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Mercado do petróleo em alerta: medidas internacionais não chegam para travar preços dos combustíveis, diz Repsol

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Automonitor

Apesar da intervenção de 32 países, os preços do petróleo continuam a subir. A Repsol considera que as medidas são temporárias e insuficientes face às perturbações globais.

A recente decisão internacional de libertar reservas estratégicas de petróleo dificilmente travará a subida dos preços da energia. De acordo com o El País, a petrolífera espanhola Repsol considera que esta medida terá apenas efeitos temporários num mercado fortemente pressionado pela instabilidade no Médio Oriente.

Libertação recorde não trava subida do petróleo

A Agência Internacional de Energia anunciou a maior libertação de reservas de petróleo da história, envolvendo 32 países. No total, serão colocados no mercado 400 milhões de barris ao longo de um período de 90 dias, numa tentativa de aumentar a oferta e conter a escalada dos preços.

Espanha participa neste esforço com a disponibilização de 11,5 milhões de barris, o equivalente a cerca de 12 dias de consumo nacional. Ainda assim, o impacto tem sido reduzido. De acordo com o El País, o preço do Brent – referência europeia – subiu de 92 dólares por barril a 11 de março para mais de 113 dólares nas últimas sessões, acumulando uma valorização próxima dos 60% desde o agravamento do conflito.

Conflito no Médio Oriente condiciona mercado

A Repsol sublinha que o principal problema não está na quantidade total de petróleo libertado, mas sim na velocidade com que chega ao mercado. A empresa alerta que estas medidas são temporárias e não compensam totalmente as interrupções no fornecimento, sobretudo na região do Golfo Pérsico.

Segundo o El País, a petrolífera destaca que a normalização do mercado dependerá, acima de tudo, da reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte global de gás. Até lá, qualquer estabilização deverá ser gradual.

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão está a aumentar o risco de ataques a navios e a provocar congestionamento no tráfego marítimo, o que já está a causar perturbações relevantes nas cadeias globais de abastecimento energético.

Rotas marítimas mais longas aumentam custos

Outro fator de pressão nos preços está relacionado com a segurança das rotas comerciais. A Repsol alerta que os ataques no Mar Vermelho levaram muitas embarcações a evitar o Canal de Suez, optando por contornar o Cabo da Boa Esperança.

Esta alteração prolonga significativamente as viagens marítimas, aumentando os custos logísticos e contribuindo para uma maior pressão inflacionista.

Tarifas e inflação agravam cenário económico

A crise energética está também a ser amplificada pelas tensões comerciais. A Repsol alerta para o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem perturbar cadeias de abastecimento, aumentar custos empresariais e travar decisões de investimento.

Este contexto poderá prolongar a inflação e levar os bancos centrais a manter políticas monetárias restritivas durante mais tempo, com efeitos negativos no consumo e no crescimento económico.

Além disso, um eventual fortalecimento do dólar poderá pressionar ainda mais os preços das matérias-primas, incluindo o petróleo, devido à expectativa de menor procura global.

Empresas já antecipam riscos

A Repsol não está sozinha nas preocupações. Também a Redeia identificou riscos associados ao aumento dos preços das matérias-primas e das taxas de juro.

A empresa considera que o encarecimento dos custos de fornecimento e financiamento poderá afetar diretamente os investimentos em infraestruturas energéticas, num momento em que o setor exige elevado capital.

Perspetivas de curto prazo continuam incertas

O cenário descrito pela Repsol aponta para um mercado energético altamente volátil, condicionado por fatores geopolíticos, logísticos e económicos. Como reforça o El País, a libertação de reservas estratégicas pode aliviar temporariamente a pressão, mas não resolve os problemas estruturais que estão na origem da crise.

Enquanto persistirem os riscos no Médio Oriente e as restrições nas principais rotas energéticas, os preços deverão manter-se elevados e sujeitos a fortes oscilações.