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A revista ‘TIME’ distingue uma invenção portuguesa que pode mudar o futuro das motas elétricas

A revista ‘TIME’ distingue uma invenção portuguesa que pode mudar o futuro das motas elétricas
Francisco Laranjeira

Distinção integra a lista anual ‘TIME Best Inventions’, que reúne produtos e soluções considerados especialmente inovadores pelos editores e correspondentes da publicação internacional

Uma tecnologia desenvolvida em Lisboa acaba de conquistar um lugar entre as melhores invenções de 2026, segundo a revista ‘TIME’. Chama-se Pollen, permite trocar a bateria de uma mota elétrica em segundos e já está a funcionar nas ruas da capital portuguesa.

A distinção integra a lista anual ‘TIME Best Inventions’, que reúne produtos e soluções considerados especialmente inovadores pelos editores e correspondentes da publicação internacional.

Mas o mais interessante nesta história é que a invenção portuguesa não está apenas no papel. Em sete meses de atividade, a Pollen já realizou mais de 25 mil trocas de bateria em Lisboa, procurando demonstrar que é possível utilizar uma mota elétrica sem ter de esperar horas pelo carregamento.

Em vez de carregar a bateria, basta trocá-la

A ideia é simples: em vez de ligar a mota a um carregador e esperar que a bateria recupere energia, o condutor dirige-se a uma estação automatizada, entrega a bateria descarregada e recebe outra pronta a utilizar.

Segundo a empresa, todo o processo demora apenas alguns segundos.

A grande diferença relativamente a outros sistemas de troca de baterias está na ambição de criar uma solução universal, compatível com veículos de diferentes marcas e modelos.

Isto significa que, em vez de cada fabricante precisar de desenvolver a sua própria rede de carregamento ou troca de baterias, vários veículos poderiam utilizar as mesmas estações.

É precisamente esta possibilidade de partilha que a Pollen pretende explorar para acelerar a eletrificação das deslocações urbanas.

A compatibilidade, contudo, depende de os veículos estarem preparados para utilizar o sistema da empresa. Não significa que qualquer mota elétrica atualmente à venda possa trocar automaticamente a sua bateria numa estação Pollen.

Uma tecnologia portuguesa que já passou das 25 mil trocas

A Pollen foi fundada em 2024 por Rui Bento e Miguel Morgado e colocou a sua primeira estação em funcionamento em Lisboa, em março deste ano.

Desde então, a empresa contabiliza mais de 25 mil trocas de bateria, um número que apresenta como demonstração da utilização efetiva da tecnologia.

O objetivo é responder a uma dificuldade que continua a limitar a adoção de motos elétricas: a necessidade de carregar as baterias, muitas vezes durante períodos incompatíveis com uma utilização profissional intensiva.

Para quem utiliza uma mota em entregas ou em deslocações frequentes ao longo do dia, reduzir o tempo de paragem pode fazer uma diferença importante.

“Os carros estão a ficar elétricos, mas as motas não, e a Pollen existe para mudar isso”, afirma Rui Bento, CEO da empresa.

O responsável recorda que a primeira estação foi instalada há apenas sete meses e considera a distinção da ‘TIME’ um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipa.

Quem está por detrás da invenção?

A empresa foi criada por dois empreendedores portugueses com experiência em mobilidade e tecnologia.

Rui Bento, CEO da Pollen, esteve envolvido no lançamento da Uber em Portugal e fundou a Kitch, empresa posteriormente adquirida pela Delivery Hero, em 2022.

Miguel Morgado, diretor de tecnologia, esteve ligado à Hunter Boards, onde desenvolveu tecnologia para skates elétricos.

A Pollen já angariou 3,2 milhões de euros em financiamento, incluindo uma ronda de investimento inicial liderada pela Pale Blue Dot e pela Mustard Seed Maze.

Entre os seus investidores encontram-se também a Kfund e investidores individuais ligados a empresas de mobilidade, como a Lime e a Powerdot.

Pode ser uma alternativa ao carregamento tradicional?

A troca de baterias não é uma ideia inteiramente nova, mas a Pollen procura ultrapassar uma das principais dificuldades deste modelo: a falta de compatibilidade entre fabricantes.

Se uma mesma bateria puder servir diferentes veículos, uma rede partilhada de estações poderá tornar-se mais prática e economicamente interessante, sobretudo em grandes cidades.

Ainda assim, o sucesso desta solução dependerá de fatores como a adesão dos fabricantes, a expansão das estações, os custos para os utilizadores e a fiabilidade do sistema.

Para já, a empresa portuguesa tem dois argumentos importantes: uma tecnologia em funcionamento e o reconhecimento de uma das publicações internacionais mais conhecidas.

Num setor em que os automóveis elétricos concentram grande parte das atenções, uma startup de Lisboa quer mostrar que a próxima transformação da mobilidade também pode acontecer sobre duas rodas.