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Guerra das marcas? BMW usa inteligência artificial para gozar com um Toyota dos anos 90

Guerra das marcas? BMW usa inteligência artificial para gozar com um Toyota dos anos 90
Francisco Laranjeira

Publicação integra a campanha internacional “Made Different. To Feel Different”, lançada a 29 de outubro, com a qual a BMW pretende destacar aquilo que considera distinguir os seus automóveis dos restantes

A BMW decidiu provocar os condutores com uma nova campanha publicitária, mas a escolha do automóvel utilizado para representar os carros “aborrecidos” está a gerar reações inesperadas. A marca alemã publicou a imagem de uma berlina dos anos 90, criada por inteligência artificial, que se assemelha a um Toyota da época. E acompanhou-a de uma única palavra: “BORING”, ou seja, “aborrecido”.

Segundo o ‘Motor1’, a publicação integra a campanha internacional “Made Different. To Feel Different”, lançada a 29 de outubro, com a qual a BMW pretende destacar aquilo que considera distinguir os seus automóveis dos restantes.

A mensagem centra-se no prazer de condução, na engenharia e na experiência proporcionada ao volante, características que a marca procura associar à sua identidade.

Mas foi precisamente a imagem escolhida para transmitir essa diferença que acabou por desviar as atenções.

Um Toyota que afinal não é um Toyota

O automóvel apresentado pela BMW tem faróis retangulares, indicadores de direção de cor âmbar e uma grelha discreta, elementos que recordam várias berlinas japonesas dos anos 90.

O Motor1 identifica semelhanças com a sexta geração do Toyota Carina e com o Corolla E100, dois modelos daquela década.

Há, contudo, um pormenor importante: o carro da campanha não é um Toyota verdadeiro.

Trata-se de uma imagem gerada por inteligência artificial, sem identificação de marca, que reproduz a aparência de um automóvel familiar japonês da época.

Ainda assim, a associação foi suficiente para desencadear comentários nas redes sociais.

Em vez de discutirem o prazer de condução que a BMW pretendia destacar, vários utilizadores questionaram a escolha de um automóvel com aquele aspeto para representar tudo aquilo que a marca considera pouco entusiasmante.

Uma provocação com alguma ironia

A situação torna-se particularmente curiosa quando se considera a relação entre a BMW e a Toyota.

As duas marcas colaboraram no desenvolvimento dos BMW Z4 e Toyota GR Supra, modelos que partilham uma base técnica.

A parceria estende-se também à investigação e ao desenvolvimento de tecnologias relacionadas com células de combustível a hidrogénio.

Ou seja, a BMW escolheu para a sua provocação um automóvel que se parece com um modelo de uma marca com a qual mantém uma relação de colaboração.

Naturalmente, a campanha não identifica diretamente a Toyota como alvo da crítica, mas as semelhanças visuais foram suficientes para alimentar a discussão.

E a BMW também não escapa às críticas

A campanha apresenta ainda outro contraste interessante.

No vídeo promocional, a BMW aproveita para brincar com os interiores dominados por ecrãs, uma tendência cada vez mais presente na indústria automóvel.

O Motor1 assinala a ironia da mensagem, tendo em conta que os próprios modelos da BMW também têm vindo a apostar em soluções digitais e superfícies de visualização cada vez mais abrangentes.

A campanha inclui referências à nova geração do X5, prevista para 2027, o que acentua o contraste entre o automóvel de aspeto antigo criado por inteligência artificial e os modelos mais recentes da marca alemã.

Afinal, um carro tem de ser emocionante?

Por detrás da provocação existe uma questão que divide os apaixonados por automóveis.

Para alguns condutores, o prazer de condução, o comportamento dinâmico e a personalidade de um modelo são características fundamentais.

Para outros, um automóvel deve ser sobretudo confortável, fiável, económico e capaz de cumprir as deslocações diárias sem complicações.

A BMW construiu grande parte da sua identidade em torno da primeira visão e procura agora reforçar essa mensagem com uma campanha deliberadamente provocadora.

A questão é saber se chamar “aborrecido” a um automóvel familiar dos anos 90 constitui a melhor forma de demonstrar essa diferença.

Uma coisa é certa: a publicação conseguiu chamar a atenção.

E talvez esteja aí a maior ironia de toda a história. A BMW queria falar do prazer de conduzir os seus automóveis, mas acabou por colocar um falso Toyota dos anos 90 no centro da conversa.

A inteligência artificial já deu origem a outras histórias curiosas na Automonitor. Num concessionário BMW, a IA chegou a oferecer mais por um usado do que o previsto. E, para recordar uma colaboração entre as duas marcas, o fim do BMW Z4 também marcou a despedida do Toyota GR Supra.