A BMW decidiu provocar os condutores com uma nova campanha publicitária, mas a escolha do automóvel utilizado para representar os carros “aborrecidos” está a gerar reações inesperadas. A marca alemã publicou a imagem de uma berlina dos anos 90, criada por inteligência artificial, que se assemelha a um Toyota da época. E acompanhou-a de uma única palavra: “BORING”, ou seja, “aborrecido”.
Segundo o ‘Motor1’, a publicação integra a campanha internacional “Made Different. To Feel Different”, lançada a 29 de outubro, com a qual a BMW pretende destacar aquilo que considera distinguir os seus automóveis dos restantes.
A mensagem centra-se no prazer de condução, na engenharia e na experiência proporcionada ao volante, características que a marca procura associar à sua identidade.
Mas foi precisamente a imagem escolhida para transmitir essa diferença que acabou por desviar as atenções.
Um Toyota que afinal não é um Toyota
O automóvel apresentado pela BMW tem faróis retangulares, indicadores de direção de cor âmbar e uma grelha discreta, elementos que recordam várias berlinas japonesas dos anos 90.
O Motor1 identifica semelhanças com a sexta geração do Toyota Carina e com o Corolla E100, dois modelos daquela década.
Há, contudo, um pormenor importante: o carro da campanha não é um Toyota verdadeiro.
Trata-se de uma imagem gerada por inteligência artificial, sem identificação de marca, que reproduz a aparência de um automóvel familiar japonês da época.
Ainda assim, a associação foi suficiente para desencadear comentários nas redes sociais.
Em vez de discutirem o prazer de condução que a BMW pretendia destacar, vários utilizadores questionaram a escolha de um automóvel com aquele aspeto para representar tudo aquilo que a marca considera pouco entusiasmante.
Uma provocação com alguma ironia
A situação torna-se particularmente curiosa quando se considera a relação entre a BMW e a Toyota.
As duas marcas colaboraram no desenvolvimento dos BMW Z4 e Toyota GR Supra, modelos que partilham uma base técnica.
A parceria estende-se também à investigação e ao desenvolvimento de tecnologias relacionadas com células de combustível a hidrogénio.
Ou seja, a BMW escolheu para a sua provocação um automóvel que se parece com um modelo de uma marca com a qual mantém uma relação de colaboração.
Naturalmente, a campanha não identifica diretamente a Toyota como alvo da crítica, mas as semelhanças visuais foram suficientes para alimentar a discussão.
E a BMW também não escapa às críticas
A campanha apresenta ainda outro contraste interessante.
No vídeo promocional, a BMW aproveita para brincar com os interiores dominados por ecrãs, uma tendência cada vez mais presente na indústria automóvel.
O Motor1 assinala a ironia da mensagem, tendo em conta que os próprios modelos da BMW também têm vindo a apostar em soluções digitais e superfícies de visualização cada vez mais abrangentes.
A campanha inclui referências à nova geração do X5, prevista para 2027, o que acentua o contraste entre o automóvel de aspeto antigo criado por inteligência artificial e os modelos mais recentes da marca alemã.
Afinal, um carro tem de ser emocionante?
Por detrás da provocação existe uma questão que divide os apaixonados por automóveis.
Para alguns condutores, o prazer de condução, o comportamento dinâmico e a personalidade de um modelo são características fundamentais.
Para outros, um automóvel deve ser sobretudo confortável, fiável, económico e capaz de cumprir as deslocações diárias sem complicações.
A BMW construiu grande parte da sua identidade em torno da primeira visão e procura agora reforçar essa mensagem com uma campanha deliberadamente provocadora.
A questão é saber se chamar “aborrecido” a um automóvel familiar dos anos 90 constitui a melhor forma de demonstrar essa diferença.
Uma coisa é certa: a publicação conseguiu chamar a atenção.
E talvez esteja aí a maior ironia de toda a história. A BMW queria falar do prazer de conduzir os seus automóveis, mas acabou por colocar um falso Toyota dos anos 90 no centro da conversa.
A inteligência artificial já deu origem a outras histórias curiosas na Automonitor. Num concessionário BMW, a IA chegou a oferecer mais por um usado do que o previsto. E, para recordar uma colaboração entre as duas marcas, o fim do BMW Z4 também marcou a despedida do Toyota GR Supra.






