Para milhares de portugueses, este é o fim de semana de fazer malas, carregar o carro e partir para férias. Para muitos outros, é precisamente o contrário: chegou a hora de regressar a casa. A mudança de quinzena de agosto deverá traduzir-se num aumento das deslocações nas estradas portuguesas, num período que as próprias autoridades associam a um maior risco de acidentes.
É precisamente por se tratar de uma “transição de férias” que as forças de segurança vão reforçar a fiscalização rodoviária em todo o país. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou “muitas operações” durante o fim de semana, com particular atenção aos locais considerados mais problemáticos. Desta vez, porém, os condutores não deverão contar com indicações antecipadas sobre onde estarão os controlos.
Fiscalização será reforçada — e imprevisível
A estratégia das autoridades passa precisamente pelo efeito surpresa. “Irão ocorrer muitas operações, com foco na imprevisibilidade e no facto de quem atua no terreno não estar sinalizado”, anunciou Luís Neves. Os controlos terão lugar em todo o território, com “particular incidência” nos pontos críticos identificados pela GNR e PSP. Excesso de velocidade, condução sob influência do álcool e utilização do telemóvel ao volante estão entre os comportamentos de risco que as autoridades querem combater.
O reforço acontece num ano em que os indicadores da sinistralidade estão a preocupar as autoridades. Entre janeiro e junho, 225 pessoas morreram nas estradas portuguesas, mais 23 do que no mesmo período de 2025, um aumento de 11,4%. Houve ainda 1.371 feridos graves. Dados mais recentes do Observatório de Segurança Rodoviária mostram que, até 11 de agosto, tinham ocorrido 93.012 acidentes, dos quais resultaram 302 mortos e 1.756 feridos graves.
Atenção não deve ficar apenas nas autoestradas
Com milhares de viagens associadas às férias, as autoestradas serão naturalmente algumas das vias com maior movimento, mas os dados mostram que o risco não se limita às grandes ligações. No primeiro semestre, as estradas nacionais concentraram 28% das mortes, apesar de representarem 18,4% dos acidentes com vítimas. Nas autoestradas ocorreram 6,3% dos acidentes e 11,1% das mortes.
Há ainda uma preocupação particular com os atropelamentos. Nos primeiros seis meses do ano morreram 31 pessoas neste tipo de acidente, contra 14 no período homólogo de 2025. É uma subida de 121,4% que levou o Governo a anunciar um plano extraordinário de fiscalização em zonas urbanas, incluindo intervenções em passadeiras e locais identificados como mais perigosos.
Pressa para chegar às férias pode esperar
Num fim de semana de mudança de quinzena, os cuidados começam antes de ligar o motor. Verificar pneus, níveis, iluminação e combustível, planear o percurso e evitar as horas de maior movimento pode reduzir imprevistos. Em viagens longas, as pausas são essenciais e qualquer sinal de fadiga deve ser encarado como motivo para parar. O telemóvel deve permanecer fora das mãos enquanto se conduz e a velocidade deve ser adaptada não apenas aos limites legais, mas também ao trânsito e às condições da estrada.
Para quem começa agora as férias, chegar alguns minutos mais tarde dificilmente fará diferença nos dias de descanso que tem pela frente. Para quem regressa, o mesmo princípio aplica-se. E este fim de semana há mais uma razão para não arriscar: as autoridades avisam que a fiscalização poderá surgir em qualquer lugar e a qualquer momento. “As pessoas têm de se habituar a que as regras são para cumprir”, resumiu o ministro da Administração Interna.






