A Polícia de Segurança Pública (PSP) alerta para uma nova variante da burla do falso acidente que, segundo a força de segurança, já permitiu aos burlões desviar mais de 200 mil euros em apenas 50 ocorrências analisadas.
Em comunicado, a PSP explica que, embora o número de denúncias tenha diminuído no primeiro semestre deste ano, o esquema evoluiu e pode provocar prejuízos muito superiores aos da versão tradicional da fraude.
Segundo a PSP, entre janeiro e junho de 2026 foram registadas 140 denúncias de burla por falso acidente, menos 24,3% do que as 185 participações registadas no mesmo período de 2025.
Em comunicado, a polícia considera que esta redução representa uma inversão da tendência de crescimento registada nos últimos anos, depois de as denúncias terem aumentado 78% em 2025 face ao ano anterior.
A PSP atribui esta evolução ao reforço das campanhas de sensibilização e à maior atenção dos cidadãos, sobretudo da população idosa, que continua a ser o principal alvo deste tipo de crime.
Como funciona a burla
Segundo a PSP, os suspeitos abordam habitualmente as vítimas em parques de estacionamento de superfícies comerciais, alegando um embate na viatura ou um atropelamento.
Depois, exigem o pagamento imediato de uma indemnização em dinheiro, recorrendo à pressão psicológica, intimidação ou manipulação, tentando evitar que a vítima contacte a polícia ou acione o seguro.
Para tornar a fraude mais credível, chegam a simular dores físicas, danos no veículo ou telefonemas para falsas oficinas e seguradoras que confirmariam o alegado valor da reparação.
A nova variante preocupa a PSP
Em comunicado, a PSP revela que os burlões estão agora a recorrer a um método mais sofisticado.
Depois de convencerem a vítima a introduzir o código PIN num terminal de pagamento portátil, alegando tratar-se do pagamento da indemnização, trocam discretamente o cartão bancário por outro semelhante, pertencente a uma vítima anterior.
De seguida, utilizam o cartão verdadeiro em caixas multibanco para levantar quantias elevadas antes de o titular conseguir bloquear a conta.
Segundo a PSP, esta variante já permitiu subtrair mais de 200 mil euros nas primeiras 50 ocorrências analisadas pelo Departamento de Investigação Criminal.
Como se pode proteger
A PSP aconselha os cidadãos a nunca efetuarem qualquer pagamento por um acidente que sabem não ter provocado e a desconfiarem de quem insiste em receber dinheiro no momento, recusando contactar as autoridades ou recorrer ao seguro.
A polícia recomenda ainda que nunca sejam entregues cartões bancários a desconhecidos nem seja introduzido o código PIN em terminais ou equipamentos apresentados fora de estabelecimentos comerciais legítimos.
Caso o cartão tenha sido entregue, a PSP aconselha a confirmar imediatamente se o cartão devolvido é efetivamente o seu.
Sempre que exista suspeita de burla, a força de segurança recomenda contactar de imediato a PSP, evitar qualquer pagamento sem antes falar com um familiar ou pessoa de confiança e, sempre que possível, recolher informação sobre os suspeitos e a viatura utilizada.
A PSP apela ainda à denúncia de todas as situações, sublinhando que quanto mais rapidamente os factos forem comunicados às autoridades, maiores são as possibilidades de identificar os autores destes crimes.






