Filas de carros elétricos novos, alinhados ao sol no meio do deserto, empilhados uns sobre os outros como sucata sem valor. Não é um cenário pós-apocalíptico — é real e está a acontecer no Arizona, nos Estados Unidos.
O caso foi inicialmente revelado por vídeos virais nas redes sociais, onde um engenheiro encontrou dezenas — e possivelmente centenas — de veículos elétricos abandonados num ferro-velho em Gilbert. As imagens mostram carros praticamente novos, alguns ainda com aspeto de saída de fábrica, à espera de serem destruídos.
De promessa revolucionária a falhanço total
Todos os veículos pertencem ao mesmo modelo: o ElectraMeccanica Solo, um carro elétrico de três rodas pensado para revolucionar a mobilidade urbana.
Lançado como uma solução simples, barata e eficiente para deslocações diárias, o projeto prometia tornar-se “ubíquo como um iPhone”. Mas a realidade foi outra.
Pouco depois de chegar ao mercado, começaram a surgir relatos de um problema crítico: perda de potência durante a condução. O defeito acabou por levar a um recall em massa de praticamente todos os veículos vendidos.
Sem solução técnica viável, a empresa tomou uma decisão radical: recomprar os carros aos clientes.
O desfecho mais inesperado
Depois da recompra, os veículos não foram reparados, revendidos ou reaproveitados. Foram enviados para um ferro-velho.
Ali ficaram — dezenas, depois centenas — alinhados e empilhados, à espera de serem destruídos. Alguns trabalhadores confirmaram que o processo de destruição chegou a ser supervisionado, para garantir que os carros eram efetivamente eliminados.
Um símbolo incómodo para a indústria elétrica
O “cemitério” de carros elétricos tornou-se viral porque expõe uma realidade raramente mostrada: nem todas as apostas na transição energética resultam.
Apesar do crescimento global dos elétricos, o setor continua altamente competitivo e arriscado, sobretudo para startups. Falhas técnicas, falta de escala e decisões estratégicas erradas podem transformar rapidamente uma promessa em prejuízo.
Neste caso, o que era apresentado como o “carro do futuro” acabou como um dos exemplos mais visíveis de falhanço industrial recente.
Mais do que carros — uma história sobre risco
O que está em causa não são apenas veículos abandonados. É uma cadeia inteira de decisões — investimento, inovação, produção — que falhou.
E isso levanta uma questão mais ampla: quantos outros projetos semelhantes podem estar a caminho do mesmo destino?
Porque, enquanto a revolução elétrica avança, há histórias como esta que mostram o outro lado — menos visível, mas igualmente real.






