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Choque petrolífero: quem paga mais impostos nos combustíveis na Europa — e onde entra Portugal?

Petrol pump filling nozzles. Fuel at gas station close up
Automonitor

Análise da ‘Euronews Business’ mostra que os impostos representam, em média, mais de metade do preço da gasolina na União Europeia — e Portugal não foge à regra

Os preços dos combustíveis na Europa continuam a subir, impulsionados pela escalada do petróleo nos mercados internacionais, mas há um fator que pesa ainda mais no bolso dos consumidores: os impostos. Em Portugal, a carga fiscal sobre a gasolina e o gasóleo mantém-se acima da média europeia, colocando o país entre os que mais penalizam os automobilistas.

A análise da ‘Euronews Business’ mostra que os impostos representam, em média, mais de metade do preço da gasolina na União Europeia — e Portugal não foge à regra.

Portugal acima da média da UE

Na gasolina (Euro-super 95), os impostos representam cerca de 52% do preço final na União Europeia. Portugal situa-se em linha com este valor, mas tende a posicionar-se no grupo de países onde a carga fiscal é mais elevada, sobretudo quando se consideram os valores absolutos pagos por litro.

No gasóleo, a carga fiscal é mais baixa, com uma média europeia de 44,6%, mas ainda assim significativa. Portugal volta a situar-se próximo ou ligeiramente acima desta média, refletindo o peso do ISP e do IVA no preço final.

Mais de metade do preço vai para impostos

Os dados mostram que, em 20 Estados-membros, os impostos representam mais de 50% do preço da gasolina. O intervalo vai dos 43,9% na Bulgária até aos 57,8% na Eslovénia.

Ou seja, em grande parte da Europa — incluindo Portugal — mais de metade do que os consumidores pagam na bomba não corresponde ao combustível em si, mas a impostos.

Quem paga mais (e quem paga menos)

No topo dos países mais penalizados na gasolina estão:

1º Países Baixos: 2,26 euros por litro
2º Dinamarca: 2,18 euros
3º Alemanha: 2,09 euros
4º Finlândia: 1,96 euros
5º Grécia: 1,92 euros

Estes valores incluem impostos elevados e preços base mais altos, o que agrava o custo final.

No extremo oposto, os países mais baratos são:

1º Bulgária: 1,33 euros
2º Malta: 1,34 euros
3º Chipre: 1,42 euros
4º Eslovénia: 1,44 euros
5º Eslováquia: 1,52 euros

Diferenças também no valor real pago

Curiosamente, a percentagem de impostos nem sempre reflete o valor absoluto pago. A Eslovénia, por exemplo, tem a maior carga fiscal percentual, mas não está entre os países mais caros.

Já nos Países Baixos, onde os impostos por litro chegam a 1,24 euros, os consumidores enfrentam os preços mais elevados da Europa.

A média europeia de impostos é de cerca de 0,96 euros por litro na gasolina.

Gasóleo segue a mesma tendência

No gasóleo, os preços mais elevados registam-se novamente nos Países Baixos, Dinamarca, Alemanha, Finlândia e Itália, todos acima dos dois euros por litro.

Já os preços mais baixos surgem em Malta, Bulgária, Eslovénia, Eslováquia e Chipre.

Pressão global agrava situação

A subida dos preços está diretamente ligada ao contexto internacional. O petróleo Brent chegou a ultrapassar os 119 dólares por barril após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, pressionando toda a cadeia de abastecimento.

Com os impostos a representar uma fatia tão significativa do preço final, qualquer subida do crude tem um efeito amplificado no consumidor.

Um problema estrutural

O caso europeu — e português — mostra que o preço dos combustíveis não depende apenas do mercado global, mas também das decisões fiscais nacionais.

Num contexto de instabilidade geopolítica e energia cara, a carga fiscal torna-se o fator decisivo que separa os países mais caros dos mais acessíveis.