Durante dois dias, a tranquilidade da Serra do Caramulo vai dar lugar ao rugido dos motores. Protótipos preparados para desafiar o cronómetro, Porsche de competição, clássicos que continuam a fazer sonhar e até um Audi de DTM vão enfrentar uma estrada onde cada curva conta. A 35ª Rampa do Caramulo realiza-se este sábado e domingo, com 51 pilotos inscritos, seis subidas programadas e três títulos nacionais ainda por decidir. Se está a pensar assistir, há horários e alguns pormenores que convém conhecer antes de sair de casa.
A competição encerra a temporada do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group e promete voltar a transformar o Caramulo num ponto de encontro para os apaixonados pelo automobilismo.
Esta edição tem um significado especial: pela primeira vez, a organização é assumida pelo Caramulo Racing Team, clube da região que já colaborava nas edições anteriores.
E há uma boa razão para estas provas conquistarem tantos adeptos. Ao contrário das corridas em circuito, aqui não existem ultrapassagens nem pelotões a disputar a mesma curva. Há um piloto, um automóvel, uma estrada de montanha e um cronómetro que não perdoa.
A ‘Automonitor’ preparou um guia para acompanhar o fim de semana e perceber onde, quando e por que razão vale a pena assistir.
Quando é a Rampa do Caramulo? Conheça todos os horários
A competição decorre este sábado e domingo, com três subidas previstas para cada dia.
No sábado realizam-se duas sessões de treinos e a primeira subida oficial. No domingo, os pilotos regressam à estrada para uma última sessão de treinos e as duas subidas oficiais que vão fechar as contas da temporada.
Sábado, 24 de outubro
08h30: encerramento da estrada da prova ao trânsito.
10h00: primeira subida de treinos oficiais.
12h00: segunda subida de treinos oficiais.
14h00: primeira subida oficial de prova.
Domingo, 25 de outubro
08h30: encerramento da estrada da prova ao trânsito.
10h00: terceira subida de treinos oficiais.
12h00: segunda subida oficial de prova.
14h00: terceira e última subida oficial.
Os horários das sessões das 12h00 e das 14h00 são indicativos e podem sofrer alterações consoante o decorrer da competição.
Depois da última subida de domingo, seguem-se as classificações, o pódio e a entrega de prémios.

Onde se realiza a prova e onde pode assistir?
A 35ª Rampa do Caramulo disputa-se num percurso de 2,85 quilómetros, com partida junto ao Hotel do Caramulo e chegada na zona do Cabeço da Neve, no concelho de Tondela.
A estrada apresenta uma inclinação média de 7,3% e um desnível de 137 metros entre a partida e a meta.
Pode parecer uma distância curta, mas é precisamente aí que está a dificuldade. Os pilotos precisam de combinar aceleração, travagem e precisão numa sucessão de curvas em que uma pequena hesitação pode fazer a diferença entre ganhar ou perder.
Para o público, a experiência é muito diferente da de um autódromo.
Não há bancadas tradicionais ao longo de todo o percurso. O espetáculo acompanha-se junto à estrada, nas zonas onde é permitido permanecer e sempre de acordo com as indicações da organização.
É essa proximidade que torna as rampas especiais: ouvir um motor aproximar-se, vê-lo surgir de uma curva e desaparecer segundos depois, antes de chegar o concorrente seguinte.
Mas há um horário que não deve esquecer: a estrada da competição encerra ao trânsito às 08h30, tanto no sábado como no domingo.
Por isso, o melhor conselho é chegar cedo, prever o tempo necessário para encontrar um local onde deixar o automóvel e deslocar-se até uma zona autorizada para assistir.
E há uma regra fundamental: nunca permanecer em áreas interditas, no exterior das curvas ou em locais que os comissários considerem inseguros.

Quem promete dar espetáculo? Há máquinas para todos os gostos
A lista oficial reúne 51 inscritos, distribuídos por diferentes categorias, e apresenta argumentos para agradar tanto aos fãs das máquinas mais modernas como aos apaixonados pelos clássicos.
Na luta pela vitória absoluta, um dos grandes destaques é Hélder Silva, pentacampeão nacional que regressa ao volante do Norma FC20 M20FC.
Terá pela frente Nuno Caetano, com o Osella PA2000, e Carlos Gonçalves, também num Osella, depois de este último ter conquistado na Rampa da Arrábida o primeiro pódio absoluto da carreira.
Uma das estreias mais interessantes pertence a Diogo Marújo. O jovem piloto, conhecido pela participação nos ralis nacionais, vai experimentar pela primeira vez o Campeonato de Portugal de Montanha, aos comandos de um Osella PA21/S Evo.
E haverá um automóvel que promete chamar a atenção mesmo antes de começar a subir: o Audi RS5 DTM do espanhol José López-Fombona.
Nos GT, os Porsche 911 GT3 Cup também terão protagonismo. Beatriz Correia e Daniel Vilaça chegam ao Caramulo envolvidos na disputa pelo vice-campeonato nacional, numa categoria que conta ainda com José Almeida e o espanhol António Gutiérrez Sánchez.
Mas a diversidade é um dos grandes atrativos desta prova. Entre os carros inscritos encontram-se modelos tão diferentes como o Mitsubishi Lancer Evolution X, o SEAT Leon TCR, vários Ford Escort, o Toyota Starlet e o pequeno Autobianchi A112.
É uma oportunidade para ver, no mesmo percurso, automóveis de competição de diferentes gerações, cada um com o seu comportamento e a sua sonoridade.

Três títulos nacionais ainda estão por decidir
A Rampa do Caramulo é a oitava e última jornada da temporada, mas nem todas as contas estão fechadas.
Nos Turismos, Pedro Alves apresenta-se com o SEAT Leon TCR e a ambição de renovar o título nacional. Entre os adversários inscritos estão Daniel Pacheco, num Mitsubishi Lancer Evolution X, e Aníbal Pinto, com um Renault Clio RS.
Nos Clássicos, Rui Costa chega ao Caramulo depois de quatro vitórias e com a possibilidade de completar uma recuperação impressionante na segunda metade da temporada.
O seu Ford Escort RS1600 terá pela frente outros modelos históricos, incluindo os Ford Escort de Ricardo Pereira, Flávio Sainhas e Ricardo Loureiro, além do Volkswagen Golf 16S de Pedro Silva.
Já nos Legends, João Pires apresenta-se em posição favorável para conquistar o campeonato, ao volante de um BMW E36 M3.
Mas a luta pela vitória na prova promete ser animada, com António Barros, também num BMW E36 M3, e José Carlos Magalhães, aos comandos de um Mitsubishi Lancer Evolution IV.
Mesmo nas categorias onde os campeões já são conhecidos, há motivos para acompanhar as subidas.
É o caso da Montanha 1300, onde Armando Freitas, já campeão nacional, volta a competir com o Toyota Starlet.
Destaque ainda para Eva Laranjeira, conhecida como a “Dama de Aço” da Montanha, que regressa à competição com um Peugeot 205 Rallye.
E, para acrescentar variedade ao espetáculo, Nuno Fazendeiro estará presente com o monolugar Funspeed FS 2019.
Sábado ou domingo: qual é o melhor dia para ir?
Depende da experiência que procura.
O sábado permite acompanhar os primeiros treinos, perceber como os pilotos se adaptam ao percurso e assistir à primeira subida oficial.
É também uma boa oportunidade para observar a evolução dos tempos e descobrir quem está mais confortável na estrada.
O domingo é o dia das decisões.
Depois da última sessão de treinos, realizam-se as duas subidas oficiais que vão determinar os vencedores e fechar as contas dos títulos ainda em aberto.
Mas atenção: a subida oficial de sábado também pode ser decisiva.
O regulamento estabelece que, para a classificação final, contam os tempos das duas melhores subidas oficiais de cada piloto. Isso significa que não basta fazer uma única subida extraordinária. É necessário repetir um bom desempenho.
Quem puder acompanhar os dois dias terá a experiência mais completa. Quem quiser assistir sobretudo ao desfecho da competição deverá privilegiar o domingo.

O que convém levar e que cuidados deve ter?
Uma prova de montanha vive-se de forma diferente de uma corrida num circuito.
O público acompanha a competição ao ar livre, junto ao percurso, e pode ter de caminhar para encontrar um local autorizado com boa visibilidade.
Por isso, convém levar calçado confortável, roupa adequada às condições meteorológicas e água.
Vale também a pena contar com algum tempo de espera entre as diferentes subidas, sobretudo se houver interrupções por motivos desportivos ou de segurança.
Outro conselho importante é evitar chegar à última hora. Com a estrada encerrada às 08h30, a organização dos acessos exige alguma antecipação.
E, por muito tentadora que seja uma fotografia junto a uma curva, a segurança deve estar sempre em primeiro lugar.
Os espectadores devem permanecer exclusivamente nas zonas permitidas, respeitar as barreiras e seguir as instruções dos comissários.
A proximidade aos automóveis é um dos encantos desta modalidade, mas nunca deve ser confundida com liberdade para ocupar qualquer ponto da estrada.
O essencial para guardar antes de sair de casa
A 35.ª Rampa do Caramulo realiza-se nos dias 24 e 25 de outubro, com organização do Caramulo Racing Team e apoio do Município de Tondela.
A partida situa-se junto ao Hotel do Caramulo e a chegada na zona do Cabeço da Neve, num percurso de 2,85 quilómetros.
A estrada encerra ao trânsito às 08h30 nos dois dias e a primeira subida está prevista para as 10h00.
O programa contempla seis subidas, três no sábado e três no domingo, com os momentos decisivos concentrados na tarde de domingo.
As atualizações oficiais, incluindo eventuais alterações ao programa, podem ser consultadas através da aplicação Sportity, com a palavra-passe CARAMULO26.
Escolha então uma zona autorizada, prepare-se para o som dos motores e desfrute. Porque, durante dois dias, o Caramulo volta a mostrar que não é preciso um autódromo para proporcionar um grande espetáculo automóvel.
E, para quem gosta verdadeiramente de motores, dificilmente haverá melhor desculpa para passar o fim de semana na serra.
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