ausência de alternativas reais e 38% destacam o conforto e o controlo do tempo.
“Os resultados mostram que os condutores portugueses não rejeitam uma mobilidade mais sustentável. O que procuram são alternativas que funcionem no seu dia a dia, com previsibilidade, rapidez e facilidade de utilização”, explica João Almeida, diretor comercial da Telpark.
Segundo o responsável, a transição depende de uma maior articulação entre estacionamento, transportes públicos, tecnologia e carregamento elétrico.
Estacionamento também influencia a mobilidade
O estudo analisou ainda a perceção dos condutores sobre o papel dos parques de estacionamento no funcionamento das cidades.
No total, 90,4% dos participantes reconhecem pelo menos um impacto positivo destas infraestruturas.
Metade associa os parques de estacionamento à dinamização do comércio local, enquanto 46% destacam a contribuição para a eficiência urbana. Outros 38,1% relacionam-nos com a redução do tráfego e 31,4% com a melhoria do acesso a atividades culturais e de lazer.
A certeza de encontrar um lugar disponível também influencia o planeamento das deslocações, sobretudo nos centros urbanos e nas áreas metropolitanas, apesar de o custo do estacionamento continuar a ser um fator de resistência.
Para a Telpark, os resultados reforçam a importância de integrar o estacionamento numa estratégia de mobilidade mais ampla, articulada com transportes públicos, soluções digitais e infraestruturas de carregamento.
O estudo Telpark Impacta baseia-se em 1.112 entrevistas online, realizadas entre 10 e 18 de novembro de 2025, a residentes em Portugal com 18 ou mais anos, carta de condução e utilização de automóvel ou motociclo, próprio, alugado ou partilhado. A margem de erro indicada é de 2,9%, para um nível de confiança de 95,5%.
Os resultados mostram que, para muitos dos condutores inquiridos, a questão não é tanto a falta de vontade de mudar, mas a dificuldade em encontrar alternativas que consigam competir com a rapidez, a flexibilidade e o conforto do automóvel.
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