Uma curva à direita, outra à esquerda. Nunca duas consecutivas para o mesmo lado. É uma das particularidades da Rampa do Caramulo, uma prova marcada pela velocidade e por uma estrada onde cada centímetro conta. Em entrevista à Automonitor, Nuno Pinto, responsável pelo Caramulo Racing Team, explica o que torna este traçado tão exigente, revela os desafios de assumir a organização da competição e partilha a ambição de transformar a prova numa referência nacional.
A Rampa do Caramulo regressa este fim de semana para encerrar o Campeonato de Portugal de Montanha. Mas, para Nuno Pinto, a importância da prova vai muito além da classificação final.
Há uma ligação especial entre o automobilismo e a região. E há, sobretudo, uma estrada com características que obrigam os pilotos a uma concentração permanente.
“A pista é uma pista muito rápida”, começa por explicar o responsável, destacando uma das particularidades que considera decisivas.
Uma estrada onde as curvas nunca se repetem
O traçado da Rampa do Caramulo tem, segundo Nuno Pinto, uma característica curiosa: a sucessão de curvas obriga os pilotos a alternar constantemente entre mudanças de direção.
“Tenho a curiosidade de nunca ter duas curvas seguidas à direita, nem duas curvas seguidas à esquerda”, revela.
A isso junta-se a velocidade do percurso, que o dirigente identifica como uma das principais marcas da prova.
“É muito rápida. Portanto, a margem de erro é mínima.”
Para os concorrentes, a exigência está em conseguir aproveitar a estrada ao máximo, sem perder a precisão necessária para enfrentar cada mudança de direção.
Mas Nuno Pinto considera que o Caramulo oferece algo mais do que um percurso desafiante.
“Estamos a falar de um local onde se respira o automóvel. Onde se respira a corrida.”
O ambiente junto à zona de partida é, na sua perspetiva, outro dos elementos que contribuem para a identidade da competição.
Mais de 50 pilotos e um campeonato a terminar
A edição deste fim de semana deverá reunir mais de 50 concorrentes, um número que deixa a organização satisfeita por se tratar da última prova da temporada.
Com títulos ainda em discussão, Nuno Pinto reconhece que existe um motivo adicional de interesse para pilotos e espectadores.
“O que esperamos, obviamente, é espetáculo.”
O responsável admite que alguns concorrentes já têm as suas classificações definidas, mas considera que o conjunto de participantes permitirá proporcionar um bom encerramento do campeonato.
A ambição é que a competição seja também uma festa para quem visita a região.
“É uma festa. Isso realmente é o que nós queremos proporcionar a quem nos visita e aos pilotos.”
A organização espera igualmente que a chuva dê tréguas, permitindo que o fim de semana decorra nas melhores condições possíveis.
A estreia na organização principal: “É sempre um orgulho”
Para o Caramulo Racing Team, esta edição representa uma responsabilidade acrescida.
O clube assume pela primeira vez a organização principal da Rampa do Caramulo, embora a sua ligação à preparação da prova venha de anos anteriores.
“Isto é um desafio grande para nós”, reconhece Nuno Pinto.
A circunstância de se tratar de uma equipa local torna a responsabilidade ainda mais especial.
“Somos um clube local e é sempre um orgulho que temos nós a organizar.”
O dirigente explica que, nas edições anteriores, o Caramulo Racing Team já desempenhava funções de coorganização, sobretudo na logística e na preparação do percurso.
A novidade passa agora pela responsabilidade desportiva e pela coordenação global de uma competição desta dimensão.
Reunir os recursos humanos e assegurar toda a logística foram alguns dos obstáculos encontrados nos bastidores. Mas Nuno Pinto garante que a equipa conseguiu responder às exigências.
“Temos tudo preparado para que a prova se desenrole sem problemas.”
O objetivo é que a mudança de organização seja sentida sobretudo pela qualidade do evento, e não pelas dificuldades que foi necessário ultrapassar.
“É a nossa casa”: a ambição de fazer crescer a Rampa do Caramulo
Quando olha para o futuro, Nuno Pinto não esconde que pretende elevar a importância da prova no panorama nacional.
O objetivo do Caramulo Racing Team passa por melhorar sucessivamente a organização, reforçar as condições de segurança do percurso e tornar a experiência mais atrativa para pilotos e espectadores.
A ambição é que a Rampa do Caramulo venha a ser reconhecida como uma das grandes referências do Campeonato de Portugal de Montanha.
Mas há também uma ideia que ultrapassa a competição: transformar o fim de semana num acontecimento mais abrangente, com outras atividades capazes de valorizar a região e atrair visitantes.
Nuno Pinto acredita que o Caramulo tem condições para oferecer mais a quem se desloca à serra, aproveitando a tradição automobilística e os motivos de interesse locais.
Para já, a prioridade é receber bem todos os que participam e acompanham a prova, garantindo que regressam a casa com vontade de voltar no ano seguinte.
É uma preocupação que o dirigente associa diretamente à ligação do clube à região.
“É uma prova nossa. É a nossa casa.”
Vai acompanhar a Rampa do Caramulo este fim de semana? A Automonitor preparou um guia completo para não perder nada da grande festa da montanha, com os horários e as informações essenciais para quem quer assistir à prova.
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