Quando se compra um automóvel novo, a atenção costuma centrar-se no preço, nos consumos, na autonomia ou nos custos de manutenção. Mas há outro fator que pode ter um peso enorme na carteira: o valor que o carro conseguirá manter ao longo dos anos.
E, nesse capítulo, os automóveis elétricos parecem estar a perder claramente para os modelos com motor de combustão.
Segundo uma análise da plataforma Autoscout24, divulgada pelo ‘El Economista’, um carro elétrico perde, em média, 50% do seu valor apenas três anos após a compra. Em comparação, os automóveis a gasolina e os híbridos ligeiros registam uma desvalorização média de 34,7% no mesmo período.
O dado torna-se ainda mais surpreendente quando se olha para a quilometragem. Em média, os elétricos analisados tinham percorrido 45 mil quilómetros, enquanto os modelos com motor de combustão somavam cerca de 55 mil quilómetros.
Ou seja, apesar de terem sido menos utilizados, os elétricos continuam a perder valor muito mais rapidamente no mercado de usados. Segundo a análise, esta diferença mantém-se até quando são comparados modelos equivalentes da mesma marca.
As razões são várias. A rápida evolução tecnológica faz com que novos modelos cheguem ao mercado com autonomias superiores, tempos de carregamento mais reduzidos e baterias mais eficientes, tornando as gerações anteriores menos apelativas para quem compra em segunda mão.
A isto junta-se a incerteza de muitos consumidores relativamente ao estado de saúde da bateria e ao seu custo de substituição, um dos fatores que continua a influenciar o preço dos elétricos usados.
Se os elétricos lideram a desvalorização, os automóveis a diesel também estão a perder terreno. O estudo conclui que estes modelos sofrem uma depreciação cada vez maior, em grande parte devido às restrições ambientais e às limitações de circulação impostas em muitas cidades europeias.
Em sentido contrário, há uma surpresa: os automóveis a GPL. Apesar de representarem uma pequena fatia do mercado, são os que melhor conseguem preservar o seu valor ao longo do tempo, registando uma das menores taxas de desvalorização.
Os resultados mostram que, para quem compra um carro novo, a escolha do motor já não influencia apenas os consumos ou os custos de utilização. Também pode determinar quanto dinheiro será possível recuperar no dia em que chegar a altura de vender o automóvel.
Num mercado em rápida transformação, marcado pela eletrificação e por novas exigências ambientais, a depreciação está a tornar-se um dos argumentos mais importantes — e, para muitos compradores, um dos mais caros.






