O Grupo Renault e a John Cockerill apresentaram o Forefront Concept, um veículo terrestre elétrico não tripulado, desenvolvido para operar em ambientes perigosos ou de difícil acesso. Com tração integral, quatro rodas direcionais e uma carga útil prevista de até uma tonelada, o projeto pretende combinar a tecnologia da indústria automóvel com as necessidades das operações militares e de proteção civil.
Em comunicado, o Grupo Renault explica que a plataforma foi concebida para ser controlada remotamente e, numa fase posterior, poder operar de forma autónoma em terrenos complexos. O objetivo é reduzir a exposição de pessoas ao perigo, sem comprometer a capacidade de transportar equipamentos e executar diferentes tipos de missões.
Dois motores elétricos, quatro rodas direcionais e 400 km de autonomia
O Forefront Concept utiliza dois motores elétricos e dispõe de tração às quatro rodas, bem como de direção nas quatro rodas, uma configuração pensada para facilitar as manobras em espaços reduzidos e melhorar a mobilidade fora de estrada.
A propulsão elétrica permite também uma utilização mais silenciosa, uma característica relevante em determinadas operações de reconhecimento e vigilância.
A autonomia pretendida é de aproximadamente 400 quilómetros, podendo ser aumentada através de um prolongador de autonomia. Trata-se, contudo, de uma meta de desenvolvimento, não de um valor de autonomia já homologado.
A capacidade de carga útil prevista chega a uma tonelada, permitindo adaptar o veículo a diferentes equipamentos e funções.
Entre as utilizações militares consideradas estão o apoio logístico, a recolha de informações, vigilância e reconhecimento, as operações contra drones, o apoio de fogo e a evacuação.
Mas o projeto não foi pensado exclusivamente para as forças armadas. A Renault identifica também aplicações na proteção civil, no transporte de materiais e em intervenções em locais perigosos ou de acesso limitado.
A experiência da Renault encontra a tecnologia militar
O desenvolvimento do Forefront Concept assenta numa divisão de responsabilidades entre as duas empresas.
O Grupo Renault ficou responsável pela conceção da plataforma móvel, recorrendo à experiência acumulada na eletrificação, no desenvolvimento de veículos e na produção industrial em grande escala.
Uma das prioridades passa pela utilização de componentes automóveis já comprovados, procurando reduzir os custos de desenvolvimento e facilitar uma eventual passagem à produção.
A John Cockerill, especializada em soluções de defesa, desenvolveu as funções de operação remota e autonomia, além de contribuir para a integração dos sistemas necessários às diferentes missões.
A arquitetura modular permite adaptar a plataforma às necessidades operacionais, enquanto os sistemas de controlo estão a ser desenvolvidos com o objetivo de permitir uma utilização progressivamente mais autónoma.
Testes com as forças armadas francesas
O conceito foi desenvolvido com contributos das forças armadas francesas e deverá participar em exercícios e ensaios nas próximas semanas.
Estes testes servirão para avaliar o comportamento do veículo em situações operacionais e recolher informações que permitam aperfeiçoar a plataforma.
François Provost, CEO do Grupo Renault, considera que o projeto demonstra como as competências da indústria automóvel podem ser aplicadas a um setor estratégico.
“O Forefront Concept, desenvolvido em colaboração com a John Cockerill, demonstra a contribuição que a experiência industrial e tecnológica do Grupo Renault pode dar a um setor estratégico como o dos veículos terrestres não tripulados”, afirmou.
Jean-Luc Maurange, CEO da John Cockerill, destaca a possibilidade de reduzir a exposição dos militares ao perigo através da utilização de sistemas robóticos terrestres.
Segundo o responsável, a arquitetura modular, aberta e escalável foi concebida para combinar mobilidade, autonomia e comunicações táticas, permitindo adaptar o veículo a diferentes necessidades.
Para já, o Forefront Concept continua a ser um projeto em desenvolvimento. As empresas não anunciaram uma data de produção em série, preço ou encomendas confirmadas.
A proposta mostra, ainda assim, como tecnologias habitualmente associadas aos automóveis elétricos podem encontrar aplicações muito diferentes das estradas convencionais.
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