A Ferrari já esperava reações fortes ao apresentar o Luce, o seu primeiro modelo totalmente elétrico. Mas talvez não contasse que a polémica em torno do design chegasse ao ponto de uma marca suíça de chocolates se juntar às críticas. A ‘Carscoops’ destaca que a Toblerone publicou nas redes sociais uma imagem a brincar com as formas arredondadas do novo Ferrari, transformando a sua famosa barra triangular numa espécie de chocolate sem ângulos.
A imagem mostra uma barra inspirada na Toblerone, mas sem os tradicionais picos triangulares que fazem parte da identidade visual da marca. Em vez disso, surge uma forma lisa, arredondada e pouco definida, pintada num tom azul-claro semelhante ao usado numa das versões de lançamento do Ferrari Luce.
A publicação vinha acompanhada da frase “isto não vai acontecer”, acrescentando que a Toblerone irá “manter sempre os ângulos”. A piada é direta: a marca suíça, associada precisamente às formas triangulares do seu chocolate, aproveitou a controvérsia em torno do novo Ferrari para sublinhar que não pretende seguir o mesmo caminho estético.
O alvo da brincadeira é o design do Luce, que tem sido amplamente criticado nas redes sociais. Segundo a Carscoops, nos últimos dias o modelo foi comparado a vários objetos e automóveis inesperados, desde um rato recarregável da Apple até a um hatchback da Nissan. Também circularam vídeos gerados por inteligência artificial com Enzo Ferrari a “reagir” de forma explosiva ao novo modelo.
A crítica principal não parece estar apenas no facto de o Luce ser elétrico. O problema, para muitos utilizadores e comentadores, é que o carro não se parece com aquilo que normalmente se espera de um Ferrari. A marca italiana terá procurado deliberadamente uma linguagem visual diferente, mas o resultado está a dividir opiniões e a alimentar uma onda de memes.
A polémica ganhou ainda mais peso depois das declarações de Luca di Montezemolo, antigo presidente da Ferrari, que liderou a marca durante 23 anos. Visivelmente incomodado, o ex-dirigente afirmou que, se dissesse aquilo que realmente pensava, estaria a “magoar a Ferrari”.
Montezemolo foi mais longe e alertou para o risco de “destruição de uma lenda”, sugerindo que talvez a marca devesse retirar o emblema do cavallino rampante do modelo. Num comentário particularmente duro, acrescentou que a única vantagem do carro é que “nem os chineses” deverão tentar copiá-lo.
Apesar da receção controversa, o Ferrari Luce apresenta números de desempenho próprios de um superdesportivo. A marca afirma que o modelo debita 1.035 cv, ou 1.050 PS, a partir de quatro motores elétricos, com aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos.
Esses valores tornam o Luce mais rápido do que alguns Ferrari com motor de combustão. Ao mesmo tempo, o modelo oferece espaço para cinco ocupantes e uma bagageira de grandes dimensões, afastando-se da imagem tradicional de um Ferrari mais baixo, agressivo e centrado no condutor.
O problema para a Ferrari é que, nesta fase, o debate não está a ser dominado pela potência ou pela aceleração. Está a ser dominado pela imagem. E quando até uma marca como a Toblerone entra na conversa para prometer que vai “manter os ângulos”, o Luce deixa de ser apenas o primeiro elétrico da Ferrari e passa a ser também um caso de cultura digital.
A reação mostra como a apresentação de um automóvel de uma marca tão simbólica já não se joga apenas entre imprensa especializada, clientes e concessionários. Joga-se também nas redes sociais, onde uma imagem irónica pode pesar tanto como uma ficha técnica. No caso do Luce, a Ferrari ganhou atenção mundial, mas não necessariamente pelos motivos que pretendia.






