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Honda prepara possível regresso às fábricas europeias: e se os próximos modelos saíssem de uma linha da Nissan?

Honda prepara possível regresso às fábricas europeias: e se os próximos modelos saíssem de uma linha da Nissan?
Francisco Laranjeira

Honda pretende evitar que os seus automóveis fiquem em desvantagem face aos modelos produzidos localmente, caso avancem os incentivos e critérios de origem atualmente em discussão

Cinco anos depois de ter encerrado a produção automóvel na Europa, a Honda está a estudar a possibilidade de regressar ao continente. Mas, desta vez, poderá não construir uma fábrica própria: a solução passa por utilizar linhas de montagem de outro fabricante, numa estratégia que poderá envolver a Nissan.

Segundo a ‘L’Automobile Magazine’, a hipótese está a ser ponderada perante as novas exigências de produção europeia associadas à política industrial da União Europeia. A Honda pretende evitar que os seus automóveis fiquem em desvantagem face aos modelos produzidos localmente, caso avancem os incentivos e critérios de origem atualmente em discussão.

Hans de Jaeger, responsável executivo da Honda para a Europa, África e Médio Oriente, explicou que a marca mantém todas as opções em aberto enquanto aguarda a definição das regras europeias.

A fabricante japonesa espera que o Japão possa ser incluído num eventual mecanismo de reconhecimento de parceiros industriais da Europa, tendo em conta os investimentos realizados pelas empresas japonesas no continente.

Caso essa possibilidade não se concretize, a produção local poderá tornar-se uma alternativa.

Uma fábrica nova? Provavelmente não

A Honda conhece bem a produção automóvel europeia.

Até 2021, fabricava automóveis em Swindon, no Reino Unido, e na Turquia. A fábrica britânica chegou a produzir cerca de 150 mil veículos por ano, enquanto a unidade turca tinha uma capacidade anual próxima das 40 mil unidades.

Ambas estavam ligadas à produção do Honda Civic, incluindo a versão de quatro portas fabricada na Turquia.

O cenário atual, porém, é bastante diferente.

Nos primeiros nove meses de 2026, a Honda comercializou aproximadamente 59 mil automóveis na Europa, um volume que dificilmente justificaria o investimento numa nova fábrica exclusivamente dedicada ao mercado europeu.

É por isso que a utilização de instalações já existentes ganha importância.

Em vez de suportar os custos de construção de uma unidade industrial, a Honda poderia negociar com outro fabricante o acesso a linhas de montagem com capacidade disponível.

A solução permitiria reduzir o investimento inicial e ajustar a produção à dimensão do mercado.

E se os próximos Honda europeus fossem fabricados pela Nissan?

A Nissan surge como uma das possibilidades apontadas pela publicação francesa.

As duas marcas japonesas já mantêm uma relação de cooperação tecnológica e anunciaram o desenvolvimento conjunto de sistemas eletrónicos e software para futuros automóveis.

Um eventual acordo industrial poderia representar um novo passo nessa aproximação.

Para a Honda, significaria regressar à produção europeia sem criar uma estrutura industrial de raiz. Para a Nissan, poderia permitir aproveitar capacidade disponível nas suas fábricas.

Contudo, importa distinguir as possibilidades das decisões: não foi anunciada qualquer negociação ou acordo para a produção de automóveis Honda em instalações da Nissan.

Europa pode obrigar a Honda a mudar de estratégia

O debate está relacionado com a futura política industrial europeia e com os critérios de produção local associados à iniciativa Industrial Accelerator Act.

Uma das propostas em discussão prevê mecanismos de valorização dos veículos produzidos na Europa, incluindo requisitos relativos à origem dos componentes.

A publicação francesa refere a possibilidade de exigir uma percentagem de 70% de componentes europeus para determinados benefícios previstos no enquadramento legislativo.

No entanto, as condições definitivas ainda dependem do processo legislativo europeu, pelo que não existe, nesta fase, uma obrigação geral já aprovada que imponha à Honda a produção dos seus automóveis no continente.

A fabricante preferiria uma solução que reconhecesse o Japão como parceiro industrial, evitando a necessidade de reorganizar a sua produção.

Mas, enquanto aguarda uma decisão, começa a avaliar alternativas.

Honda quer recuperar terreno na Europa

O eventual regresso às fábricas europeias insere-se numa estratégia mais ampla para reforçar a presença da marca no continente.

Hans de Jaeger, que assumiu as suas funções em abril, já tinha identificado como prioridades o alargamento da gama de modelos e o desenvolvimento das redes de venda e assistência.

A Honda pretende recuperar visibilidade num mercado onde a sua presença comercial é relativamente reduzida quando comparada com a de outros fabricantes japoneses.

A produção local poderia contribuir para essa recuperação, sobretudo se as futuras regras europeias favorecerem os automóveis fabricados no continente.

Para já, não há fábricas escolhidas, modelos confirmados ou calendário anunciado.

Mas a possibilidade de voltar a ver automóveis Honda sair de uma linha de montagem europeia está novamente em cima da mesa. E, desta vez, essa linha poderá pertencer a outra marca.