O Governo francês anunciou um plano excecional de 500 controlos em postos de combustível para evitar abusos nas subidas de preços registadas desde o início da guerra no Médio Oriente. De acordo com a publicação ‘El Economista’, as inspeções serão realizadas ao longo de três dias por equipas de fiscalização antifraude.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, explicou que estas 500 inspeções equivalem aproximadamente ao número de controlos que normalmente são feitos ao longo de seis meses, o que demonstra o caráter excecional da medida. O objetivo é verificar se as subidas nos preços dos combustíveis nos postos estão realmente justificadas pelo aumento das cotações internacionais.
La guerre au Moyen-Orient ne peut pas servir de prétexte à des hausses abusives des prix à la pompe.
À ma demande, un plan exceptionnel de 500 contrôles sera réalisé, dans les stations-service, entre lundi et mercredi par la répression des fraudes (DGCCRF).
C’est l’équivalent…
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) March 8, 2026
O chefe do Governo francês foi claro ao justificar a iniciativa: a guerra no Médio Oriente não pode servir de pretexto para aumentos abusivos nos preços nas bombas, numa altura em que os mercados energéticos estão particularmente voláteis.
Preços já subiram até 20 cêntimos por litro
Nos últimos dias, o aumento das tensões internacionais já começou a refletir-se nas bombas de combustível. O ministro da Economia francês, Roland Lescure, indicou que os preços da gasolina e do gasóleo subiram entre cinco e 20 cêntimos por litro ao longo da última semana.
Apesar destas subidas, o Governo francês decidiu não reduzir a fiscalidade sobre os combustíveis, medida defendida por alguns partidos da oposição. O executivo considera que um corte nos impostos teria um impacto demasiado elevado nas contas públicas.
Para acompanhar a evolução do mercado, as autoridades francesas mantêm também uma plataforma online onde são atualizados regularmente os preços praticados nas estações de serviço em todo o país.
Guerra e risco no estreito de Ormuz pressionam energia
A escalada militar no Médio Oriente tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os mercados energéticos. O risco de perturbações no estreito de Ormuz — por onde passa uma parte significativa do petróleo e do gás mundial — está a alimentar receios de escassez e de novas subidas nos preços.
Na primeira semana do conflito, o petróleo Brent de referência na Europa chegou a valorizar quase 30%, refletindo o impacto imediato das tensões geopolíticas no setor energético global.
Face a este cenário, o Governo francês quer garantir que eventuais aumentos nas bombas resultam apenas da evolução real dos mercados internacionais e não de práticas especulativas por parte dos operadores.






