Comprar um automóvel é apenas o primeiro passo de uma despesa que continua a aumentar. Um novo estudo revela que o custo total de ter e utilizar um carro na Europa subiu 32% desde 2020, com aumentos significativos nos combustíveis, seguros, pneus e manutenção. E há uma conclusão interessante sobre os automóveis elétricos.
O estudo do Arval Mobility Observatory, divulgado pelo ‘El Economista’, analisou a evolução do chamado custo total de propriedade (TCO, na sigla inglesa), um indicador que reúne as principais despesas associadas à aquisição e utilização de um automóvel, incluindo financiamento, energia, manutenção, seguros e depreciação.
Os resultados mostram que, entre janeiro de 2020 e junho de 2026, estes encargos aumentaram quase um terço na Europa. Só no segundo trimestre deste ano, o agravamento foi de 3% face ao período homólogo.
Espanha destacou-se entre os mercados analisados, com uma subida anual de 7%, seguida da Suécia e da Alemanha, ambas com 5%, França, com 4%, e Países Baixos, com 3%.
Combustíveis subiram 42%, mas não foram a única despesa a aumentar
O encarecimento dos combustíveis foi um dos principais responsáveis pela evolução dos custos. Desde 2020, os preços aumentaram 42%, refletindo a instabilidade dos mercados energéticos e as consequências das tensões internacionais.
Mas as despesas que surgem ao longo da vida de um automóvel também registaram aumentos expressivos.
Segundo o relatório, os custos de manutenção e reparação cresceram 27%, enquanto os seguros automóveis ficaram 28% mais caros. Os pneus, uma despesa inevitável para qualquer condutor, registaram um agravamento de 25%.
A estes valores juntam-se os encargos financeiros. Entre 2022 e 2026, as taxas de juro aplicadas ao financiamento automóvel aumentaram, em média, 25%, tornando mais dispendiosa a aquisição de veículos através de crédito.
O resultado é uma pressão financeira que não depende exclusivamente dos quilómetros percorridos. Mesmo quem utiliza pouco o automóvel continua sujeito a despesas fixas, como seguros, financiamento e depreciação.
Afinal, os elétricos podem compensar?
Uma das conclusões mais interessantes do estudo está na comparação entre diferentes motorizações.
Apesar de os automóveis totalmente elétricos apresentarem, em geral, preços de aquisição superiores aos modelos equivalentes de combustão, os menores custos energéticos e de manutenção podem compensar parte dessa diferença.
Numa simulação realizada para um SUV do segmento C, considerando um contrato de 45 meses e 105 mil quilómetros, o custo total mensal médio de um automóvel elétrico foi estimado em 1.301 euros.
O valor compara com 1.320 euros para um híbrido convencional, 1.451 euros para um modelo de combustão ou híbrido ligeiro e 1.703 euros para um híbrido plug-in.
Neste cenário, o elétrico apresenta o custo total mais baixo, enquanto o híbrido plug-in surge como a alternativa mais dispendiosa.
Importa, contudo, salientar que estes valores resultam de uma simulação específica, orientada para a análise de custos de utilização e financiamento, e não representam necessariamente a despesa mensal de um condutor particular em Portugal.
O resultado depende de fatores como o preço de aquisição, a quilometragem anual, as condições de financiamento e, no caso dos elétricos, o custo da eletricidade utilizada nos carregamentos.
Empresas podem poupar milhares de euros com a eletrificação
O relatório apresenta ainda uma projeção para 2027, comparando diferentes estratégias de renovação de uma frota empresarial de 500 automóveis, com uma taxa de substituição anual de 25%.
Num cenário em que todos os veículos renovados passam a ser elétricos, o custo total estimado da frota seria de aproximadamente 8,20 milhões de euros.
Em contrapartida, uma estratégia mais limitada, com apenas 40% de elétricos nas renovações e os restantes 60% distribuídos por modelos de combustão e híbridos ligeiros, elevaria os encargos em cerca de 170 mil euros.
A diferença torna-se ainda mais significativa num cenário de forte instabilidade energética, com o petróleo acima dos 120 dólares por barril. Nesse caso, a eletrificação acelerada permitiria uma poupança estimada de quase 217 mil euros.
O preço de compra já não conta a história toda
A principal conclusão do estudo é que avaliar o custo de um automóvel apenas pelo valor apresentado no concessionário pode conduzir a uma perceção incompleta da despesa.
Um veículo mais barato no momento da compra pode revelar-se mais dispendioso ao longo dos anos, dependendo do consumo, das necessidades de manutenção, dos seguros, da depreciação e das condições de financiamento.
Da mesma forma, um automóvel com um preço inicial mais elevado pode compensar parte desse investimento através de custos de utilização inferiores.
Para quem está a pensar trocar de carro, a mensagem é simples: mais importante do que saber quanto custa comprar um automóvel é perceber quanto vai custar mantê-lo durante os anos seguintes.






