A Volkswagen não está disposta a desistir do ID. Buzz. A carrinha elétrica inspirada no lendário Pão de Forma terá uma segunda geração, com tecnologia mais avançada, maior autonomia e, sobretudo, um preço mais acessível. A confirmação foi dada pelo presidente executivo da marca alemã, Thomas Schäfer, durante o Salão Automóvel de Paris.
O responsável explicou, numa entrevista à ‘Auto Express’, que o atual ID. Buzz ainda receberá uma atualização importante antes de dar lugar ao sucessor. A decisão surge numa altura em que a Volkswagen procura transformar o encanto nostálgico do modelo num argumento comercial suficientemente forte para conquistar mais compradores.
O problema é que, até agora, o preço elevado tem limitado o potencial de um automóvel que dificilmente passa despercebido na estrada.
A nostalgia conquistou atenções, mas não resolveu o problema do preço
Quando apresentou o ID. Buzz, a Volkswagen recuperou uma das imagens mais reconhecíveis da sua história: a do mítico Pão de Forma, agora reinterpretado como uma carrinha totalmente elétrica.
O resultado foi um modelo com personalidade própria, mas cujo posicionamento comercial dificultou a conquista de um público mais alargado.
Apesar disso, os números não são propriamente desastrosos. No último ano, a procura duplicou, atingindo 60.700 unidades, distribuídas de forma quase equilibrada entre as versões de passageiros e de mercadorias.
Ainda assim, Schäfer reconheceu que o preço continua a ser um obstáculo importante e que a próxima geração terá de ser mais competitiva.
A solução poderá passar pela nova plataforma Scalable Systems Platform (SSP), uma arquitetura elétrica que será utilizada por diferentes marcas do Grupo Volkswagen.
Além de permitir maiores autonomias, carregamentos mais rápidos e software mais evoluído, esta plataforma deverá ajudar a reduzir os custos de desenvolvimento e produção.
A atualidade automóvel não pára. Acompanhe a Automonitor também no LinkedIn e no Instagram.
A utilização de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), geralmente mais económicas, também poderá contribuir para baixar o preço final. Contudo, a Volkswagen ainda não confirmou esta possibilidade.
Menos comandos táteis e um desenho que não viva apenas do passado
A transformação do ID. Buzz não deverá limitar-se à tecnologia que esconde debaixo da carroçaria.
O habitáculo é outro dos pontos que poderão sofrer alterações importantes, sobretudo depois das críticas aos comandos táteis utilizados em vários modelos elétricos da Volkswagen.
A marca começou entretanto a recuperar botões físicos em modelos como o ID. Polo, o ID.3 Neo e o ID. Tiguan, numa tentativa de tornar a utilização das funções mais intuitiva.
A futura geração do ID. Buzz deverá beneficiar desta mudança de filosofia, embora algumas melhorias possam chegar ainda durante a vida comercial do modelo atual.
Também o desenho exterior terá de evoluir.
Andreas Mindt, responsável pelo design da Volkswagen, já deixou claro que a marca não pretende repetir indefinidamente as mesmas fórmulas nostálgicas. O designer recordou o exemplo do Beetle moderno para explicar que recuperar um automóvel histórico pode funcionar, mas insistir continuamente na mesma receita acaba por retirar-lhe impacto.
O desafio será preservar a personalidade do ID. Buzz sem transformar a próxima geração numa simples repetição do passado.
Quando chega o novo ID. Buzz?
Quem estiver à espera de uma segunda geração terá de ser paciente.
O primeiro automóvel desenvolvido sobre a plataforma SSP deverá ser um SUV de topo de gama, com lançamento previsto antes do final da década.
O sucessor do ID. Buzz chegará posteriormente, não existindo ainda uma data oficial. Segundo o Motor1, dificilmente será apresentado antes de 2030.
Até lá, a Volkswagen continuará a melhorar o modelo atual, com atualizações de software, novas funcionalidades e versões de entrada mais acessíveis em determinados mercados.
Na Europa, está também prevista uma versão de mercadorias com distância entre eixos alongada, piso de madeira e uma segunda porta lateral deslizante.
Nos EUA, a trajetória comercial tem sido mais complicada, estando o regresso do ID. Buzz previsto apenas para o ano-modelo de 2028, caso não existam novos adiamentos.
A Volkswagen parece, assim, determinada a dar uma segunda oportunidade a um dos seus modelos elétricos mais distintos. Mas a lição da primeira geração é clara: recuperar um ícone pode despertar emoções, porém convencer os consumidores a comprá-lo exige muito mais do que nostalgia.
A Volkswagen está a mudar muito mais do que o ID. Buzz
A nova geração do ID. Buzz faz parte de uma transformação mais profunda da estratégia elétrica da Volkswagen, que a Automonitor tem vindo a acompanhar.
Recentemente, a marca confirmou que o ID.4 e o ID.5 vão dar lugar ao novo ID. Tiguan, recuperando uma designação familiar para reforçar a identidade da sua gama elétrica.
Esta mudança segue uma estratégia mais ampla, iniciada com o regresso dos nomes históricos aos modelos elétricos, incluindo o ID. Polo.
E há também uma importante transformação industrial. A Volkswagen prepara uma nova cadeia de produção de baterias LFP na Europa, num projeto que envolve a entrada de um fabricante chinês com uma participação de 49% numa fábrica em Espanha. Uma tecnologia que poderá ajudar a tornar os próximos elétricos da marca mais acessíveis.






