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Fórmula 1 a arder? Chamem este Maserati: o Quattroporte que virou carro de bombeiros está à venda

Francisco Laranjeira

A história deste exemplar começou de forma bastante mais convencional. Segundo o Bring a Trailer, o Maserati foi vendido novo em Roma e saiu de fábrica equipado com um motor V8 de 4,1 litros

Um Maserati Quattroporte não é propriamente o primeiro automóvel que vem à cabeça quando é preciso apagar um incêndio. Mas, no início da década de 1970, alguém em Itália teve uma ideia diferente: transformar uma das berlinas de luxo mais rápidas da época num verdadeiro carro de bombeiros para as pistas de Fórmula 1.

Mais de meio século depois, um desses raríssimos Maserati está à venda.

Trata-se de um Quattroporte Series II de 1967, atualmente em leilão na plataforma Bring a Trailer, que durante quase uma década integrou a frota da CEA Squadra Corse, equipa especializada no combate a incêndios nos circuitos italianos.

De berlina de luxo a carro de bombeiros

A história deste exemplar começou de forma bastante mais convencional. Segundo o Bring a Trailer, o Maserati foi vendido novo em Roma e saiu de fábrica equipado com um motor V8 de 4,1 litros.

Tudo mudou em 1970.

Nesse ano, o automóvel foi enviado para a Carrozzeria Grazia, em Bolonha, onde sofreu uma transformação radical para entrar ao serviço da recém-criada CEA Squadra Corse.

A carroçaria original de quatro portas deu lugar a uma configuração de duas portas, enquanto a traseira foi convertida numa espécie de caixa de carga. E é aí que surge o elemento que torna este Maserati praticamente inconfundível: um canhão giratório destinado a lançar espuma contra incêndios.

A transformação não terá sido única. De acordo com a informação que acompanha o leilão, acredita-se que até seis Maserati Quattroporte tenham sido modificados pela Carrozzeria Grazia para desempenhar estas funções.

Quando chegar depressa ao incêndio fazia diferença

A escolha de automóveis rápidos não era apenas uma extravagância italiana. Num acidente em pista, cada segundo podia contar, e a CEA Squadra Corse especializou-se precisamente em veículos capazes de chegar rapidamente ao local de uma ocorrência.

A própria organização recorda que, ao longo das décadas, adaptou alguns automóveis pouco habituais para missões de emergência, entre os quais Maserati Ghibli e Quattroporte, Lancia HPE, Alfa Romeo GTV, Alfa 75 e Alfa 155.

Este Quattroporte permaneceu ao serviço da CEA durante quase uma década, antes de passar por vários proprietários em Itália e França.

E apesar da enorme transformação exterior, debaixo do capot continua a existir um verdadeiro Maserati: um V8 de 4.136 cc, com quatro árvores de cames e quatro carburadores Weber, associado a uma caixa manual ZF de cinco velocidades e com tração traseira.

Mais de 200 mil euros para o recuperar

A segunda vida do peculiar carro de bombeiros começou depois de o atual proprietário o adquirir, em 2011.

Seguiu-se um restauro que demorou seis anos e no qual, segundo o vendedor citado pelo Bring a Trailer, foram investidos mais de 200 mil euros.

A carroçaria foi desmontada, reparada e novamente pintada com a decoração branca e vermelha da CEA. O interior, por sua vez, foi novamente revestido em pele preta, enquanto o motor foi reconstruído. O trabalho passou por oficinas em Itália e na Alemanha.

O resultado mantém uma combinação difícil de encontrar noutro automóvel: acabamentos em madeira, volante clássico, velocímetro graduado até aos 300 km/h e, imediatamente atrás dos ocupantes, equipamento para combater um incêndio.

O Maserati encontra-se atualmente na Suíça e é acompanhado pelo certificado de origem da marca, documentação histórica e um cartão de identidade da Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA).

O leilão termina a 2 de outubro. Até lá, quem quiser levar para casa um pedaço particularmente insólito da história da Fórmula 1 pode licitar.

Só não é garantido que o próximo proprietário tenha autorização para estacioná-lo junto aos bombeiros.

E já que falamos de Fórmula 1…

Se o Maserati dos bombeiros é uma das histórias mais improváveis que já passaram pelos circuitos, a Fórmula 1 atual também não anda propriamente com falta de histórias. A Automonitor acompanha o campeonato com o nosso Divebomb, entre análises, bastidores e tudo aquilo que acontece dentro — e fora — da pista. Sempre à segunda-feira, às 19 horas.