Atestar um depósito de 50 litros está significativamente mais caro em Portugal devido à escalada da guerra no Médio Oriente, com impacto direto nos preços dos combustíveis, noticiou esta segunda-feira o ‘Diário de Notícias’. Os aumentos já se fazem sentir no bolso dos automobilistas, com subidas expressivas tanto na gasolina como, sobretudo, no gasóleo.
No caso da gasolina simples 95, o custo de encher um depósito aumentou cerca de 14%, o que corresponde a mais 11,5 euros face ao período anterior ao conflito. O preço médio por litro, que rondava os 1,68 euros, deverá agora situar-se perto dos 1,91 euros, apesar de uma ligeira descida prevista para esta semana.
A subida é ainda mais acentuada no gasóleo. Em pouco mais de um mês, o preço do diesel simples disparou mais de 30%, passando de cerca de 1,60 euros para 2,08 euros por litro. Isto significa que atestar um depósito de 50 litros, que antes custava aproximadamente 80 euros, passa agora a custar cerca de 104 euros — mais 24 euros.
Ao contrário da gasolina, o gasóleo continua a subir, devendo registar novos aumentos já esta semana, segundo fontes do setor.
Este agravamento resulta diretamente da subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, impulsionada pelo conflito, com o barril a ultrapassar os 119 euros. No final da semana passada, o crude já negociava acima dos 105 dólares, cerca de 45% acima dos níveis registados antes da guerra.
Para mitigar o impacto, o Governo mantém o mecanismo de apoio que reduz temporariamente o imposto sobre os combustíveis. Atualmente, o desconto no ISP é de 7,6 cêntimos por litro no gasóleo e de 4,1 cêntimos na gasolina, o que, com o efeito do IVA, corresponde a reduções reais de 9,4 e 5,1 cêntimos por litro, respetivamente.
No total, os descontos acumulados atingem 20,8 cêntimos por litro no gasóleo e 19,3 cêntimos na gasolina. Sem estas medidas, o preço médio do diesel já estaria nos 2,29 euros por litro e o da gasolina nos 2,11 euros.
Apesar deste apoio, o impacto nas famílias é significativo, sobretudo para quem depende do automóvel no dia a dia. O aumento dos custos com combustíveis junta-se a outras pressões económicas, num contexto de incerteza internacional.
O Banco de Portugal já reviu em baixa as previsões de crescimento económico para este ano, apontando agora para 1,8%, refletindo o impacto do conflito nos preços da energia e nas condições financeiras. Ao mesmo tempo, a inflação deverá aproximar-se dos 3%, enquanto as taxas Euribor também deverão subir nos próximos anos, agravando os encargos com crédito.






