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Sabia que os airbags podem disparar a 30 km/h? Nem sempre a velocidade decide

Automonitor

A ideia de que os airbags “disparam” sempre acima de uma determinada velocidade é enganadora.

Os airbags são um dos principais sistemas de segurança dos automóveis, mas há uma ideia bastante comum entre os condutores que não corresponde ao seu funcionamento real: não existe uma velocidade única a partir da qual as bolsas de ar são automaticamente acionadas.

Segundo o elEconomista, o fator decisivo não é apenas a velocidade a que o veículo circula, mas sobretudo a intensidade da desaceleração provocada pelo impacto e a forma como esse choque acontece.

O airbag funciona em conjunto com outros sistemas de retenção, nomeadamente o cinto de segurança. Trata-se, por isso, de um sistema suplementar de proteção e não de um dispositivo pensado para atuar isoladamente.

Um choque a 28 km/h pode ser suficiente

A NHTSA, autoridade dos Estados Unidos para a segurança rodoviária, estabelece como referência que os airbags frontais podem ser acionados num embate contra uma parede rígida a cerca de 27 ou 28 km/h.

A explicação está no tipo de impacto. Uma parede praticamente não absorve energia, pelo que a desaceleração sofrida pelo automóvel pode ser muito intensa mesmo a uma velocidade relativamente baixa.

Se o embate acontecer contra outro automóvel, o resultado pode ser diferente. A deformação do segundo veículo ajuda a absorver parte da energia do choque e, à mesma velocidade, os airbags poderão não ser acionados.

Numa situação desse género, segundo o elEconomista, poderá ser necessária uma velocidade próxima dos 50 km/h para produzir uma desaceleração suficientemente forte.

É a desaceleração que decide

O funcionamento dos airbags depende, portanto, da violência com que a velocidade do automóvel é reduzida num espaço de tempo muito curto.

É também por isso que uma travagem muito forte a 120 km/h não provoca automaticamente a abertura das bolsas de ar. Embora o condutor sinta uma desaceleração significativa, esta continua longe das forças registadas durante determinados acidentes.

Os sistemas do veículo avaliam estas alterações muito rápidas de velocidade, medidas através das forças G, para determinar se é necessário acionar os airbags.

Porque podem abrir num acidente que parece pequeno?

Há acidentes em que os danos visíveis no exterior parecem relativamente reduzidos, mas os airbags são acionados.

Isso acontece porque a aparência final do automóvel não revela necessariamente a intensidade da desaceleração sentida no instante do embate.

Um veículo pode ficar aparentemente pouco danificado, com apenas o para-choques ou o capô deslocados, e ainda assim ter sofrido uma desaceleração suficientemente forte para justificar a abertura dos airbags.

É precisamente por essa razão que não é possível olhar apenas para os estragos ou para a velocidade indicada antes do acidente e concluir se as bolsas de ar deveriam ou não ter sido acionadas.

Não existe um número mágico

A ideia de que os airbags “disparam” sempre acima de uma determinada velocidade é, por isso, enganadora.

Um embate contra uma superfície rígida a menos de 30 km/h pode provocar a sua abertura, enquanto outro acidente a uma velocidade superior pode não atingir o nível de desaceleração necessário.

Tudo depende da velocidade, do tipo de obstáculo, da capacidade de deformação dos veículos envolvidos e, sobretudo, da força da desaceleração produzida no momento do impacto.