O Mitsubishi Lancer Evolution continua a ser um dos desportivos japoneses mais admirados de sempre, mas o seu regresso permanece fora dos planos imediatos da marca. Isso não significa, contudo, que a Mitsubishi esteja disposta a abandonar a herança de um automóvel que fez história nos ralis. A solução encontrada é inesperada: um SUV elétrico com 465 cv, desenvolvido a partir de um modelo de uma empresa conhecida por fabricar os iPhones da Apple.
Chama-se Mitsubishi ASX VR-e e foi concebido para os mercados da Austrália e da Nova Zelândia. Apesar de recuperar referências aos antigos desportivos da marca japonesa, não se trata de um novo Lancer Evolution, nem de um sucessor direto do lendário Evo.
Segundo o ‘Motor1’, a Mitsubishi pretende manter viva a identidade desportiva associada ao Lancer Evolution através de modelos diferentes, incluindo este novo SUV elétrico, que combina tração integral, dois motores e prestações de elevado desempenho.
Um Mitsubishi com tecnologia de quem fabrica iPhones
A história do ASX VR-e começa fora da Mitsubishi.
O novo SUV tem como base o Foxtron Bria, desenvolvido pela Foxtron Vehicle Technologies, empresa ligada à gigante tecnológica taiwanesa Foxconn, conhecida sobretudo pela produção de dispositivos eletrónicos, incluindo os iPhones da Apple.
O desenho exterior ficou a cargo da Pininfarina, enquanto a Mitsubishi realizou uma afinação específica do chassis para adaptar o comportamento do veículo às suas próprias exigências.
O resultado é um SUV elétrico que recupera elementos da identidade desportiva da marca, embora tenha origens muito diferentes das do Lancer Evolution.
Importa também esclarecer que este ASX VR-e não corresponde ao Mitsubishi ASX atualmente comercializado em Portugal, que utiliza uma base técnica da Renault.
Tem 465 cv e acelera dos 0 aos 100 km/h em 3,9 segundos
A versão mais potente, denominada ASX VR-e GSR, utiliza dois motores elétricos e um sistema de tração integral.
A potência combinada atinge 342 kW, equivalentes a aproximadamente 465 cv, enquanto o binário máximo chega aos 700 Nm.
Com estes valores, o SUV consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,9 segundos, tornando-se no Mitsubishi com a aceleração mais rápida da gama australiana.
Os números superam, em potência, os de muitas versões de produção do Lancer Evolution, embora isso não signifique que o novo SUV consiga reproduzir a experiência de condução do desportivo que lhe serve de inspiração.
A Mitsubishi procurou, ainda assim, dar-lhe um comportamento mais dinâmico.
Em condições normais, o sistema de tração integral distribui a força pelos dois eixos numa proporção de 50:50.
Quando o condutor seleciona o modo Sport, essa distribuição passa para 30:70, privilegiando o eixo traseiro.
Os nomes VR-e e GSR escondem duas referências históricas
A ligação ao passado da Mitsubishi não se resume às prestações.
A designação VR-e recupera a memória do Galant VR-4, um dos modelos que ajudaram a construir a reputação desportiva da marca antes da chegada do Lancer Evolution.
Já a sigla GSR foi utilizada em várias gerações do Evo, tornando-se familiar para os entusiastas dos desportivos japoneses.
Shunichi Kihara, responsável da Mitsubishi na Austrália, explicou ao portal australiano Drive que a herança da marca está fortemente associada ao Pajero e ao Evolution, dois nomes que continuam a despertar interesse.
Segundo o responsável, isso não significa que a Mitsubishi tenha abandonado a possibilidade de criar automóveis inspirados no Evo. O novo VR-e representa precisamente uma tentativa de preservar esse espírito através de uma proposta elétrica de elevado desempenho.
Mas haverá algum dia um Mitsubishi Lancer Evolution XI?
Para os entusiastas que continuam à espera de um verdadeiro sucessor do Lancer Evolution X, a resposta continua a ser pouco animadora.
O presidente da Mitsubishi, Keisuke Kishiura, já reconheceu o valor histórico do Evo e manifestou o desejo de recuperar alguns dos modelos mais emblemáticos da marca, incluindo o Galant e o Diamante.
No entanto, segundo o ‘Motor1’, não existem atualmente planos concretos para o lançamento de um novo Lancer Evolution.
A marca tem outras prioridades e, por enquanto, não está em condições de avançar com um projeto dessa natureza.
Um eventual Evo XI dificilmente chegaria antes da próxima década, caso venha efetivamente a ser desenvolvido.
O novo ASX VR-e GSR também não tem lançamento anunciado para Portugal ou para os restantes mercados europeus.
Assim, o espírito do Lancer Evolution poderá continuar vivo nos nomes, nas prestações e nas referências históricas de novos modelos da Mitsubishi. Mas o regresso do desportivo que conquistou gerações de apaixonados pelos ralis continua a ser apenas uma possibilidade, não uma promessa.
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