Há esquecimentos que podem sair caros. E depois há o de Mate Rimac, o homem que dirige a Bugatti e a Rimac, que deixou as chaves dentro de um Bugatti Chiron avaliado em cerca de três milhões de euros. Um desconhecido aproveitou a oportunidade, entrou no hipercarro e arrancou. O que se seguiu parece uma cena de cinema: uma perseguição num Porsche 911, uma viagem por três países e um desfecho surpreendente.
A história, relatada pela ‘Road & Track’, começou nas instalações da Rimac, perto de Zagreb, na Croácia. O empresário tinha o hábito de deixar as chaves dentro dos seus automóveis, incluindo o Chiron e o elétrico Rimac Nevera, por confiar na segurança do local e para facilitar o trabalho dos colaboradores.
Desta vez, porém, alguém decidiu aproveitar a oportunidade.
Um Bugatti desaparecido e uma perseguição de Porsche
O desaparecimento não provocou imediatamente suspeitas. Como vários funcionários utilizam os automóveis da empresa, inicialmente pensou-se que alguém teria levado o Chiron para uma deslocação habitual.
Quando perceberam que nenhum colaborador estava ao volante, o alerta foi dado às autoridades. Entretanto, o automóvel já seguia em direção à Eslovénia.
Graças ao sistema de telemetria do Bugatti, a equipa conseguiu acompanhar a localização, a velocidade e até o nível de combustível do veículo. Mate Rimac decidiu então entrar num Porsche 911 e partir atrás do ladrão, que levava cerca de uma hora de avanço.
O Chiron atravessou a Eslovénia e chegou à Áustria, onde acabou por ser intercetado pela polícia junto a uma estação de serviço, após a colaboração das autoridades dos três países.
O ladrão tinha ido procurar emprego
O episódio tornou-se ainda mais insólito quando Rimac descobriu quem tinha levado o automóvel.
Segundo o empresário, tratava-se de um cidadão croata de 36 anos que se tinha deslocado às instalações da empresa à procura de trabalho. Ao encontrar o Bugatti com as chaves no interior, decidiu levá-lo, aparentemente com a intenção de chegar à Alemanha.
O homem foi detido e o Chiron recuperado, embora com alguns danos.
E a reação do patrão da Bugatti?
Apesar do sucedido, Mate Rimac surpreendeu pela forma como reagiu. Depois de conhecer a situação pessoal do suspeito, afirmou ter ficado sensibilizado e explicou que não pretendia apresentar queixa por iniciativa própria.
Chegou mesmo a admitir que gostaria de o ter levado de volta à família. Isso não significa, contudo, que o homem fique livre de consequências legais, uma vez que o processo poderá avançar independentemente da vontade do proprietário.
No final, Rimac partilhou a aventura nas redes sociais, incluindo imagens de videovigilância do momento do roubo, e deixou uma garantia: não voltará a deixar as chaves dentro dos automóveis.
Uma lição que até o patrão da Bugatti teve de aprender da maneira mais inesperada.






