<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Desde os tratores dos anos 80 até aos SUV elétricos do futuro: o regresso inesperado da Ebro para invadir as estradas da Europa

Jorge Farromba

Uma herança europeia muito profunda de um lado, tecnologia de ponta asiática do outro e para fechar a operação em Portugal de forma brilhante, uma rede de distribuição e retalho com décadas de história, refere Jorge Farromba

Imaginemos o seguinte cenário. Estão a explorar uma quinta antiga, algures no interior da Península Ibérica, e de repente deparam-se com um trator dos anos 80, daqueles bem pesados, cobertos de pó e terra, de quem aguentou décadas de trabalho pesado e impiedosos no campo. E na grelha de metal, o logotipo diz Ebro.
Mas agora voltamos a 2026. A mesma marca que desapareceu do mapa há mais de 30 anos reaparece de forma súbita e não é para fazer tratores.  Reaparece com o objetivo claríssimo de produzir 150.000 veículos de passageiros por ano, repletos de ecrãs, baterias elétricas, tecnologia autónoma e com uma ambição muito frontal de conquistar a Europa.
Um salto temporal e tecnológico que desafia completamente a lógica habitual da indústria. É quase como se uma máquina de escrever mecânica, daquelas super barulhentas fosse subitamente desmontada e reconstruída do nada como um computador quântico de última geração.
E o que temos aqui?
Uma herança europeia muito profunda de um lado, tecnologia de ponta asiática do outro e para fechar a operação em Portugal de forma brilhante, uma rede de distribuição e retalho com décadas de história.
É um estudo de caso, pois mostra como navegar os enormes desafios geopolíticos e as complexas barreiras alfandegárias de hoje em dia. E mais do que isso, prova que o modelo clássico da marca de automóveis que desenha e fabrica todas as peças sozinha, fechada no seu laboratório, pode estar mesmo a chegar ao fim. Estamos a entrar na era das marcas como curadoras e integradoras da tecnologia global.
A Ebro não é um nome inventado por um departamento de marketing à procura de uma sonoridade forte. Foi fundada em 1954, raízes ibéricas e ligações iniciais à  Ford e a Mass Ferguson e o nome inspira-se no rio Ebro, que é o mais caudeloso de Espanha, simbolizando a força e uma ligação super profunda ao território ibérico.
A marca começou com a reativação da antiga fábrica da Nissan na zona franca de Barcelona,rebatizada de Ebro Factory, com um investimento de 100 milhões de euros e de criar cerca de 1.000 postos de trabalho diretos.
Antes de avançarem para a avalanche de SUV que vamos explorar mais à frente, a nova Ebro revelou um protótipo de uma pickup 100% elétrica baseada no chassis da Nissan Navara. Agora associaram-se à Chery, ‘um peso-pesado’ chinês numa parceria cirúrgica, a Ebro consegue o tão desejado selo made in Europe.
A marca chinesa fornece a plataforma e a base tecnológica, mas a montagem final, a pintura, a soldadura e o controle de qualidade, tudo acontece em solo europeu e a Chery não é de todo um fabricante qualquer –  fundada em 1997, é um dos maiores exportadores de automóveis da China e tem uma divisão gigantesca de pesquisa e desenvolvimento.
E há um detalhe no currículo que passa despercebido à maioria que é a perceção de qualidade da joint-venture com a Jaguar Land Rover na China, ou seja, a marca chinesa ao longo dos anos absorveu e integrou rigorosos processos de qualidade em insonorização e aquele luxo britânico nas suas próprias linhas de montagem.
E isso reflete-se claramente na ficha técnica destes novos Ebro. Os motores híbridos plugin são sistemas de quinta geração com uma eficiência térmica do motor a combustão a atingir os 44,5%, pois num motor a combustão tradicional, a esmagadora maioria da energia gerada pela queima do combustível perde-se, dissipa sobre forma de calor, pelo escape e pelo bloco do motor. Na prática, traduz-se em consumos reais de combustível drasticamente mais baixos.
Depois apostam numa plataforma modular, ou seja um chassis inteligente adaptável. Vejamos com uma analogia com uma base de Lego sofisticada. Nessa base de Legos estão pré-definidos os pontos de fixação da suspensão, a localização exata das baterias e o compartimento do moto e em vez de gastarem milhares de milhões de euros a desenvolver uma estrutura de base nova para cada modelo, usam esta base rígida construída, com aço de ultra alta resistência e que podem simplesmente “esticá-la ou encolhê-la”.
Vantagens? Corta os custos de desenvolvimento e, mais importante para quem compra, permite-lhes oferecer preços muito mais agressivos ao consumidor final. Depois existe partilha no interior com os  catálogos de cockpit inteligente, o tal papel do curador de tecnologia.
Outro exemplo, os processadores que controlam os ecrãs são os Snapdragon 8 55 da Qualcom, a mesma marca que faz os chips dos melhores smartphones do mundo está a gerir a eletrónica destes carros.
Podemos com isto pensar estar perante um carro chinês desfarçado, a que simplesmente colaram o logotipo espanhol da Ebro na grelha mas a resposta técnica da marca chama-se ajuste europeu. O consumidor europeu e o português em particular tem exigências dinâmicas muito específicas que não existem no mercado asiático.
Na Ásia valoriza-se o  conforto extremo com suspensões muito macias; na Europa temos estradas de montanha sinuosas, rotundas a cada quilómetro, autoestradas rápidas e muito piso irregular de empedrado, especialmente em Portugal.
A Ebro recalibrou os amortecedores para serem mais firmes, tornaram a direção muito mais pesada e direta e alteraram o peso dos pedais de travagem e aceleração.
E a estratégia de produto? O que é que vai efetivamente chegar às estradas portuguesas a partir do segundo trimestre de 2026?  A ofensiva foca-se numa gama completa de SUV.
Começamos com o modelo S400, o SUV compacto da família, posicionado no segmento C, muito focado no uso urbano do dia- a dia. Este modelo é um híbrido clássico que não precisa de ser ligado à tomada. Tem um consumo anunciado impressionante, na ordem dos 5,3 L pois cruza um motor a combustão com dois motores elétricos, debitando 211 cavalos combinados. E o preço de ataque começa na casa dos 29.000 €.
O S700 é o familiar de cinco lugares e o S800 é a versão alongada com sete lugares e uma bagageira  enorme, graças à tal plataforma modular à tal base de Lego que permite arrumar as baterias no fundo do carro sem roubar milímetros ao espaço dos passageiros, a que se adiciona o sistema de som da Sony e os acabamentos apontam para um segmento quase premium.
Muito embora estes modelos tenham opções a gasolina tradicionais, as grandes estrelas do catálogo são as versões híbridas plugin que  oferecem quase 280 cavalos e uma autonomia puramente elétrica a rondar os 90 km. E porquê os 90 km? Porque todos os estudos indicam que cobre a esmagadora maioria das deslocações diárias casa, trabalho casa de um cidadão europeu médio.
Ou seja, durante a semana, de segunda a sexta, usa o carro como se fosse 100% elétrico, carrega em casa ou no escritório e  ao fim de semana ou numa viagem longa para o Algarve ou para o interior de Portugal, tem o motor a combustão com uma autonomia combinada superior a 1100 km. E os preços são muito competitivos, superiores a 30.000€ para o S700. e pouco mais de 40.000 para o S800.
Por fim a marca tem o seu ex-libris – Ebro S900 PH4x4 – Sete lugares, tração total e um sistema super complexo de quatro motores e uma bateria gigante para um híbrido com até 177 km de autonomia puramente elétrica em ambiente urbano com carregamento rápido, indo dos 30 aos 80% de bateria em apenas cerca de 25 minutos e um preço aproximado de 60.000 €.
Para provar que toda esta tecnologia e todos estes ecrãs touch não são frágeis, a EBRO foi para o deserto com uma participação no Dakar e un S800 XR modificado na categoria Ultimate.
Submeter uma arquitetura mecânica e elétrica a estas amplitudes térmicas no Dakar é a derradeira prova de fogo. Se o sistema de arrefecimento da bateria sobrevive de forma fiável às dunas a mais de 40º é a garantia que vai lidar sem qualquer problema com o trânsito no pico do verão, numa autoestrada do sul da Europa.
Ok, tudo é muito interessante mas na hora de verdade quando o consumidor português ou o gestor de frota profissional tiver medo de assinar o cheque?
“E se a eletrónica falhar? E se eu tiver um toque num parque de estacionamento? Onde é que eu arranjo uma porta nova para um Ebro? Quem é que me arranja o carro no pós-venda?”
É o clássico bloqueio psicológico na adoção de novas marcas de automóveis, a ansiedade do pós-venda e da sustentabilidade a longo prazos. E é exatamente aqui que se revela a opção corporativa desta operação em Portugal. A marca tinha de assegurar confiança imediata e absoluta e fê-lo através de uma parceria estratégica blindada no nosso país – a escolha do grupo MC Coutinho como representante oficial e importador.
Curiosamente a Ebro foi fundada há 70 anos e o grupo MC Coutinho, tem também  70 anos de experiência e solidez no mercado automóvel nacional, numa herança que não se compra; constrói-se. Vendem automóveis novos, mercado de usados, centros de colisão de última geração, gerem frotas profissionais, serviço de rent a car e mais importante ainda, dominam a complexa logística de peças, o que elimina o problema da confiança numa fração de segundo.
A marca vai ser suportada por quatro imponentes centros de distribuição de peças de substituição sendo que  dois dos megacentros estão localizados estrategicamente em Portugal, sendo que a marca oferece 7 anos de garantia ou 150.000 km de garantia e 8 anos ou 160.000 km para os componentes críticos e sensíveis do sistema híbrido.