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De limusinas de luxo a carros com cúpulas de vidro: Vaticano revela quase 100 anos de papamóveis

De limusinas de luxo a carros com cúpulas de vidro: Vaticano revela quase 100 anos de papamóveis
Automonitor

Exposição, intitulada “Um século de papamóveis”, abriu esta quinta-feira nos Museus do Vaticano e celebra uma relação com a Mercedes-Benz que começou em 1930

Imagine uma garagem onde os automóveis não pertencem a estrelas de cinema, pilotos ou milionários, mas a alguns dos homens mais conhecidos do mundo. O Vaticano decidiu revisitar quase um século de história dos papamóveis e reuniu oito Mercedes-Benz que mostram como evoluiu o transporte dos Papas, desde as imponentes limusinas dos anos 30 até aos veículos especialmente preparados para os aproximar das multidões.

A exposição, intitulada “Um século de papamóveis”, abriu esta quinta-feira nos Museus do Vaticano e celebra uma relação com a Mercedes-Benz que começou em 1930. Segundo a ‘Road & Track’, os visitantes podem descobrir automóveis que acompanharam diferentes pontificados e perceber como as exigências de conforto, visibilidade e segurança foram transformando estas máquinas.

Tudo começou com uma limusina digna de um chefe de Estado

O exemplar mais antigo é um Mercedes-Benz Nürburg 460 Pullman, entregue ao Papa Pio XI em 1930. Foi o primeiro automóvel utilizado regularmente por um Papa e estava longe de ser discreto.

O interior incluía estofos em seda, acabamentos elaborados em madeira e metal e um teto decorado. Mais do que um simples meio de transporte, era uma verdadeira limusina de representação, concebida para transportar uma das figuras mais importantes da época.

Mas, com o passar das décadas, a missão dos automóveis papais começou a mudar.

Quando os Papas quiseram estar mais perto das pessoas

Em 1960, João XXIII recebeu um Mercedes-Benz 300 d Landaulet com vidros laterais traseiros amovíveis, permitindo maior proximidade com os fiéis.

Cinco anos depois, Paulo VI passou a dispor de um Mercedes-Benz 600 Pullman Landaulet, equipado com um teto traseiro rebatível e uma configuração que facilitava as aparições públicas.

A grande transformação chegaria em 1980, com um Mercedes-Benz 230 G preparado para João Paulo II. O modelo, baseado no Classe G, apresentava uma estrutura traseira elevada e transparente, permitindo que o Papa fosse visto pelas multidões enquanto permanecia protegido das condições meteorológicas.

Foi esta configuração que ajudou a criar a imagem do papamóvel moderno, mais próximo de uma plataforma de contacto com o público do que de uma limusina convencional.

De jipes adaptados a automóveis elétricos

A evolução continuou com um Mercedes-Benz S 500 Landaulet, entregue em 1997, e com versões especialmente modificadas do Classe M, introduzidas em 2002 e 2012.

Os novos modelos procuravam combinar visibilidade, conforto e proteção, acompanhando as necessidades das deslocações papais.

A relação entre a Mercedes-Benz e o Vaticano também entrou na era elétrica. Em 2024, a marca entregou à Santa Sé um papamóvel totalmente elétrico, desenvolvido a partir do Classe G, demonstrando como esta tradição continua a adaptar-se às novas tecnologias.

Uma coleção que pode ser visitada até janeiro

A exposição reúne oito automóveis históricos da Mercedes-Benz, acompanhados por uma reprodução do Benz Patent-Motorwagen de 1886, considerado o primeiro automóvel, e por um Classe S moderno.

Segundo os Museus do Vaticano, a mostra está instalada num pavilhão envidraçado no Giardino Quadrato, nas proximidades do Pavilhão das Carruagens, e pode ser visitada mediante o bilhete de entrada nos museus.

O Vaticano indica que a exposição estará patente até 31 de janeiro de 2027.

Mais do que recordar os automóveis utilizados pelos Papas, esta coleção mostra como uma simples necessidade de transporte acabou por criar alguns dos veículos mais reconhecíveis da história.

Afinal, poucas garagens podem contar quase um século de história com tantos protagonistas.