É um nome que dificilmente terá o reconhecimento de Ferrari, Lamborghini ou McLaren. Mas, em 1990, o MCA Centenaire apareceu no Mónaco com uma receita que ainda hoje impressiona: monocoque em fibra de carbono, motor V12 de um Lamborghini Countach e uma produção tão limitada que apenas cinco exemplares foram construídos.
Agora, o primeiro deles está prestes a mudar de mãos. O raro supercarro será leiloado no próximo dia 9, na Zoute Concours Auction, na Bélgica, com uma estimativa entre 900 mil e 1,2 milhões de euros.
Antes de o McLaren F1 fazer história
O Centenaire nasceu de um projeto lançado em 1985 por Fulvio Maria Ballabio, antigo piloto de Fórmula 2 e CART, com uma ambição pouco modesta: criar um supercarro no Mónaco.
O resultado seria apresentado em 1990. A Broad Arrow, responsável pelo leilão, apresenta-o como o primeiro automóvel de estrada de produção equipado com um monocoque em fibra de carbono — dois anos antes da chegada do McLaren F1, apresentado em 1992 e que viria a tornar esta solução muito mais conhecida entre os supercarros.
Debaixo da carroçaria estava outro argumento difícil de ignorar: um V12 de 5,2 litros proveniente do Lamborghini Countach 5000 QV, com 455 cv, associado a uma caixa manual ZF de seis velocidades.
O plano inicial era muito mais ambicioso. Porém, apenas cinco Centenaire acabariam por ser produzidos entre 1990 e 1992, sendo três deles equipados na configuração original com o V12 da Lamborghini.
E este é o primeiro
O exemplar que vai agora a leilão tem uma importância especial. A documentação que acompanha o automóvel confirma que começou por ser o chassis 001, utilizado no desenvolvimento, testes e apresentações do modelo, antes de receber posteriormente a designação EL0002.
É também o único Centenaire originalmente pintado em Ivory White com interior em pele vermelha, uma combinação escolhida para representar as cores do Mónaco.
A história torna-se ainda mais invulgar depois disso. O automóvel permaneceu durante cerca de uma década nas instalações da Lamborghini, em Sant’Agata Bolognese, antes de passar para as mãos de Ballabio no início dos anos 2000.
Chegou a ser pintado de azul e foi mostrado na Rétromobile em 2007, mas uma restauração realizada já com o atual proprietário devolveu-lhe a configuração branca original. O conta-quilómetros apresenta atualmente apenas 1.560 quilómetros, embora a leiloeira ressalve que o carro terá percorrido mais durante a fase inicial de desenvolvimento.
No próximo dia 9 saber-se-á quanto vale hoje esta página quase esquecida da história dos supercarros. A Broad Arrow espera entre 900 mil e 1,2 milhões de euros por um automóvel que chegou antes do McLaren F1, recebeu o coração de um Countach e do qual praticamente ninguém se lembra.










