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Repsol ganha terreno rumo à liderança europeia nos combustíveis renováveis

Energética espanhola aumenta assim a sua capacidade de produção de combustíveis renováveis e aproxima-se da finlandesa Neste, líder europeia neste mercado entre as refinadoras

A Repsol iniciou a produção em larga escala de combustíveis 100% renováveis na sua nova unidade de Puertollano, em Ciudad Real, reforçando a aposta num segmento em que os grandes grupos petrolíferos europeus procuram ganhar escala. De acordo com a ‘Bloomberg’, a energética espanhola aumenta assim a sua capacidade de produção de combustíveis renováveis e aproxima-se da finlandesa Neste, líder europeia neste mercado entre as refinadoras.

A nova unidade tem capacidade para produzir 200 mil toneladas por ano de diesel renovável a partir de óleo alimentar usado e outros resíduos da indústria agroalimentar. Segundo a Repsol, o projeto representa um investimento superior a 130 milhões de euros e transforma uma antiga unidade de refinação baseada em matérias-primas fósseis numa instalação capaz de processar resíduos orgânicos para produzir combustíveis de menor pegada carbónica.

A fábrica de Puertollano é a segunda unidade da Repsol dedicada exclusivamente à produção de combustíveis 100% renováveis na Península Ibérica. Junta-se à unidade de Cartagena, que já produz 250 mil toneladas por ano. Com Puertollano, a capacidade combinada da empresa neste tipo de combustíveis passa para 450 mil toneladas anuais.

O combustível produzido em Puertollano será diesel renovável, destinado a automóveis, camiões e navios. A Repsol sublinha que estes combustíveis podem ser usados nos motores atuais e distribuídos através das infraestruturas já existentes, sem necessidade de alterações nos veículos ou nas redes de abastecimento.

Segundo a empresa, a utilização das 200 mil toneladas anuais de combustível renovável produzidas nesta unidade permitirá evitar cerca de 700 mil toneladas de emissões de CO2 por ano, considerando todo o ciclo de vida do produto face aos combustíveis convencionais que substitui.

A Repsol pretende ainda reduzir a pegada carbónica do diesel produzido em Puertollano através da utilização de hidrogénio renovável. Para isso, investiu mais 16 milhões de euros num projeto que substituirá o gás natural, tradicionalmente usado para obter hidrogénio convencional, por biogás produzido a partir de resíduos. A empresa estima que esta solução possa reduzir até 98% a pegada de CO2 do diesel face ao combustível de origem mineral.

“A entrada em produção desta fábrica representa mais um passo no compromisso da Repsol com os combustíveis líquidos de origem renovável e na transformação do nosso complexo”, afirmou Antonio Lorenzo, diretor do complexo industrial da Repsol em Puertollano, citado pela empresa. O responsável defendeu ainda que o projeto reforça a independência energética de Espanha e a criação de emprego qualificado.

A construção da unidade teve impacto direto na economia local. De acordo com a Repsol, foram registadas mais de 650 mil horas de trabalho durante as fases de construção e arranque, com cerca de 80 empresas subcontratadas, a maioria da região, e uma média diária superior a 110 trabalhadores, com picos acima dos 250.

O arranque em Puertollano surge num momento em que os combustíveis renováveis ganham peso na estratégia das petrolíferas europeias. Apesar da eletrificação do transporte ligeiro, setores como o transporte pesado, marítimo e aéreo continuam a procurar soluções capazes de reduzir emissões sem substituir de imediato frotas, motores e infraestruturas.

A Repsol já comercializa o seu Nexa Diesel 100% renovável em mais de 1.600 estações de serviço em Espanha e Portugal. A empresa produz também combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, a partir de resíduos orgânicos no complexo de Puertollano, destinado ao setor aéreo.

O movimento reforça uma tendência clara: as antigas refinarias estão a ser reconvertidas para responder à transição energética, não apenas através da eletrificação, mas também com combustíveis líquidos de menor intensidade carbónica. Para a Repsol, Puertollano passa a ser uma peça central nessa transformação industrial.