Trocar os pneus é uma das operações de manutenção mais comuns de um automóvel. Mas há uma questão que raramente colocamos: porque substituímos um pneu inteiro quando, muitas vezes, apenas a parte que toca no asfalto está desgastada? Investigadores espanhóis desenvolveram uma solução que pode alterar esta realidade.
O projeto chama-se Ecotire e nasceu na Universidade Carlos III de Madrid. Segundo o ‘El País’, trata-se de um pneu modular concebido para permitir a substituição da banda de rodagem, preservando o restante da estrutura.
A ideia é relativamente simples: em vez de comprar um pneu novo sempre que a superfície de contacto com a estrada chega ao fim da sua vida útil, o condutor poderia substituir apenas essa componente.
E a diferença pode ser significativa. De acordo com os investigadores, a parte substituível representa menos de 20% do peso total do pneu.
Como funciona este pneu?
Num pneu convencional, a banda de rodagem está integrada na estrutura através de processos de fabrico que tornam impossível a sua substituição simples e independente.
O Ecotire propõe uma abordagem diferente: uma carcaça reutilizável e uma banda de rodagem amovível, unidas através de um sistema de encaixes mecânicos.
Quando a superfície se desgasta, basta retirar essa componente e instalar outra, mantendo a estrutura original.
A solução poderia reduzir significativamente o consumo de matérias-primas e a quantidade de resíduos produzidos pela substituição de pneus.
Embora já existam processos de recauchutagem, sobretudo utilizados em veículos comerciais, o objetivo dos investigadores é desenvolver um sistema pensado desde o início para permitir substituições modulares.
Os primeiros testes revelaram uma dificuldade
Os investigadores já construíram vários protótipos e realizaram ensaios laboratoriais para avaliar a resistência da ligação entre as duas partes.
Num modelo à escala de 1:3, testaram diferentes pressões, cargas e ângulos de deriva, simulando algumas das forças a que os pneus estão sujeitos durante a circulação.
Com uma pressão de um bar, as duas componentes permaneceram unidas em todas as condições analisadas.
Contudo, quando a pressão desceu para 0,5 bar, foram observadas separações parciais em determinadas situações.
Estes resultados mostram que a ligação mecânica ainda precisa de ser aperfeiçoada. Além disso, os testes foram realizados exclusivamente em laboratório, não existindo ainda ensaios em estrada que comprovem a segurança e a durabilidade do sistema em condições reais.
E se os pneus também ajudassem a evitar acidentes?
O projeto Ecotire não se limita à possibilidade de substituir a banda de rodagem.
Numa segunda fase, os investigadores pretendem integrar sensores capazes de medir as deformações sofridas pelo pneu durante a condução.
Entre as tecnologias estudadas encontram-se acelerómetros, extensómetros e materiais piezoelétricos, que poderão fornecer informações sobre o comportamento de cada roda.
No futuro, esses dados poderão ajudar os sistemas de assistência à condução a identificar situações de risco ou a melhorar a resposta do automóvel.
Por enquanto, tanto o sistema modular como a integração destes sensores permanecem em fase de investigação.
Ainda assim, a proposta levanta uma questão interessante: se a maior parte de um pneu continua em boas condições, será mesmo necessário deitá-lo fora sempre que a banda de rodagem se desgasta?






