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Um nome histórico está de volta. E escolheu brutais 960 cv para anunciar o regresso

Automonitor

A Jensen está de volta – e não escolheu propriamente a discrição para anunciar o regresso. A histórica marca britânica revelou o novo Interceptor GTX, uma máquina de circuito com 960 cv que antecipa a próxima geração de modelos de estrada e cujo V8 tem capacidade para chegar aos 1.200 cv

Um nome que ajudou a escrever a história dos grandes GT britânicos está a preparar o regresso às estradas. E decidiu anunciar que está vivo da forma menos discreta possível.

A Jensen revelou o novo Interceptor GTX, uma máquina criada para circuito com um V8 sobrealimentado de 6,8 litros, 960 cv e tração traseira. É o primeiro grande cartão de visita de uma nova era para a marca britânica e, mais importante, uma antevisão bastante concreta dos novos Interceptor que deverão chegar às estradas.

Porque este não é apenas um exercício destinado a recordar o passado. Cerca de 80% do desenho exterior do GTX deverá ser aproveitado nos futuros modelos de estrada e já estão previstas duas versões: um GTR, mais focado nas prestações, e um GT, orientado para o luxo e para a tradição de grand tourer que tornou a Jensen conhecida.

E há outro número que ajuda a perceber a dimensão deste regresso: os 960 cv são apenas o ponto de partida. O motor foi preparado para conseguir chegar aos 1.200 cv.

Mas afinal, quem é a Jensen?

Para muitos condutores mais novos, Jensen poderá ser um nome praticamente desconhecido. Mas houve uma época em que ocupava um lugar muito particular entre os fabricantes britânicos.

A história da empresa remonta aos anos 30 e ficou sobretudo marcada pelo Interceptor, apresentado em 1966: um grande GT britânico que combinava desenho europeu, luxo e enormes motores V8 dos EUA.

O Interceptor tornou-se o automóvel mais reconhecível da marca e teve ainda uma versão particularmente avançada para a época, o FF, pioneiro na utilização de tração integral e travões antibloqueio num automóvel de produção.

A Jensen acabaria, contudo, por entrar em dificuldades financeiras e cessou a produção em 1976. O nome teve várias tentativas de recuperação nas décadas seguintes, sem conseguir regressar de forma sustentada como fabricante.

É esse passado que a Jensen International Automotive quer agora recuperar.

E, em vez de começar por um confortável GT de estrada, decidiu mostrar primeiro aquilo que consegue fazer quando praticamente não existem compromissos.

960 cv para as rodas traseiras

Debaixo do enorme capot do Interceptor GTX está um V8 de 6,8 litros sobrealimentado baseado numa unidade da General Motors.

Mas resta relativamente pouco do motor original.

A unidade foi enviada para a Late Model Engines, no Texas, onde recebeu uma transformação profunda. Segundo a Jensen, menos de 20% dos componentes originais foram conservados.

Há cabeças trabalhadas por CNC, válvulas de titânio, componentes internos totalmente forjados e material proveniente do mundo da competição, com toda a gestão eletrónica entregue à MoTeC.

O resultado são 960 cv na configuração apresentada.

E ainda existe margem.

A preparação permite ao V8 atingir até 1.200 cv e mais de 1.490 Nm de binário.

Tudo isto num automóvel de tração traseira.

Fibra de carbono e uma caixa de competição

Colocar semelhante potência no chão obrigou a Jensen a ir bastante além de simplesmente instalar um enorme motor.

Um veio de transmissão em fibra de carbono liga o V8 a uma caixa sequencial Samsonas Motorsport de seis velocidades instalada na traseira, numa configuração transaxle que ajuda a distribuir melhor as massas.

Depois entra em ação um diferencial Wavetrac, responsável por transmitir toda a força às rodas posteriores.

A suspensão é independente, com triângulos sobrepostos nos dois eixos e amortecedores Nitron ajustáveis em três vias.

Para travar, há um sistema AP Racing com discos de aço flutuantes, escondidos atrás de rodas forjadas de 20 polegadas equipadas com pneus Michelin Pilot Sport.

Ou seja: apesar da silhueta que presta homenagem a um GT dos anos 60, por baixo da carroçaria existe uma verdadeira máquina de circuito contemporânea.

Parece um Interceptor. Mas não é um clássico reconstruído

É talvez o detalhe mais importante deste projeto. A Jensen International Automotive tornou-se conhecida por restaurar e modernizar exemplares antigos do Interceptor, mas este GTX não começou a vida há várias décadas. É um automóvel novo.

O chassis de alumínio foi desenvolvido em colaboração com a Avant Design e a carroçaria procura reinterpretar as proporções que fizeram do Interceptor um automóvel imediatamente reconhecível. O longo capot continua lá. Tal como o habitáculo recuado e uma traseira que recupera elementos do modelo histórico. Mas não se trata de fazer uma réplica de 1966 com mecânica moderna. A intenção é imaginar aquilo em que o Interceptor se poderia ter transformado se tivesse continuado a evoluir até hoje.

Aquela enorme asa não está lá apenas para impressionar

O GTX foi concebido para circuito e a aerodinâmica não deixa muitas dúvidas.

Na dianteira surge um grande splitter, há um fundo plano para controlar o fluxo de ar sob o automóvel e a traseira recebe um difusor integrado.

Depois há a enorme asa.

É regulável e, segundo a Jensen, consegue produzir sozinha até 350 kg de carga aerodinâmica.

O interior segue a mesma lógica.

Há gaiola de segurança de especificação FIA, bancos Tillett em fibra de carbono, cintos de seis pontos, sistema de extinção de incêndios e instrumentação digital MoTeC.

Ainda assim, Alcantara e outros detalhes de acabamento procuram impedir que o GTX se transforme simplesmente num carro de corrida com matrícula impossível.

Até porque aquilo que verdadeiramente interessa à Jensen vem a seguir.

80% deste desenho deverá chegar às estradas

O GTX funciona como laboratório, mas também como antevisão. A Jensen indica que cerca de 80% do desenho exterior deverá sobreviver na passagem para os futuros carros de estrada.

E já sabemos que serão pelo menos dois.

O Interceptor GTR ficará mais próximo desta filosofia, assumindo-se como a versão de altas prestações homologada para circular na via pública.

O Interceptor GT deverá ser a alternativa mais luxuosa e confortável, recuperando de forma mais direta a filosofia grand tourer do modelo histórico.

As caixas também serão diferentes. Em vez da radical transmissão sequencial do GTX, estão previstas soluções mais adequadas à estrada, incluindo uma caixa manual tradicional com grelha em H e uma transmissão automática.

David Duerden, diretor-geral da Jensen International Automotive, deixa clara a importância deste primeiro automóvel para o projeto.

“Embora seja apenas um primeiro passo, o GTX indica claramente a direção que estamos a tomar e marca o início de uma nova era entusiasmante para a marca.”

Quando chega o novo Jensen às estradas?

É a grande pergunta que continua sem resposta.

A Jensen ainda não anunciou uma data definitiva para o início da produção dos novos Interceptor GTR e GT, nem revelou preços, volumes anuais ou todas as especificações dos modelos de estrada.

O GTX apresentado entrará agora numa fase de testes e desenvolvimento, permitindo à empresa afinar soluções que posteriormente poderão ser transferidas para os automóveis destinados aos clientes.

E o próprio GTX poderá não permanecer sozinho. A empresa admite construir exemplares adicionais por encomenda para clientes interessados, embora este seja um projeto de produção extremamente limitada.

Ainda há, portanto, caminho a percorrer até vermos novamente um Jensen novo numa estrada.

Mas talvez seja precisamente por isso que a marca escolheu começar pelo extremo.

Depois de décadas em que o nome Jensen sobreviveu sobretudo graças aos Interceptor clássicos, a empresa precisava de demonstrar que o regresso não se resume a recuperar um emblema histórico.

Escolheu fazê-lo com um chassis novo, tração traseira e um V8 de 960 cv.

E, caso alguém ainda não tivesse reparado que a Jensen está de volta, há sempre a possibilidade de aumentar a potência para 1.200.