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Desapareceu há mais de 20 anos. Audi ressuscita esta semana um dos seus modelos mais invulgares – agora como elétrico

Automonitor

Novo Audi A2 e-tron será revelado mundialmente esta segunda-feira, numa estreia já inscrita no calendário oficial da marca alemã. O modelo terá uma missão particularmente importante: será a nova porta de entrada para a gama elétrica da Audi e posiciona-se na classe dos compactos

Há nomes que desaparecem do catálogo de uma marca e dificilmente regressam. O Audi A2 parecia destinado a ser um deles. Apresentado no final dos anos 90, construído em alumínio e concebido quase obsessivamente em torno da eficiência, teve uma carreira comercial curta e desapareceu em 2005. Mais de duas décadas depois, a Audi decidiu recuperá-lo — mas desta vez como automóvel totalmente elétrico.

O novo Audi A2 e-tron será revelado mundialmente esta segunda-feira, numa estreia já inscrita no calendário oficial da marca alemã. O modelo terá uma missão particularmente importante: será a nova porta de entrada para a gama elétrica da Audi e posiciona-se na classe dos compactos.

E, apesar de o desenho definitivo continuar por revelar, a Audi já levantou grande parte do véu técnico. Uma das versões terá 140 kW, equivalentes a cerca de 190 cv, bateria LFP de 61 kWh e um consumo provisório de apenas 12,8 kWh/100 km, segundo o ciclo WLTP.

A marca não hesita em classificá-lo como o Audi mais eficiente de sempre.

Um nome que desapareceu em 2005

A escolha de A2 está longe de ser casual.

O primeiro Audi A2 foi apresentado mundialmente no Salão de Frankfurt de 1999 e chegou ao mercado em 2000. Media apenas 3,83 metros, mas oferecia um habitáculo invulgarmente espaçoso e recorria a uma solução muito pouco habitual num automóvel compacto: uma carroçaria integralmente construída em alumínio. A estrutura pesava aproximadamente 153 quilos.

A obsessão pela eficiência chegou ao extremo com o A2 1.2 TDI. Com apenas 855 quilos, um coeficiente aerodinâmico de 0,25 e um motor Diesel de 61 cv, homologava um consumo de 2,99 litros aos 100 quilómetros. Segundo a própria Audi, tornou-se o primeiro automóvel de quatro portas do mundo a atingir a referência dos três litros por 100 km.

O problema é que a tecnologia tinha um preço. O A2 nunca alcançou os volumes que a Audi esperava e a produção terminou em 2005, depois de 176.377 unidades. Hoje tem uma pequena legião de seguidores e a própria Audi reconhece retrospectivamente o carácter pioneiro do modelo.

É precisamente essa ideia que a marca pretende recuperar.

O Audi mais eficiente de sempre?

Se o primeiro A2 procurava poupar combustível através do baixo peso e da aerodinâmica, o novo pretende fazer o mesmo com eletrões.

Na configuração já revelada, o A2 e-tron desenvolve 140 kW e utiliza uma bateria de 61 kWh de química LFP — lítio-ferro-fosfato — em arquitetura cell-to-pack, na qual as células são integradas diretamente na estrutura da bateria.

Segundo a Audi, esta solução permite aproveitar melhor o espaço, oferece elevada estabilidade ao envelhecimento e torna possível carregar regularmente a bateria até 100% sem as mesmas preocupações associadas a outras químicas.

A grande surpresa está, porém, no consumo. Com um pacote opcional de eficiência, a marca anuncia provisoriamente 12,8 kWh por cada 100 quilómetros WLTP.

A Audi ainda não revelou oficialmente a autonomia desta configuração, pelo que convém resistir às contas teóricas feitas apenas com capacidade da bateria e consumo homologado. Esse deverá ser precisamente um dos números importantes apresentados na estreia mundial.

A aerodinâmica volta a mandar

Também aqui existe uma ligação evidente ao A2 original.

O novo modelo atinge um coeficiente aerodinâmico de 0,24, o melhor entre os compactos da Audi. A marca diz que só as alterações aerodinâmicas permitem reduzir o consumo até 0,9 kWh/100 km.

A carroçaria terá uma frente arredondada, linha de tejadilho progressivamente descendente e uma traseira muito definida. Há ainda cortinas de ar, soluções para reduzir a turbulência em redor das rodas e entradas de refrigeração ativas.

Estas permanecem fechadas durante a condução normal para diminuir a resistência ao ar e só abrem quando o automóvel necessita de maior refrigeração — por exemplo durante carregamentos, fortes acelerações ou com temperaturas exteriores elevadas.

Curiosamente, o A2 1.2 TDI de há 25 anos já recorria a ideias semelhantes: entradas de ar parcialmente fechadas, pneus estreitos, revestimentos aerodinâmicos das cavas das rodas e fundo otimizado. O antigo chegava aos 0,25; o elétrico desce para 0,24.

Motor também foi pensado para gastar menos

A Audi não se limitou à carroçaria.

O A2 e-tron utiliza um motor elétrico síncrono de ímanes permanentes e eletrónica de potência com semicondutores de carboneto de silício. Segundo a marca, as alterações introduzidas no motor, eletrónica e transmissão permitem aumentar em até 10% a eficiência do sistema de propulsão.

Até a relação de transmissão foi escolhida para reduzir a rotação do motor a velocidades mais elevadas, diminuindo perdas e consumo.

Não são números particularmente espetaculares para uma ficha técnica, mas dizem bastante sobre o objetivo deste automóvel: a Audi não pretende que o A2 seja apenas o seu elétrico mais barato. Quer que volte a desempenhar o papel do original como laboratório de eficiência.

Pode alimentar uma casa

O novo A2 e-tron terá igualmente carregamento bidirecional.

O sistema Vehicle-to-Load permitirá utilizar a bateria do automóvel para alimentar equipamentos externos, enquanto o Vehicle-to-Home permitirá fornecer energia a uma residência, embora esta última funcionalidade esteja inicialmente prevista apenas para Alemanha, Áustria e Suíça e exija uma wallbox compatível recomendada pela Audi.

A própria eficiência do carregamento foi alvo de trabalho específico: a Audi anuncia 89,6% de eficiência energética no carregamento através de wallbox graças, entre outras medidas, a uma estratégia específica de refrigeração da bateria.

Será a nova porta de entrada na Audi elétrica

A importância comercial do modelo também é clara.

A Audi descreve oficialmente o A2 e-tron como uma nova família elétrica de entrada na classe compacta, destinada a tornar o acesso à mobilidade elétrica premium da marca mais acessível. A produção será feita em Ingolstadt, na Alemanha.

O contexto ajuda a perceber a mudança. A produção do Q2 terminou este ano em Ingolstadt e o A1 aproxima-se igualmente do final da produção em Martorell. Juntos, os dois modelos representavam até agora os degraus mais baixos da gama Audi.

O A2 e-tron não será necessariamente o substituto direto de qualquer um deles em dimensões ou formato, mas passa a assumir uma parte dessa missão: trazer novos clientes para a marca.

O preço continua por anunciar.

Segunda-feira acaba o mistério

Apesar de a Audi já ter mostrado protótipos camuflados e divulgado boa parte da tecnologia, ainda faltam várias respostas importantes: o design final, dimensões, capacidade da bagageira, gama completa de motores e baterias, autonomia WLTP, velocidades de carregamento rápido, prestações, preços e datas de chegada aos concessionários.

Será isso que deverá começar a ficar esclarecido na estreia mundial desta segunda-feira.

Vinte e sete anos depois da apresentação do primeiro A2 e 21 anos depois de o último ter saído de produção, a Audi recupera assim um nome que ficou associado a uma ideia muito específica: fazer mais com menos.

Na primeira tentativa, talvez o mercado ainda não estivesse preparado para ele. Desta vez, num setor em que autonomia, consumo e eficiência passaram para o centro da batalha elétrica, o A2 pode estar a regressar precisamente na altura certa.