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Vai arrancar de férias? Há um erro que quase todos cometem no trânsito… e a matemática explica porquê

Busy crowded traffic jam on the road
Automonitor

Quem nunca olhou para a faixa ao lado e pensou que estava a andar mais depressa?

Quem nunca olhou para a faixa ao lado e pensou que estava a andar mais depressa? A maioria dos condutores acredita que mudar de faixa é a melhor forma de ganhar alguns minutos numa viagem. Mas a matemática diz exatamente o contrário.

Segundo uma análise publicada no ‘The Independent’, as mudanças constantes de faixa criam pequenas perturbações que, somadas ao comportamento dos restantes condutores, podem transformar-se em longos engarrafamentos sem qualquer acidente, obras ou obstáculo na estrada.

Os especialistas chamam-lhes engarrafamentos fantasma.

São filas que aparecem aparentemente do nada, apesar de todos os veículos seguirem na mesma direção e de não existir qualquer motivo visível para a circulação parar.

A explicação está nas reações em cadeia. Basta um condutor travar ligeiramente mais do que o necessário para obrigar o seguinte a travar um pouco mais tarde e com maior intensidade. Esse efeito vai-se amplificando ao longo da fila até que, centenas de metros atrás, os carros acabam completamente parados.

Foi exatamente isso que investigadores japoneses demonstraram em 2008, ao colocarem 22 condutores a circular numa pista circular. Sem acidentes nem obstáculos, bastaram alguns minutos para surgir uma onda contínua de para-arranca.

Porque mudar de faixa piora o problema

Os matemáticos estudam o trânsito como se fosse um fluido em movimento.

Existe um ponto ótimo em que a quantidade de veículos e a velocidade permitem que a estrada transporte o maior número possível de carros.

Quando há demasiados veículos — ou demasiadas mudanças de faixa — esse equilíbrio perde-se. Cada mudança obriga os restantes condutores a ajustar a velocidade e aumenta a probabilidade de surgirem as chamadas ondas de congestionamento.

Ou seja, aquilo que parece uma boa decisão para um único automobilista acaba por prejudicar todos os restantes.

A inteligência artificial já mostrou que há solução

Uma das experiências mais surpreendentes aconteceu em 2018.

Investigadores repetiram o teste japonês, mas substituíram apenas um dos automóveis conduzidos por humanos por um veículo autónomo programado para acelerar e travar de forma suave.

Esse único carro — menos de 5% do total — conseguiu praticamente eliminar a onda de congestionamento, melhorando a fluidez do trânsito e reduzindo o consumo de combustível de todos os restantes veículos.

Três conselhos para chegar mais depressa

Segundo a investigadora Randa Herzallah, professora associada de Matemática Aplicada na Universidade de Warwick, há três comportamentos que podem fazer diferença se forem adotados por todos:

– Manter uma distância de segurança adequada;
– Travar e acelerar de forma suave;
– Resistir à tentação de mudar constantemente de faixa.

A conclusão pode parecer contraintuitiva, mas é precisamente essa a mensagem da matemática: a forma mais rápida de chegar ao destino não passa por conduzir de forma mais agressiva, mas por ajudar a manter todo o trânsito a fluir de forma estável.