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Há quem deixe de trabalhar por medo de conduzir. Esta terapia usa uma PlayStation para os ajudar a recuperar a vida

Automonitor

As férias de verão significam, para muitos condutores, as viagens mais longas do ano. Mas há quem evite pegar no volante sempre que pode

As férias de verão significam, para muitos condutores, as viagens mais longas do ano. Mas há quem evite pegar no volante sempre que pode. O motivo chama-se amaxofobia, um medo intenso de conduzir que pode limitar profundamente a vida pessoal e profissional. Segundo o ‘El Economista’, quase três em cada dez condutores em Espanha admitem sentir insegurança ao volante e 6% afirmam sofrer de um bloqueio tão intenso que simplesmente não conseguem conduzir.

A amaxofobia pode ter várias origens. Em alguns casos surge após um acidente, noutros está associada a crises de ansiedade ou a uma pressão excessiva para conduzir sem cometer erros. O resultado é que muitas pessoas acabam por recusar empregos, cancelar viagens ou depender constantemente de familiares e amigos para se deslocarem.

Apesar do impacto que esta fobia pode ter no dia a dia, menos de 30% das pessoas afetadas procuram ajuda especializada. O ‘El Economista’ refere ainda que os homens tendem a esconder mais este problema, devido aos estereótipos associados à condução e à ideia de que admitir medo ao volante pode ser visto como um sinal de fraqueza.

Para ajudar a ultrapassar este bloqueio, a Europcar desenvolveu, em parceria com especialistas, um programa de terapia que recorre à tecnologia e… a um videojogo.

A primeira fase decorre em casa, onde os participantes voltam a familiarizar-se com a condução através do videojogo Gran Turismo 7. Utilizando o comando DualSense da PlayStation, os utilizadores são expostos, de forma gradual, às sensações visuais e táteis da condução, mas num ambiente totalmente seguro e sem qualquer risco.

Quando essa etapa é ultrapassada, segue-se uma segunda fase em simuladores profissionais de condução. Estes equipamentos conseguem reproduzir com grande realismo o comportamento do automóvel, as condições da estrada e até o stress que o condutor poderá sentir em situações reais.

Só depois de ganhar confiança nestes dois ambientes é que chega o momento de voltar à estrada. A última etapa consiste em conduzir um automóvel em vias públicas, sempre acompanhado por profissionais especializados.

Segundo Cristina Rojas, instrutora de condução e especialista no tratamento da amaxofobia, o segredo está em compreender a origem do medo e aprender a controlá-lo através de técnicas de regulação emocional, em vez de tentar simplesmente ignorá-lo.

Os resultados apresentados são animadores. De acordo com os dados citados pelo ‘El Economista’, entre 70% e 90% das pessoas que completam este tipo de terapia conseguem voltar a conduzir normalmente, recuperando a autonomia e deixando para trás um medo que, durante anos, condicionou a sua vida.