<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Explicador: A Toyota vende menos, mas ganha mais dinheiro. Porque está a resistir melhor à crise do que as marcas alemãs?

Explicador: A Toyota vende menos, mas ganha mais dinheiro. Porque está a resistir melhor à crise do que as marcas alemãs?
Francisco Laranjeira

Resposta envolve os híbridos, mas também o valor do iene, a estratégia industrial e a capacidade de adaptação aos diferentes mercados

Enquanto vários fabricantes alemães enfrentam quebras acentuadas de rentabilidade, a Toyota acaba de anunciar um aumento de 34% nos lucros operacionais trimestrais e reviu em alta as previsões para o ano fiscal. O mais curioso é que espera vender menos automóveis do que inicialmente antecipava.

Como consegue a marca japonesa melhorar os resultados num setor pressionado pela concorrência chinesa, pelas tarifas comerciais e pelos custos da eletrificação? A resposta envolve os híbridos, mas também o valor do iene, a estratégia industrial e a capacidade de adaptação aos diferentes mercados.

Segundo uma análise publicada pelo ‘Motor1’, os resultados da Toyota contrastam com os de vários dos seus principais concorrentes europeus, especialmente Mercedes-Benz, Audi e Volkswagen, que atravessam um período de dificuldades financeiras e industriais.

Entre julho e setembro de 2026, a Toyota registou um lucro operacional de aproximadamente 1,13 biliões de ienes, equivalente a cerca de 6,1 mil milhões de euros, um crescimento de 34% face ao mesmo período do ano anterior.

A margem operacional subiu de 6,8% para 8,4%, permitindo ao fabricante japonês aumentar a previsão de lucros para o exercício que termina em março de 2027.

A Toyota espera agora alcançar um lucro operacional de 3,9 biliões de ienes, quando anteriormente antecipava 3,4 biliões. Trata-se de uma revisão em alta de quase 15%.

Ao mesmo tempo, reduziu a previsão de vendas anuais de 11,18 milhões para 10,99 milhões de veículos.

Como se explica esta aparente contradição?

1. Vender menos automóveis não significa necessariamente ganhar menos dinheiro

O primeiro ponto a compreender é a diferença entre volume de vendas e rentabilidade.

Um fabricante pode vender menos veículos e, ainda assim, melhorar os seus resultados se conseguir obter margens superiores, controlar os custos de produção ou beneficiar de condições financeiras favoráveis.

É precisamente o que está a acontecer com a Toyota.

A empresa continua a enfrentar dificuldades em vários mercados, mas consegue compensar parte dessas perdas através da combinação de diferentes fatores.

A rentabilidade não depende apenas do número de automóveis vendidos. Depende também do preço, dos custos associados a cada unidade, dos serviços complementares e até das taxas de câmbio.

E é neste último ponto que encontramos uma das explicações mais importantes para os resultados da marca japonesa.

2. O iene fraco está a ajudar a Toyota. E muito

A desvalorização do iene representa uma vantagem para os fabricantes japoneses que exportam automóveis ou recebem receitas provenientes de outros mercados.

Quando essas receitas são convertidas para ienes, o valor contabilizado pode aumentar, mesmo que o número de veículos vendidos não acompanhe esse crescimento.

No primeiro semestre do atual exercício financeiro, a Toyota estima que as flutuações cambiais tenham contribuído positivamente com 685 mil milhões de ienes para o seu lucro operacional.

Para perceber a importância deste valor, basta compará-lo com o crescimento total do lucro operacional no mesmo período, que foi de aproximadamente 185 mil milhões de ienes.

Ou seja, o efeito favorável das taxas de câmbio foi superior ao aumento global dos lucros.

Isto significa que os bons resultados da Toyota não podem ser explicados exclusivamente pela sua estratégia comercial ou pela procura dos seus automóveis.

Sem a contribuição do iene, o desempenho financeiro teria sido consideravelmente menos favorável.

3. Os híbridos continuam a ser uma vantagem competitiva

A Toyota tem sido frequentemente criticada por avançar de forma mais cautelosa na eletrificação total, sobretudo quando comparada com fabricantes que realizaram investimentos muito elevados em veículos exclusivamente elétricos.

No entanto, a aposta continuada nos híbridos parece estar a produzir resultados importantes.

A marca desenvolve esta tecnologia há quase três décadas, desde o lançamento do Prius, e dispõe atualmente de uma vasta experiência na produção de motores, baterias e sistemas de gestão energética.

Essa experiência permite-lhe beneficiar de processos industriais amadurecidos, de economias de escala e de uma oferta que continua a encontrar compradores em diferentes mercados.

Nos primeiros seis meses do exercício financeiro, as vendas de híbridos da Toyota e da Lexus cresceram 8,3%, atingindo 2,45 milhões de unidades, segundo os dados apresentados na análise.

Este crescimento aconteceu apesar da diminuição das vendas globais do grupo.

Os híbridos continuam, por isso, a desempenhar um papel fundamental na rentabilidade da Toyota, sobretudo em mercados onde muitos consumidores procuram reduzir os consumos de combustível sem depender exclusivamente da infraestrutura de carregamento elétrico.

Mas seria errado concluir que os híbridos são, por si só, responsáveis pelos bons resultados financeiros da marca.

O câmbio, a estrutura de custos e a presença internacional também são determinantes.

4. Porque estão os fabricantes alemães a sofrer mais?

A situação da Toyota contrasta com a de vários fabricantes alemães, particularmente expostos às dificuldades do mercado chinês e aos custos da transformação industrial.

No terceiro trimestre, a margem operacional da divisão de automóveis de passageiros da Mercedes-Benz caiu para 2,5%.

A Audi registou uma rentabilidade de 2,7% nos primeiros nove meses do ano, enquanto o Grupo Volkswagen continua a enfrentar os custos associados à reestruturação industrial e às dificuldades da Porsche.

A China constitui um dos principais problemas.

Durante muitos anos, este mercado foi extremamente rentável para as marcas premium alemãs, mas a rápida evolução dos fabricantes locais, sobretudo nos veículos elétricos, alterou profundamente a concorrência.

As guerras de preços e a crescente preferência por modelos de marcas chinesas estão a pressionar as vendas e as margens dos fabricantes europeus.

No terceiro trimestre, as vendas da Mercedes-Benz na China caíram 31%, enquanto as da BMW recuaram quase 25%, segundo os números citados pelo Motor1.

A Toyota também está a sofrer neste mercado.

Entre julho e setembro, as vendas de Toyota e Lexus na China diminuíram 22,2%, para aproximadamente 361 mil unidades.

A diferença está na capacidade do grupo japonês para compensar estas dificuldades através de outros mercados, da sua gama de produtos e das condições cambiais favoráveis.

5. A Toyota não abandonou os elétricos

A estratégia da Toyota não significa uma rejeição dos automóveis totalmente elétricos.

Pelo contrário, o fabricante continua a investir nesta tecnologia e a desenvolver novos modelos para responder à evolução do mercado.

No primeiro semestre do exercício financeiro, as vendas globais de veículos elétricos do grupo mais do que duplicaram, atingindo cerca de 231 mil unidades.

Na China, onde a concorrência dos fabricantes locais é particularmente intensa, a Toyota está a acelerar o desenvolvimento de modelos elétricos adaptados às preferências dos consumidores chineses.

Para isso, tem vindo a reforçar a colaboração com parceiros e fornecedores locais.

A diferença relativamente a alguns concorrentes está na velocidade e na distribuição dos investimentos.

Em vez de concentrar grande parte da sua estratégia numa única tecnologia, a Toyota continua a apostar em diferentes soluções de motorização, ajustando a oferta às características de cada mercado.

6. A próxima geração de híbridos poderá reforçar esta vantagem

A Toyota já está a preparar uma nova geração de sistemas híbridos, com motores mais compactos e uma arquitetura que poderá ser integrada em plataformas também concebidas para veículos elétricos.

Segundo o ‘Motor1’, a marca aponta para uma redução de consumo de combustível que poderá atingir 15% relativamente às soluções atuais.

Esta evolução poderá permitir diminuir os custos de desenvolvimento e produção, além de melhorar a eficiência dos futuros modelos.

A Toyota estará também a estudar a possibilidade de fornecer estes sistemas a outros fabricantes, procurando rentabilizar o investimento tecnológico.

A ambição passa por triplicar as receitas desta atividade até 2032.

Se esta estratégia se concretizar, os híbridos poderão representar não apenas uma vantagem comercial nos automóveis da própria marca, mas também uma fonte adicional de receitas industriais.

7. Mas a Toyota também tem problemas por resolver

Apesar dos resultados positivos, a Toyota não está imune às dificuldades que afetam a indústria automóvel.

Na América do Norte, a margem operacional atingiu apenas 0,1% no terceiro trimestre, excluindo determinados efeitos financeiros, num contexto marcado pelas tarifas aplicadas pelos EUA às importações.

A empresa enfrenta igualmente aumentos nos custos das matérias-primas e perturbações nas cadeias de abastecimento associadas ao conflito no Médio Oriente.

Para reduzir a exposição às tarifas comerciais, está a reforçar a produção local, incluindo planos para transferir a montagem da pick-up Tacoma do México para os EUA até 2030.

Também na China terá de continuar a adaptar-se à evolução tecnológica e comercial dos fabricantes locais.

Além disso, apesar da revisão em alta do lucro operacional, a Toyota continua a prever uma redução de 7,2% no lucro líquido anual face ao exercício anterior.

É um sinal de que a recuperação não elimina as dificuldades financeiras e industriais que o grupo enfrenta.

Afinal, qual é o segredo da Toyota?

Os resultados mostram que não existe uma única explicação para a resistência da Toyota à turbulência do setor automóvel.

A aposta nos híbridos está a revelar-se particularmente favorável numa altura em que a procura por automóveis exclusivamente elétricos evolui a ritmos diferentes consoante os mercados.

Mas a experiência industrial acumulada, a diversificação geográfica, o controlo de custos e, sobretudo, o efeito positivo da desvalorização do iene também ajudam a explicar a melhoria dos resultados.

A Toyota não está a demonstrar que os elétricos foram uma aposta errada, nem que os híbridos serão necessariamente a solução dominante no futuro.

Está, isso sim, a mostrar as vantagens de uma estratégia industrial que procura adaptar as tecnologias à procura real dos consumidores, evitando depender exclusivamente de uma única solução.

E, num momento em que vários fabricantes europeus enfrentam dificuldades para rentabilizar investimentos muito elevados, essa flexibilidade poderá ser uma das maiores vantagens competitivas da marca japonesa.

Para saber mais: A estratégia da Toyota já foi analisada na Automonitor, nomeadamente no Explicador sobre a nova geração de motores híbridos, que promete reduzir os consumos em mais de 15%. Também abordámos o alerta da Toyota às marcas japonesas perante o avanço da concorrência chinesa, a possibilidade de o próximo Corolla passar a ser produzido na China e a nova aposta da marca nos elétricos com extensor de autonomia.