A SEAT pode desaparecer do mercado automóvel nos próximos anos. A possibilidade foi admitida pelo próprio presidente executivo da marca espanhola, Markus Haupt, que reconheceu estar a estudar vários cenários para o futuro da empresa, incluindo o fim da comercialização de automóveis com o emblema SEAT. No entanto, garantiu que ainda não foi tomada qualquer decisão.
Em declarações à publicação britânica ‘Autocar’, durante o Salão Automóvel de Paris, o responsável pela SEAT e pela CUPRA explicou que o destino da marca dependerá, em grande medida, das futuras regras europeias sobre emissões e da velocidade com que os consumidores adotarem os veículos elétricos.
A incerteza surge numa altura em que o Grupo Volkswagen prepara uma profunda reestruturação das suas operações e em que a CUPRA assume um papel cada vez mais importante na estratégia da empresa espanhola.
O fim da SEAT em 2029 está em cima da mesa?
Segundo a Autocar, documentos internos do Grupo Volkswagen apontam para a possibilidade de a SEAT deixar de comercializar automóveis em 2029, num plano de reorganização que poderá reduzir significativamente o número de variantes de modelos do construtor alemão.
Confrontado com esta informação, Markus Haupt não confirmou qualquer calendário, mas também não excluiu o cenário.
“Temos diferentes cenários em cima da mesa e, sim, existe um cenário em que a descontinuação da SEAT pode tornar-se realidade”, admitiu.
O responsável insistiu, contudo, que o futuro da marca não está decidido e que existem alternativas à sua extinção.
As declarações representam uma mudança de tom relativamente a setembro, quando Haupt afirmou, numa entrevista ao jornal espanhol ‘El Periódico’, que o futuro da SEAT estava assegurado e que a empresa mantinha uma estratégia definida, pelo menos, até ao final da década.
Agora, o presidente reconhece que o destino da marca poderá depender de fatores que ainda não estão completamente definidos.
E quem já tem um SEAT? Há uma garantia de 15 anos
Uma das maiores preocupações dos proprietários prende-se com o que poderá acontecer à assistência e à manutenção dos automóveis caso a marca desapareça.
Markus Haupt procurou tranquilizar os clientes, garantindo que a empresa continuará a prestar assistência aos veículos durante 15 anos, mesmo que venha a decidir terminar a atividade comercial da SEAT.
“Mesmo que isso acontecesse um dia, continuaríamos a assegurar 15 anos de assistência aos veículos da marca”, afirmou à Autocar.
O responsável sublinhou que não existe motivo para os proprietários entrarem em pânico, uma vez que nenhuma decisão definitiva foi tomada.
A declaração não esclarece, contudo, todos os pormenores sobre os serviços abrangidos ou a forma como essa assistência seria assegurada nos diferentes mercados.
Porque é que a CUPRA está a ganhar terreno?
O crescimento da CUPRA ajuda a explicar as dúvidas sobre o futuro da SEAT.
Criada como marca independente em 2018, a CUPRA tem vindo a assumir o papel de principal aposta do grupo espanhol na eletrificação, com modelos posicionados num segmento de mercado mais rentável.
A SEAT, pelo contrário, continua concentrada em automóveis mais acessíveis, com motores de combustão e soluções híbridas.
Numa entrevista ao jornal ‘El País’, Haupt já tinha explicado que a aposta nos elétricos estava centrada na CUPRA porque esta consegue atrair clientes dispostos a pagar mais.
No Salão de Paris, o responsável voltou a associar o futuro da SEAT à evolução das regras europeias e afastou, para já, planos para transformar a marca num construtor exclusivamente elétrico.
A questão é particularmente importante porque as exigências de redução de emissões deverão tornar-se mais apertadas a partir de 2030.
Se as regras permitirem continuar a comercializar veículos de combustão durante mais tempo, a SEAT poderá manter um papel relevante no grupo. Caso contrário, a sua posição poderá tornar-se mais difícil de justificar.
Mas a SEAT continua a investir em novos motores
Apesar das dúvidas, a empresa garante que não abandonou a marca.
O SEAT Ibiza continua a ser um dos automóveis mais vendidos em Espanha, enquanto a marca tem conseguido aumentar a sua quota de mercado em alguns países.
Haupt confirmou que o Ibiza e o Arona vão receber motorizações mild-hybrid em 2027, numa tentativa de prolongar a competitividade dos dois modelos.
Está também prevista uma versão híbrida do SEAT Leon em 2028, permitindo à marca oferecer opções eletrificadas em toda a sua gama.
“Continuamos a investir na SEAT porque precisamos desta marca. Faz parte da nossa estratégia”, afirmou o presidente executivo à ‘Autocar’.
A decisão sobre o futuro a longo prazo continua, por isso, em aberto.
Para Markus Haupt, o calendário dependerá sobretudo das regulamentações europeias, do comportamento dos consumidores e do ritmo da transição para a mobilidade elétrica.
A SEAT ainda não tem uma data de despedida. Mas, pela primeira vez, o seu próprio presidente admite claramente que essa despedida é uma das possibilidades que estão a ser estudadas.
O futuro da SEAT já vinha a levantar dúvidas. A Automonitor contou o que poderá desaparecer se a Volkswagen avançar com o fim da histórica marca espanhola e analisou o paradoxo de Martorell, uma fábrica que já produz automóveis elétricos, mas nenhum com o símbolo SEAT. Duas histórias que ajudam a perceber porque é que as novas declarações do presidente têm tanto peso.
O futuro da SEAT está em aberto. Mas a história não acaba aqui! Siga a Automonitor no LinkedIn e no Instagram.






