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Ensaio. Mazda MX-5 RF: onde os deuses analógicos se rendem ao Jinba Ittai

Jorge Farromba

Jorge Farromba explica como o modelo japonês é “um manual de resistência contra a dormência da era moderna em conseguir criar verdadeiros clássicos”

Ao longo da vida, conhecemos automóveis que se conduzem e outros que nos parecem ser a “nossa própria extensão”. O “novo” MX5 RF (retractable fastback) é disso exemplo. Longe de ser um automóvel recente, sabe atualizar-se de ano para ano, cirurgicamente, sendo um clássico intemporal que se refina, numa prova de longevidade única (talvez o Porsche com o 911). É um manual de resistência contra a dormência da era moderna em conseguir criar verdadeiros clássicos.

Seja no asfalto, entre a cidade e o serpenteado das curvas de Sintra, o ícone japonês continua a demonstrar que a leveza é a sofisticação suprema, sem com isso perder na componente do comportamento e do conforto. A estética continua intemporal e bela – uma verdadeira escultura em movimento com a sua silhueta Kodo e alguns refinamentos cirúrgicos, desde as óticas com os faróis LED redesenhados para integrar as luzes diurnas, que lhe conferem um “olhar mais penetrante” até à traseira com as luzes a adotarem um efeito tridimensional mais profundo.

O design RF (teto rígido retrátil) não é, em minha opinião, tão bonito como a versão em lona mas oferece uma versatibilidade ímpar, transformando-se de um elegante coupé num targa em apenas 13 segundos e, tanto um como o outro, incólumes ao ruído do vento.

Esta engenharia de precisão vem do Japão, mais concretamente de Ujina mas também passou por Nurburgring para “umas afinações” e garantir uma linearidade de resposta que poucos conseguem replicar.

Não esconde ao que vem, com a sua tração traseira como dita a tradição, mas é agora o diferencial de deslizamento limitado – LSD -assimétrico que o diferencia,  pois faz variar a força de bloqueio, tanto na aceleração como na travagem para estabilizar a entrada em curva, reduzindo a tendência de sobreviragem.

A Mazda trouxe também para este modelo, o modo de controlo de estabilidade “focado na pista” (DSC-Track) onde só intervém nas situações críticas, deixando o condutor explorar o equilíbrio do chassis de forma orgânica. O sistema Smart Break Support – SBS – também foi atualizado para detetar obstáculos na retaguarda através de sensores mais  precisos, prevenindo assk colisões durante as manobras de estacionamento.

Falar de ergonomia e qualidade de construção faz-nos ficar com a sensação que entramos num “cockpit” de aviação, onde a ergonomia continua a ser irrepreensível, com o seletor da caixa de velocidades, curto e mecânico com poucos sabem fazer,  que cai perfeitamente na nossa mão.

A pele está presente em quase todo o habitáculo, mesmo no tablier e os bancos aquecidos oferecem um suporte lateral muito bom, sem sacrificar o conforto em viagens mais longas

O espaço interior podia de geração em geração ser atualizado mas a Mazda não pensa assim e este é assumidamente compacto – um tributo à filosofia de redução de peso e à manutenção do ADN deste modelo. A qualidade de construção é japonesa, ou seja, sólida e sem ruídos parasitas.

O MX5 continua a ser a expressão pura do “Joy of Driving”, onde se refinou a ligação entre o condutor e o automóvel, sem com isso comprometer a essência que o tornou o roadster mais vendido do mundo, sendo que o consumidor que o adquire valoriza a pureza mecânica e a experiência sensorial acima da potência bruta ou da AI, pois este Mazda “corre” numa liga própria.

O MX5 não se foca na velocidade pura mas na forma como o carro comunica cada milímetro do asfalto e, por isso, conduzi-lo é todo um exercício de liberdade, onde a direção elétrica foi recalibrada para oferecer menos fricção e um feedback mais natural

Preço e especificações. 1.5 skyactiv-g e possui um preço a partir dos 38.447€.