<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Baterias em chamas ou mito viral? A verdade sobre os incêndios nos elétricos

Automonitor com Lusa

Em entrevista ao ‘El Economista’, Luis Fernández, especialista em resgate em acidentes rodoviários, desmonta alguns dos mitos mais persistentes associados aos elétricos, explicando como surgem os incêndios, como atuam os bombeiros e que cuidados devem ter os utilizadores

Os incêndios em veículos elétricos continuam a alimentar receios entre muitos condutores, mas os dados e a experiência no terreno apontam noutra direção. A incidência deste tipo de ocorrências é significativamente mais baixa do que nos automóveis com motor de combustão, garante Luis Fernández, instrutor do Serviço de Formação do Corpo de Bombeiros da Comunidade de Madrid e especialista em resgate em acidentes rodoviários.

Em entrevista ao ‘El Economista’, o bombeiro desmonta alguns dos mitos mais persistentes associados aos elétricos, explicando como surgem os incêndios, como atuam os bombeiros e que cuidados devem ter os utilizadores.

Incêndios menos frequentes do que nos carros a gasolina

A ideia de que os carros elétricos ardem com mais facilidade não corresponde à realidade. Segundo Luis Fernández, as estatísticas disponíveis em países com elevada adoção desta tecnologia mostram precisamente o contrário. A percentagem média de veículos elétricos envolvidos em incêndios ronda os 0,02%, um valor muito inferior ao dos automóveis com motor de combustão.

Estes números repetem-se em países nórdicos, nos Estados Unidos e também em Espanha, onde a recolha de dados tem permitido contrariar a perceção criada por vídeos virais e casos isolados amplamente difundidos nas redes sociais.

Combustão espontânea e o papel da bateria

Também a ideia de que um carro elétrico pode entrar em combustão espontânea sem motivo aparente é exagerada. Isso pode acontecer, mas da mesma forma que num veículo a gasolina. E, na maioria dos casos, o incêndio não começa na bateria, apesar de ser aí que se concentra a maior parte da preocupação pública.

Os incêndios resultam sobretudo de problemas no sistema de carregamento, de colisões de elevada energia ou de fogos externos que acabam por afetar o veículo. As imagens mais alarmantes que circulam online envolvem frequentemente trotinetas ou bicicletas elétricas, cujos padrões de segurança são incomparáveis aos de um automóvel.

Casos mediáticos e controlos de segurança

Episódios de grande impacto mediático, como o incêndio do navio ‘Felicity Ace’, são frequentemente usados como prova de um risco elevado. No entanto, Luis Fernández sublinha que, como em qualquer produto industrial, podem existir defeitos pontuais. Uma célula defeituosa pode inflamar e propagar o fogo às restantes, mas isso não representa a norma.

Antes de chegar ao mercado, uma bateria é sujeita a controlos rigorosos de qualidade e segurança, incluindo testes de impacto, temperatura e sobrecarga, tanto destrutivos como não destrutivos. Para o especialista, existe mais desinformação do que perigo real.

Como atuam os bombeiros num incêndio elétrico

A intervenção inicial dos bombeiros num carro elétrico é praticamente idêntica à de um veículo com motor de combustão. Nos primeiros minutos, o que arde são plásticos, espumas, pneus ou estofos. As diferenças surgem apenas quando o fogo atinge o sistema de propulsão.

As chamas associadas a uma bateria podem ser mais intensas e concentradas e o incêndio pode prolongar-se mais tempo, dependendo da química e do nível de carga. Ainda assim, trata-se de um cenário para o qual os bombeiros estão preparados e que está dentro das suas capacidades operacionais.

Garagens, carregamento e risco real

A maioria dos incêndios envolvendo veículos elétricos ocorre durante o carregamento, mas isso não significa que o problema esteja no carro. Muitas vezes, a origem está no posto de carregamento, no cabo ou numa instalação elétrica defeituosa.

As baterias dispõem de sistemas de controlo que monitorizam continuamente a temperatura, a sobrecarga e a descarga excessiva. O risco aumenta sobretudo em espaços fechados, como garagens, onde pode haver acumulação de gases. Ao ar livre, o impacto de um eventual incêndio é muito menor. O fator decisivo não é carregar o carro à noite, mas sim a qualidade da instalação e do equipamento utilizado.

Quando e como a bateria entra em combustão

Uma bateria de lítio pode incendiar-se devido a temperaturas extremas provocadas por um fogo próximo, perfuração ou compressão após um impacto violento, sobrecarga ou submersão do veículo, que pode causar um curto-circuito. O carregamento ultrarrápido também gera calor, razão pela qual muitos sistemas limitam a carga a cerca de 80%.

Em testes práticos realizados pelos bombeiros, um incêndio iniciado no interior do veículo demorou entre 20 e 40 minutos a atingir a bateria. Num carro a combustão, a gasolina começa a alimentar as chamas em menos de 10 minutos. Na maioria dos casos, quando os bombeiros chegam, o incêndio num elétrico ainda é semelhante ao de um automóvel convencional.

Reignição e sinais de alerta

Está documentado que uma bateria pode reacender 24 ou 48 horas após um incêndio. Por isso, existem protocolos específicos, que incluem a monitorização da temperatura com câmaras termográficas durante pelo menos 45 minutos e a deslocação do veículo para um local sem material combustível. Quando estes procedimentos não são cumpridos, aumenta o risco de reignição.

Antes disso, o próprio veículo pode dar sinais de alerta, através de avisos no painel de instrumentos ou da desconexão automática do circuito de alta tensão. Pequenas libertações de vapor branco, com odor semelhante ao fumo, podem indicar sobrepressão numa célula.

Segurança dos bombeiros e evolução tecnológica

Para os bombeiros, os riscos são comparáveis aos de um incêndio num carro a combustão. Existem atmosferas tóxicas em ambos os casos, embora em incêndios elétricos os níveis de certos gases possam ser mais elevados. Ainda assim, o uso de equipamento de proteção completo minimiza as diferenças práticas.

Nem todas as baterias são iguais. Existem diferentes composições químicas, com comportamentos distintos em caso de incêndio. As futuras baterias de estado sólido, onde o eletrólito não é líquido, prometem níveis de segurança ainda mais elevados e já estão em desenvolvimento.

A evolução tecnológica é rápida. Alguns fabricantes trabalham em sistemas capazes de isolar módulos defeituosos ou injetar agentes extintores numa célula em caso de falha. A abertura de patentes como o Fireman Access acelera essa evolução, tornando obsoletos muitos estudos de há apenas uma década.

Uma tecnologia mais segura do que parece

A mensagem final de Luis Fernández é clara: os utilizadores podem estar tranquilos. Os dados demonstram que os carros elétricos são uma tecnologia fiável, com um risco de incêndio igual ou até inferior ao dos veículos a combustão. Comparações com trotinetas ou bicicletas elétricas não são adequadas.

Para o especialista, existe muito mais desinformação do que perigo real. E deixa uma nota pessoal: se um fabricante lhe oferecesse um carro elétrico, aceitaria sem hesitar, concluiu o ‘El Economista’.