O Fiat 500 Topolino prepara-se para celebrar 90 anos desde a sua apresentação, a 15 de junho de 1936, quando surgiu como uma pequena revolução sobre rodas. O modelo, conhecido como ‘Topolino’ — ‘ratinho’, em italiano — nasceu da vontade de Giovanni Agnelli de criar um automóvel simples, económico e acessível para responder às necessidades de transporte dos italianos, recorda o ‘El Economista’.
Com apenas 3,2 metros de comprimento, o primeiro Fiat 500 tinha motor dianteiro de quatro cilindros, 495 cc, tração traseira e uma potência de 13 cv. A velocidade máxima era de 85 km/h e o consumo anunciado ficava nos 7,5 litros por 100 quilómetros, um valor baixo para a época.
O habitáculo foi pensado para dois ocupantes, embora pudesse receber um terceiro passageiro na zona traseira, com limitações de conforto. O tejadilho de lona dobrável tornou-se uma das imagens de marca do modelo e viria a acompanhar diferentes gerações do Fiat 500 ao longo das décadas.
O desenho ficou a cargo de Dante Giacosa, engenheiro que mais tarde influenciaria outros modelos fundamentais da marca, incluindo o novo Fiat 500 de 1957, o Fiat 850 e o Fiat 127. Antes da II Guerra Mundial, o Topolino já se tinha afirmado como um símbolo de mobilidade popular, ao aproximar o automóvel de um público mais vasto.
A produção decorreu entre junho de 1936 e janeiro de 1955, num período marcado também pela guerra, e atingiu um total de 520 mil unidades. O modelo foi fabricado na histórica unidade de Lingotto, em Turim, com um processo de montagem considerado inovador para a época. Muitos exemplares continuaram a circular nas estradas italianas até à década de 1970.
A celebração do aniversário terá Turim como centro simbólico. Segundo o ‘El Economista’, a iniciativa conta com o apoio da Federação Europeia de Clubes Fiat Topolino e do Clube Topolino Fiat Torino, reunindo mais de 130 equipas, algumas vindas de locais tão distantes como a Escandinávia e a Nova Zelândia.
O programa prevê um percurso circular pela cidade, com os Fiat Topolino a chegarem ao ponto de encontro antes de seguirem, divididos em dois grupos, por diferentes zonas de Turim. O trajeto ligará referências locais como Superga e Venaria Reale, antes de avançar para nordeste até Ruffini e Lonna, as duas localidades mais a norte do percurso.
Noventa anos depois, o Topolino continua a ocupar um lugar especial na história da Fiat e da mobilidade europeia. Não foi apenas um carro pequeno: foi um dos primeiros símbolos de acesso ao automóvel numa Europa em transformação, antecedendo a vaga de citadinos compactos que viriam a marcar o pós-guerra.






