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Escalada no preço dos combustíveis: Reino Unido já está a aconselhar condutores a reduzir viagens de carro

Pedro Gonçalves

Os preços do petróleo ultrapassaram a barreira dos 100 dólares por barril pela primeira vez desde 2022, na sequência do agravamento do conflito no Médio Oriente após os ataques aéreos lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irão.

Os preços do petróleo ultrapassaram a barreira dos 100 dólares por barril pela primeira vez desde 2022, na sequência do agravamento do conflito no Médio Oriente após os ataques aéreos lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irão. A subida abrupta do preço do crude está a aumentar a preocupação nos mercados e poderá refletir-se em breve nos custos dos combustíveis.

Perante este cenário, especialistas do setor automóvel estão a aconselhar os condutores a evitarem deslocações consideradas não essenciais e a adotarem estilos de condução mais eficientes, de forma a reduzir o consumo de combustível.

O alerta foi feito por Edmund King, presidente da associação automóvel britânica AA, que sublinhou que o aumento do preço do petróleo deverá acabar por se refletir nos preços pagos pelos consumidores nos postos de abastecimento.

“Sempre que o Brent ultrapassa os 100 dólares por barril há preocupação nos mercados, na indústria de transporte e entre os condutores”, afirmou.

Segundo o responsável, os aumentos no preço dos combustíveis não deverão ocorrer de forma imediata, uma vez que grande parte do combustível atualmente disponível nos postos foi comprado a preços anteriores.

“Haverá aumentos graduais nos preços nos postos, mas isso não deverá acontecer de um dia para o outro, já que o combustível foi adquirido a preços anteriores”, explicou.

Ainda assim, Edmund King aconselha os automobilistas a adotarem medidas preventivas para reduzir os gastos com combustível.

“A nossa sugestão é que os condutores não alterem os seus hábitos de abastecimento, mas podem considerar eliminar algumas viagens não essenciais e alterar o estilo de condução para poupar combustível”, afirmou.

Conflito no Médio Oriente pressiona mercado petrolífero
A subida do preço do petróleo surge na sequência da intensificação das tensões no Médio Oriente, depois de os Estados Unidos e Israel terem lançado ataques aéreos contra o Irão há cerca de dez dias.

O agravamento do conflito provocou receios de perturbações no fornecimento global de petróleo, um fator que tradicionalmente gera reações rápidas nos mercados energéticos.

Apesar do impacto nos preços dos combustíveis, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que o aumento dos custos é aceitável face ao contexto geopolítico.

O líder norte-americano descreveu o agravamento dos preços como “um pequeno preço a pagar”.

Reino Unido alerta para impacto económico
Também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, alertou para as possíveis consequências económicas caso o conflito se prolongue.

“Quanto mais tempo este conflito com o Irão durar, mais provável será o impacto na nossa economia”, afirmou Starmer.

A declaração reflete a preocupação crescente entre governos e analistas quanto aos efeitos de uma crise prolongada na região, que é uma das principais áreas produtoras de petróleo do mundo.

Países do G7 reúnem-se para discutir resposta
Face à escalada dos preços da energia, os países do G7 deverão reunir-se ainda esta segunda-feira para analisar a situação e discutir possíveis medidas para aliviar a pressão nos mercados energéticos.

Entre as hipóteses em análise está a libertação conjunta de reservas estratégicas de petróleo, uma medida que poderia aumentar temporariamente a oferta global e ajudar a estabilizar os preços.

Este tipo de intervenção já foi utilizado em crises anteriores para travar aumentos bruscos no preço do petróleo e evitar impactos mais severos na economia mundial.