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“A concorrência é cada vez mais intensa”: Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, explica como a marca está a ganhar terreno

“A concorrência é cada vez mais intensa”: Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, explica como a marca está a ganhar terreno
Francisco Laranjeira

A Polestar cresce 19% em Portugal, apesar da concorrência crescente. Miguel Pinto revela os desafios da marca, o peso das vendas empresariais e a estratégia para conquistar novos clientes sem entrar numa guerra de preços.

Crescer num mercado cada vez mais competitivo é um desafio. Fazê-lo a um ritmo muito superior ao registado pela própria marca a nível mundial torna os resultados ainda mais interessantes. É o que está a acontecer com a Polestar em Portugal, onde as vendas aumentaram 19% nos primeiros nove meses de 2026, enquanto o crescimento global ficou pelos 0,6%.

A diferença não passou despercebida à ‘Automonitor’, que quis perceber o que explica este desempenho e, sobretudo, como pretende a marca continuar a conquistar espaço num setor onde a concorrência se intensifica e os consumidores têm cada vez mais alternativas.

Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, aponta o trabalho desenvolvido no mercado nacional e a aceitação do Polestar 4 como fatores decisivos. Mas reconhece que o caminho está longe de concluído. A notoriedade continua a ser um dos principais obstáculos à expansão da marca, que procura afirmar a sua identidade perante fabricantes com décadas de história.

A entrevista revela também um dado significativo: mais de 70% das vendas da Polestar em Portugal continuam a ser feitas a empresas. Conquistar mais clientes particulares é, por isso, uma das oportunidades de crescimento, num momento em que a marca prepara a chegada de novos modelos.

E há uma linha que Miguel Pinto não pretende ultrapassar: a Polestar quer continuar competitiva, mas não está disposta a abdicar do posicionamento premium para disputar clientes exclusivamente através do preço.

ENTREVISTA AUTOMONITOR

Crescer 19% em Portugal quando o mundo avança apenas 0,6%

Automonitor: A Polestar cresceu 19% em Portugal nos primeiros nove meses de 2026, mas apenas 0,6% a nível mundial. Como explica esta diferença?

Miguel Pinto: No final de 2025, assumimos a ambição de crescer a dois dígitos em Portugal em 2026. O crescimento de 19% nos primeiros nove meses confirma que estamos a cumprir esse objetivo e, sobretudo, que a Polestar está a consolidar a sua presença no mercado português. Portugal é um mercado de dimensão relativamente pequena, mas apresenta uma adoção crescente da mobilidade elétrica e clientes cada vez mais informados e exigentes.

Este desempenho resulta do trabalho consistente da nossa equipa e dos nossos parceiros, bem como da excelente aceitação do Polestar 4, que se tornou um dos pilares do nosso crescimento. A nível internacional, cada mercado tem a sua maturidade, infraestrutura de carregamento e ritmo de eletrificação. Ainda assim, num contexto global exigente e cada vez mais competitivo, a Polestar apresentou um terceiro trimestre sólido e bateu recordes em vários países, demonstrando que existe uma procura real pela nossa proposta.

A pressão da Tesla, das marcas chinesas e dos fabricantes premium

A Tesla continua a pressionar os preços e os fabricantes chineses estão a ganhar espaço na Europa. Até onde está a Polestar disposta a ir para defender o seu posicionamento premium?

O posicionamento da Polestar está claramente definido desde o lançamento da marca e tem sido uma das bases do nosso crescimento. A nossa prioridade é gerar valor para o cliente, e não competir exclusivamente através do preço. Design, tecnologia, performance e uma experiência de utilização diferenciadora continuam a ser fatores decisivos, aos quais se junta um compromisso genuíno com a sustentabilidade, profundamente integrado na identidade da Polestar.

Naturalmente, queremos manter uma oferta competitiva, mas sem comprometer a identidade da marca. A nossa ambição é crescer de forma sustentada, protegendo o posicionamento premium e reforçando a relevância da Polestar junto de clientes que procuram uma alternativa distinta.

Perante um Tesla, um BMW ou um Mercedes elétrico de preço equivalente, em que característica concreta considera que a Polestar é superior?

Se tivesse de destacar uma característica, seria a forma como a Polestar combina design escandinavo, experiência digital e dinâmica de condução. Não se trata apenas de reunir bons atributos, mas de os integrar de forma coerente, intuitiva e centrada no condutor.

É essa combinação, reforçada por um compromisso efetivo com a sustentabilidade, que nos permite oferecer uma alternativa diferenciadora a clientes que valorizam design, tecnologia, performance e uma experiência premium contemporânea. É natural que fabricantes com décadas de presença beneficiem de maior notoriedade histórica. A Polestar está a construir esse reconhecimento de forma consistente e confiante, apoiada num portefólio cada vez mais amplo.

A BMW, a Mercedes e a Audi estão a lançar novas gerações de elétricos. A Polestar está a perder a vantagem de ter nascido exclusivamente elétrica?

Não. Pelo contrário, ter nascido como marca exclusivamente elétrica continua a ser uma vantagem estrutural. Pensamos elétrico desde o primeiro dia, e isso reflete-se no desenvolvimento dos produtos, na tecnologia, na experiência do cliente e nos nossos compromissos ambientais. Enquanto outras marcas tiveram de adaptar estratégias construídas em torno de diferentes motorizações, a Polestar mantém uma direção clara e coerente.

Vemos cada vez mais clientes a identificarem-se não apenas com os nossos automóveis, mas também com a nossa forma de estar. Essa afinidade, aliada ao crescimento consolidado da operação em Portugal e ao alargamento do portefólio, reforça a nossa confiança no caminho que estamos a seguir.

O desafio de conquistar clientes particulares: mais de 70% das vendas são a empresas

Que percentagem das vendas da Polestar corresponde atualmente a clientes particulares? Se os benefícios fiscais fossem reduzidos, a marca conseguiria manter o ritmo de crescimento?

O segmento empresarial continua a ter um peso muito relevante no mercado português de veículos elétricos e a Polestar não é exceção, representando atualmente mais de 70% das nossas vendas. Ao mesmo tempo, temos assistido a um crescimento consistente das vendas a clientes particulares, especialmente após a chegada do Polestar 4, o que demonstra um alargamento progressivo da nossa base de clientes.

Independentemente da evolução dos incentivos, um fator que não controlamos, acreditamos que a tendência de eletrificação é estrutural e irreversível. O nosso papel é continuar a esclarecer dúvidas, combater perceções desatualizadas e disponibilizar produtos atrativos, tecnologicamente avançados e competitivos. A expansão do portefólio será determinante: ainda em 2026, iniciaremos em Portugal as entregas do Polestar 5 e do novo Polestar 4 SUV, reforçando a capacidade de responder a diferentes perfis de cliente.

Polestar 5 e Polestar 4 SUV: os modelos que podem acelerar o crescimento

“A concorrência é cada vez mais intensa”: Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, explica como a marca está a ganhar terreno

O Polestar 5 será sobretudo um automóvel de afirmação ou um produto com verdadeiro peso comercial?

O Polestar 5 tem um papel fundamental na marca. É o nosso halo car e representa, de forma muito clara, aquilo que a Polestar consegue fazer ao nível da performance, do design e da inovação tecnológica. É, por isso, um automóvel de afirmação, mas também um produto com relevância comercial no seu segmento.

Reconhecemos que se insere num segmento mais exclusivo e que o seu sucesso não será medido apenas pelo volume. Terá igualmente a função de elevar a notoriedade e a desejabilidade da marca, atrair novos públicos e reforçar a credibilidade tecnológica da Polestar. As primeiras entregas em Portugal estão previstas ainda para 2026.

Em termos de volume, o maior peso continuará concentrado na gama Polestar 4. O coupé tem vindo a destacar-se e o novo Polestar 4 SUV, apresentado recentemente, já está a gerar um nível de encomendas muito encorajador. Com entregas previstas ainda em 2026, o SUV permitirá ampliar significativamente o nosso alcance num dos segmentos mais relevantes do mercado português.

A aposta nos elétricos mantém-se, mesmo que a transição abrande

Se a transição energética avançar mais lentamente do que o previsto, a estratégia exclusivamente elétrica pode transformar-se numa desvantagem?

Acreditamos que a eletrificação é o futuro da indústria automóvel. O ritmo pode variar entre mercados e regiões, mas a direção é clara. Em Portugal, por exemplo, os veículos 100% elétricos representaram perto de 50% das novas matrículas em setembro, um indicador expressivo da mudança de paradigma que estamos a viver.

A Polestar foi criada com uma missão muito específica e mantém total convicção na mobilidade elétrica. Esta especialização permite concentrar recursos, acelerar a inovação e desenvolver produtos cada vez mais competitivos. O crescimento consolidado em Portugal e a ampliação do portefólio dão-nos maior capacidade para responder à evolução da procura. Neste momento, não vemos razões para alterar a estratégia, mas sim para continuar a executá-la com disciplina e proximidade ao cliente.

“A concorrência é cada vez mais intensa”: o obstáculo que a Polestar ainda enfrenta

Qual é hoje o maior obstáculo à expansão da Polestar em Portugal?

A concorrência é cada vez mais intensa e a notoriedade continua a ser um dos principais desafios. Embora a Polestar tenha registado uma evolução muito positiva nos últimos anos, continuamos numa fase de construção de marca e de consolidação da nossa presença em Portugal.

A boa notícia é que partimos de uma base cada vez mais robusta: temos crescimento consolidado, parceiros empenhados, uma comunidade crescente de clientes e um portefólio em clara expansão. O interesse gerado pelo Polestar 4 SUV e a chegada do Polestar 5, ambos com entregas ainda em 2026, serão importantes para acelerar o conhecimento da marca e reforçar a nossa relevância no mercado.

Tecnologia, preços e a vida útil dos automóveis

Estarão os fabricantes a investir demasiado em tecnologia e demasiado pouco na acessibilidade?

Não acreditamos que exista uma contradição inevitável entre tecnologia e acessibilidade. Muitas das tecnologias introduzidas inicialmente nos segmentos premium tornam-se progressivamente mais acessíveis e acabam por elevar os padrões de toda a indústria.

A Polestar continuará focada no segmento premium, procurando oferecer uma proposta de valor diferenciadora em cada categoria. A expansão do portefólio é essencial nesta estratégia: em 2026, passaremos a contar com o Polestar 5 e com o Polestar 4 SUV nas estradas portuguesas, complementando a nossa oferta atual. A médio prazo, o futuro Polestar 7 permitirá também competir no importante segmento dos SUV compactos.

“A concorrência é cada vez mais intensa”: Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, explica como a marca está a ganhar terreno

Um cliente pode ter a garantia de que continuará a utilizar todas as funcionalidades essenciais do veículo daqui a 15 ou 20 anos?

Os clientes podem confiar que as funcionalidades essenciais do veículo continuarão disponíveis. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que os automóveis modernos dependem cada vez mais de software, conectividade e ecossistemas digitais que evoluem ao longo do tempo.

A responsabilidade dos fabricantes é assegurar níveis adequados de suporte, segurança e atualização, protegendo a funcionalidade e a experiência de utilização ao longo da vida do veículo. Na Polestar, encaramos essa responsabilidade com grande seriedade e procuramos desenvolver automóveis que mantenham valor e relevância ao longo do tempo, tanto do ponto de vista físico como digital.

A Polestar na Automonitor: dos resultados aos novos modelos

A evolução da Polestar no mercado português tem sido acompanhada pela Automonitor. Recentemente, noticiámos o crescimento de 19% das vendas em Portugal e o melhor terceiro trimestre de sempre da marca, números que estiveram na origem desta entrevista.

A expansão da gama também tem merecido destaque, desde a apresentação do novo Polestar 4 SUV, com 544 cv até à chegada do Polestar 5 ao Porto, onde foi possível conhecer o novo GT elétrico e experimentar os Polestar 3 e 4.

O futuro da marca também já passou pelas nossas páginas, com a estratégia Fórmula 2030 e a antecipação de dois novos modelos. E, porque a experiência elétrica não termina no automóvel, acompanhámos igualmente o aumento de 70% dos pontos de carregamento com tarifa reduzida em Portugal.

Para quem quiser recuar às origens da marca, há ainda uma história especial: a do raro Polestar 1, com mais de 600 cv, que marcou presença no AutoClássico Porto.

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