Uma análise recente revela que 40,3% dos automóveis verificados em Portugal apresentam algum tipo de histórico de danos, sendo que 3,4% registam acidentes graves com impactos equivalentes a 50% ou mais do valor de mercado do veículo.
O estudo, realizado pela ‘carVertical’ com base em relatórios de histórico automóvel, mostra que, embora a maioria dos danos identificados seja de natureza ligeira — com 85,8% dos casos a representarem menos de 20% do valor do carro — continua a existir uma presença relevante de veículos com danos significativos no mercado de usados.
Os casos mais graves podem traduzir-se em custos de reparação elevados, que variam de vários milhares de euros em modelos de gama económica a dezenas de milhares de euros em veículos premium. Em muitos destes casos, a reparação não é economicamente viável, o que pode levar à utilização de peças de baixa qualidade e à ocultação do histórico do veículo.
Segundo Matas Buzelis, especialista do setor automóvel da ‘carVertical’, alguns vendedores aproveitam situações de perda total para realizar reparações mínimas e revender rapidamente os veículos, muitas vezes sem revelar o seu verdadeiro estado. Esta prática é frequentemente acompanhada de exportações entre países, dificultando o rastreio do histórico.
Em Portugal, um veículo é considerado perda total quando a reparação é tecnicamente insegura ou quando o custo da reparação, somado ao valor residual, ultrapassa o valor de mercado do automóvel, de acordo com critérios definidos pela legislação nacional.
O fenómeno assume uma dimensão europeia. Países como Itália (7,8%), Alemanha (7,7%), Suécia (5,8%) e Espanha (4,5%) apresentam percentagens superiores de veículos com danos graves. Sendo mercados exportadores relevantes, aumentam o risco de circulação de veículos com histórico oculto noutros países.
A ausência de um sistema europeu unificado de registo dificulta a rastreabilidade dos veículos, permitindo que automóveis economicamente inviáveis continuem a ser vendidos como usados normais. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de veículos “desapareçam” dos registos da União Europeia todos os anos, alimentando este circuito.
Perante este cenário, os especialistas recomendam que os consumidores verifiquem sempre o histórico do veículo antes da compra, complementando essa análise com uma inspeção técnica independente e um test drive.
A ‘carVertical’ sublinha que a verificação do histórico automóvel se tem tornado uma ferramenta cada vez mais relevante, tanto para compradores como para profissionais do setor, contribuindo para maior transparência e segurança no mercado de usados.






