Encher o depósito do automóvel tornou-se significativamente mais caro no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, um abastecimento de 60 litros de gasóleo passou a custar, em média, mais 14,7 euros, enquanto um depósito idêntico de gasolina ficou 12,42 euros mais caro, de acordo com a mais recente análise da EPCOL – Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes.
A associação explica que a subida dos preços foi impulsionada pela valorização do petróleo e dos combustíveis refinados nos mercados internacionais, numa altura marcada pela instabilidade provocada pelo conflito no Irão. Apesar dos sucessivos alívios no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) aplicados pelo Governo, os aumentos acabaram por chegar às bombas de combustível.
Gasolina e gasóleo aproximaram-se dos dois euros por litro
Segundo a EPCOL, o preço médio da gasolina simples 95 atingiu os 1,939 euros por litro, enquanto o gasóleo rodoviário chegou aos 1,940 euros, ambos muito próximos da barreira psicológica dos dois euros. Face ao trimestre anterior, a gasolina encareceu 20,7 cêntimos por litro e o gasóleo 24,5 cêntimos, justificando o forte agravamento sentido pelos automobilistas em cada abastecimento.
Petróleo mais caro anulou parte do efeito do alívio fiscal
A EPCOL refere que a escalada dos preços internacionais teria tido um impacto ainda maior sem as reduções temporárias do ISP decididas pelo Governo. Durante o segundo trimestre, o imposto baixou 3,7 cêntimos por litro na gasolina e 3,9 cêntimos no gasóleo, numa tentativa de compensar parte do aumento da receita de IVA resultante da subida dos combustíveis.
Portugal continua acima de Espanha
A comparação com Espanha continua a favorecer os automobilistas do país vizinho. Segundo a EPCOL, os portugueses pagaram, em média, mais 41,8 cêntimos por litro na gasolina e mais 25,1 cêntimos no gasóleo, uma diferença explicada sobretudo pela política fiscal espanhola, que reduziu temporariamente o ISP para os mínimos permitidos pela legislação europeia e baixou o IVA dos combustíveis para 10%.
Metade do preço da gasolina continua a ser imposto
Apesar dos ajustamentos fiscais, a carga tributária continua a representar uma fatia muito significativa do preço pago pelos consumidores. Segundo a EPCOL, os impostos corresponderam, em média, a 50,2% do preço final da gasolina, 43,3% do gasóleo e 36,3% do autogás durante o segundo trimestre de 2026.






