A BRABUS habituou o mundo a pegar em automóveis já pouco discretos e levá-los ainda mais longe. Mercedes-AMG com potências absurdas, Porsche transformados, supercarros com centenas de peças em fibra de carbono e interiores onde praticamente tudo pode ser personalizado.
Agora decidiu aplicar a mesma receita a uma máquina de 33,7 metros.
Chama-se BRABUS AB110, acaba de ser apresentado no Monaco Yacht Show e é o primeiro iate desenvolvido pela marca alemã em parceria com a italiana AB Yachts.
E os números deixam poucas dúvidas de que a mudança da estrada para o mar não tornou a BRABUS mais moderada.
São 7.800 cv, três motores, 11.500 litros de combustível e uma velocidade máxima de 48 nós — cerca de 89 km/h.
E isto é apenas o início.
Três motores para chegar quase aos 90 km/h
Debaixo da carroçaria dos automóveis que transforma, a BRABUS está habituada a procurar mais potência. No AB110, o princípio é semelhante, mas a escala muda completamente.
O iate pode ser equipado com três motores MTU 16V 2000 M96L, cada um capaz de desenvolver 2.600 cv.
Somados, são os tais 7.800 cv.
A potência é transmitida à água através de três sistemas de propulsão por jato, permitindo ao AB110 atingir uma velocidade máxima anunciada de 48 nós, equivalente a aproximadamente 89 km/h.
Mesmo a velocidade de cruzeiro impressiona: 41 nós, ou cerca de 76 km/h.
São números que ganham outra dimensão quando se percebe que não estamos perante uma pequena lancha desportiva.
O AB110 mede 33,7 metros de comprimento e 6,8 metros de largura.
E precisa de 11.500 litros de combustível
Mover tudo isto depressa exige números igualmente grandes quando chega a altura de abastecer.
Os depósitos do AB110 podem receber 11.500 litros de combustível.
Segundo os dados divulgados pela AB Yachts, a autonomia chega às 370 milhas náuticas — aproximadamente 685 quilómetros — à velocidade de cruzeiro.
Mas potência e velocidade contam apenas metade da história.
Porque a BRABUS não se limitou a colocar o nome num iate construído por outra empresa.
Há fibra de carbono. E até um spoiler BRABUS
O AB110 nasceu da colaboração entre a BRABUS e a AB Yachts, marca italiana pertencente ao Next Yacht Group, mas a empresa alemã transportou para o projeto vários elementos do universo dos seus automóveis.
A fibra de carbono surge em vários pontos do exterior e do interior, acompanhada por componentes desenvolvidos especificamente para o modelo.
E há um detalhe particularmente BRABUS: um spoiler no tejadilho com iluminação própria.
O posto de comando também procura fazer a ligação ao mundo automóvel.
O piloto encontra um volante específico da BRABUS e um banco revestido em pele com o padrão característico utilizado pela preparadora.
Os interiores seguem a filosofia “Masterpiece” da empresa alemã, com grande margem de personalização, materiais nobres e acabamentos semelhantes aos utilizados nos seus automóveis mais exclusivos.
Só que, neste caso, existe muito mais espaço para preencher.
Dez convidados e uma “praia” na traseira
O AB110 distribui os espaços por três níveis e pode alojar até dez convidados em quatro cabinas, além de quatro membros da tripulação.
Existem várias zonas exteriores de descanso e refeições e um grande convés superior, que inclui um segundo posto de comando.
Na popa fica uma garagem para equipamentos e brinquedos aquáticos.
Mas o espaço tem um truque: aberto para o mar, transforma-se numa zona de lazer junto à água, criando uma espécie de praia privada na traseira do iate.
É a outra face dos 7.800 cv.
O AB110 foi concebido para andar depressa, mas continua a ser um iate de luxo com mais de 30 metros.
O primeiro BRABUS é apenas o começo
A estreia no Monaco Yacht Show marca também o início de uma estratégia que vai muito além deste modelo.
BRABUS e AB Yachts estão a desenvolver uma família de três iates.
Ao AB110 juntar-se-á o AB95, mais pequeno, e sobretudo o AB150, que terá 150 pés — aproximadamente 45,7 metros — e assumirá o topo da gama.
Este último deverá ser apresentado mundialmente no Monaco Yacht Show de 2027.
A data tem significado especial: nesse ano, a BRABUS celebra 50 anos.
Meio século depois de Bodo Buschmann ter fundado a empresa que se tornaria conhecida por transformar alguns dos automóveis alemães mais potentes do mercado, a BRABUS está assim a experimentar uma nova superfície.
A receita, porém, é imediatamente reconhecível.
Muita potência, muita fibra de carbono, muito luxo e pouca preocupação em passar despercebida. A diferença é que, desta vez, os 7.800 cv não deixam marcas de pneus no asfalto — deixam um rasto no Mediterrâneo.
Também no mar: A BRABUS não é a única marca do universo automóvel a aventurar-se longe do asfalto. A Ferrari está a desenvolver o Hypersail, uma máquina de cerca de 30 metros que não tem motor de combustão e com a qual pretende perseguir recordes no oceano. A Automonitor já contou o que está por detrás do “Ferrari do mar” e porque este projeto pode também ajudar a desenvolver os carros do futuro.






