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Comprar carro a crédito? Estudo revela que muitos europeus têm dificuldade em perceber o que estão a pagar

Comprar carro a crédito? Estudo revela que muitos europeus têm dificuldade em perceber o que estão a pagar
Automonitor

Estudo realizado junto de 5.000 compradores revela diferenças significativas entre países e identifica a falta de transparência nos preços como uma das principais fontes de frustração

O financiamento automóvel é mais frequente em alguns mercados europeus, mas nem sempre os consumidores compreendem as condições que lhes são apresentadas. Um estudo realizado junto de 5.000 compradores revela diferenças significativas entre países e identifica a falta de transparência nos preços como uma das principais fontes de frustração.

Comprar um automóvel a pronto pagamento continua a ser a opção de mais de metade dos inquiridos na Alemanha e no Reino Unido. Já em Espanha e Itália, o recurso ao financiamento é mais frequente, embora os consumidores revelem menor confiança na compreensão das opções de pagamento.

Esta é uma das principais conclusões do relatório “UK vs Europe Car Buying Trends”, apresentado pela Codeweavers, empresa especializada em tecnologia para o retalho automóvel e integrada no grupo Cox Automotive. O estudo abrange compradores do Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Itália, não incluindo Portugal.

Mais crédito, menos confiança nas condições de pagamento

Na Alemanha, 51,8% dos inquiridos pagaram o último automóvel a pronto, percentagem próxima dos 51,5% registados no Reino Unido. Em Espanha, essa opção foi escolhida por apenas 34,2% dos compradores e, em Itália, por 35,5%.

As diferenças tornam-se particularmente relevantes quando se analisa a confiança dos consumidores nas opções de financiamento. Apenas 27,7% dos espanhóis e 25,8% dos italianos dizem sentir-se muito confiantes na compreensão das condições de pagamento, contra 44,2% dos britânicos.

Mais preocupante é o facto de 16,3% dos inquiridos em Espanha e 13,5% em Itália admitirem que o financiamento automóvel lhes parece confuso e que precisam de apoio para escolher a solução mais adequada.

A transparência dos preços também está longe de reunir consenso. Em Espanha, 34,3% dos compradores apontam a falta de clareza sobre o custo total do veículo como motivo de frustração. Outros 26,4% referem custos ocultos ou inesperados e 23,7% criticam diferenças de preços entre os vários canais de venda.

A Internet ajuda a escolher, mas o contrato continua a ser assinado no stand

O estudo mostra que os compradores valorizam cada vez mais a possibilidade de pesquisar automóveis online e continuar o processo no concessionário sem perder informação ou repetir etapas. Em Espanha, 92,7% dos inquiridos manifestam preferência por esta ligação entre o digital e o atendimento presencial.

Entre as ferramentas digitais mais valorizadas destacam-se as calculadoras de prestações mensais, referidas por 50,2% dos compradores britânicos, 48,4% dos italianos, 41,8% dos espanhóis, 37,8% dos franceses e 37,3% dos alemães.

Mas a crescente utilização de ferramentas digitais não significa que os consumidores queiram concluir a compra à distância.

Em França, 71,6% dos inquiridos preferem assinar o contrato presencialmente no concessionário. A mesma preferência é manifestada por 69,6% dos italianos, 59,5% dos espanhóis, 57,2% dos alemães e 55,4% dos britânicos.

Para Paul Humphreys, diretor-geral de Retalho da Cox Automotive na Europa, estes resultados demonstram que as marcas e os concessionários precisam de adaptar os seus processos às características de cada mercado.

“Os resultados revelam que não existe um único percurso de compra automóvel a nível europeu; as estratégias mais eficazes serão aquelas que se adaptarem à confiança dos compradores locais, ao seu comportamento digital e aos aspetos em que os consumidores ainda pretendem o apoio dos concessionários”, afirma.

Embora Portugal não tenha participado no estudo, os resultados colocam em evidência um desafio para o setor automóvel europeu: facilitar o acesso à informação financeira sem dispensar o acompanhamento humano no momento de tomar uma decisão que pode representar um investimento significativo.

Afinal, os consumidores podem estar cada vez mais disponíveis para pesquisar e comparar automóveis através de um ecrã, mas continuam a valorizar a presença de alguém quando chega o momento de assinar o contrato.