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Covid 19: Como a pandemia vai afetar as vendas de carros elétricos

Nas últimas semanas têm surgido algumas notícias contraditórias no que diz respeito às previsões das vendas de carros elétricos na sequência da pandemia.

É característico de tempos de crise como o que vivemos haver previsões sobre tudo e o seu contrário, e isto acontece por uma razão extremamente simples. É que ninguém sabe, realmente, o que vai acontecer a seguir.

Por um lado, da China chegam sinais de que este segmento específico do mercado automóvel, o dos veículos elétricos, pode vir a ter um impulso maior do que estava previsto antes do novo coronavírus se tornar um problema global. Além dos efeitos ambientais positivos, resultantes do confinamento em massa, que alguns especialistas acreditam poderem vir a alterar as consciências relativas à preservação do ambiente, existem outros fatores interessantes a ter em conta. Precisamente na China assiste-se a um fenómeno ímpar, decorrente da pandemia de Covid-19, que é um aumento da procura de carros elétricos por pessoas que nunca antes tiveram um carro e buscam agora esta solução para fugir aos transportes públicos, prevenindo o contágio e, simultaneamente, protegendo o meio ambiente.

Por outro lado, alguns especialistas acreditam que a recessão, os receios relativamente ao futuro económico e, principalmente, a queda do preço do petróleo, podem levar os condutores a preferir continuar com modelos a combustão; ou simplesmente que a crise arrastará os elétricos na queda do mercado automóvel geral sem que se notem diferenças de tendência quanto à adesão ou rejeição deste tipo de veículos.

Nos EUA, a Wood Mackenzie, uma reputada consultora no setor energético, publicou um relatório que prevê uma queda mundial nas vendas de carros elétricos na ordem dos 43%. Para chegar a este valor, a empresa baseia-se num estudo que efetuou e que conclui que a intenção de compra de um carro elétrico baixou de 2,2 milhões em 2019 para apenas 1,3 milhões em 2020. Embora as vendas na China estejam possam atingir os valores de 2019 em novembro próximo, este relatório antecipa que a procura nos EUA terá sofrido uma queda de qualquer coisa como 30% no final do ano, face a 2019.

Para a Wood Mackenzie esta tendência de queda está diretamente ligada à pandemia porque, pode ler-se no relatório, «as vendas de carros elétricos na Europa subiram 121% em janeiro e assim se mantiveram em fevereiro, mas começaram a decair em março» – precisamente quando a pandemia levou ao confinamento geral.

O que estes dados parecem indicar, muito claramente, é que muitos consumidores vão “pagar para ver” o que acontece à economia. Segundo o estudo da Wood Mackenzie, «a maioria dos compradores de carros elétricos estão a adquirir esta tecnologia pela primeira vez. E num cenário de incerteza e medo, os consumidores tendem a inclinar-se menos a adoptar novas tecnologias».

O que também parece não ajudar é o facto de nenhum dos modelos elétricos mais antecipados do ano ter chegado, até agora, ao mercado. Vários fabricantes anunciaram novos veículos que afinal não chegarão ao mercado antes do final do ano, ou mesmo 2021. 

Por outro lado, esta ideia de queda abrupta do segmento elétrico do mercado automóvel é contrariada por outros agentes do mercado, que se baseiam no facto das maiores marcas já terem anunciado iniciativas globais de eletrificação e terem um grande nível de compromisso investido em investigação e desenvolvimento e patrocínios. Com tantos planos já definidos para o futuro próximo, seria uma catástrofe para os fabricantes de automóveis se tivessem de reestruturar todo o seu planeamento de desenvolvimento. 

Mas, mais uma vez, ninguém sabe o que vai acontecer. E a duração desta inversão económica é uma incógnita ainda maior do que os próprios efeitos desta crise.