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Ensaio. Suzuki Swift 1.2 Mild Hybrid: o utilitário que continua a desafiar a lógica do mercado

Jorge Farromba

Jorge Farromba explica como a Suzuki manteve-se cativante num mundo automóvel cada vez mais acelerado

O mundo automóvel alterou-se desde a pandemia de modo acelerado, tornou-se disruptivo, mais inovador – focado cada vez mais em SUV, sistemas complexos e muita tecnologia.

A Suzuki com o Swift segue um caminho diferente. Vem-me sempre à memória um amigo cujo pai pertencia ao corpo diplomático e tinha na sua garagem um raro Mercedes, um Porsche 911, uma pequena (mesmo) moto Suzuki e um Suzuki verde garrafa! Numa época em que dominavam as marcas europeias generalistas o Suzuki era, além de bonito, cativante no seu modo de trabalhar e na estética.

Hoje, a marca mudou mas mantém-se diferente, cativante mas inexplicavelmente ainda muito desconhecida, injustamente, pois o produto é mesmo bom.

Após vários dias ao volante do novo Swift em estradas portuguesas, por Lisboa, montanha (junto ao Piódão para ver a dimensão dos incêndios), alguns percursos secundários e  incursões por autoestrada, verifico que a Suzuki não quis reinventar o modelo mas sim aperfeiçoá-lo.

DESIGN EVOLUTIVO – RESPEITO PELA IDENTIDADE 

O novo Suzuki Swift compete no  segmento B, com uma  carroçaria hatchback de cinco portas. Embora não parecendo, as alterações são subtis, com a zona dianteira completamente redesenhada, uma nova grelha, a assinatura luminosa em LED surge mais sofisticada e as proporções foram trabalhadas para manter a  sensação de dinamismo da geração anterior.

APOSTA NA EUROPA

A Suzuki desenvolveu este modelo para o mercado europeu, refletindo a tradição da marca em privilegiar robustez e fiabilidade, resultado de uma experiência acumulada pela Suzuki em veículos compactos, de uma marca japonesa com uma das histórias mais respeitadas da indústria.

O motor atmosférico de 1.2 litros de três cilindros, surgem associado a tecnologia Mild Hybrid de 12V com…  82 cv! No “papel” não impressiona, mas a realidade da estrada conta uma história diferente, pois todo o conjunto trabalha de forma harmoniosa com a assistência elétrica  a reduzir os esforços do motor térmico durante as acelerações  – o que se traduz em consumos reais muito contidos.

Ao invés de colocar a sobrealimentação, a Suzuki opta pela simplicidade mecânica e durabilidade a longo prazo. Mas a maior surpresa reside no prazer de condução com uma posição ao volante natural, boa visibilidade e dado o baixo peso (um dos elementos diferenciadores, onde ao apostar no baixo peso, a relação peso-potência aumenta) e torna-o ágil, com um comportamento correto, onde, não sendo desportivo, consegue ser divertido.

A direção é leve em cidade e suficientemente comunicativa, a suspensão privilegia o conforto mas não compromete a estabilidade, quase que a convidar-nos a escolher o caminho mais longo para o destino.

INTERIOR – Quando a simplicidade revela inteligência 

O habitáculo evoluiu com um painel de instrumentos modernizado, um ecrã central de 9” compatível com Apple CarPlay e Android Auto sem fios. A ergonomia mantém-se e o habitáculo não é acanhado. A marca resistiu à tentação e manteve  comandos físicos para funções essenciais, uma decisão que melhora, em minha opinião a usabilidade durante a condução.

Os bancos são confortáveis e com bom apoio; são vários os espaços de arrumação e a perceção de qualidade existe, mesmo com vários plásticos rijos superiormente montados.

Não detetei ruídos parasitas no empedrado, revelador do rigor de construção e da robustez; o foco foi colocado na durabilidade. A excelente visibilidade e o reduzido raio de viragem são elementos a destacar.

TECNOLOGIA

Nesta geração destaco a integração do ecossistema Suzuki Connect, que permite monitorizar várias funções do Swift através do telemóvel.

Até neste domínio a marca não segue tendências! Não faz uso de avançados sistemas de Inteligência Artificial generativa, de algoritmos de assistência à condução e sistemas de segurança preditiva que recorrem ao processamento permanente de dados para aumentar a segurança, mas coloca a tecnologia sem a complexidade desnecessária.

O QUE O DIFERENCIA

A proposta de valor do Swift é talvez a mais difícil de replicar pelos concorrentes, dado que a concorrência aumenta o peso, complexidade e preço; a Suzuki continua a apostar na eficiência real aliada ao baixo peso, fiabilidade mecânica, custos de utilização reduzidos e  experiência de condução genuína; um filosofia quase contracorrente na indústria automóvel atual!

PÚBLICO ALVO 

  • Condutores jovens mas também seniores
  • Famílias urbanas
  • Utilizadores que privilegiam baixos custos de utilização.

VEREDICTO

O Suzuki Swift não tenta ser o automóvel mais rápido, mais tecnológico, mais luxuoso, mas um automóvel equilibrado; Consegue-o pois manteve a filosofia dos utilitários europeus, sendo compacto por fora, espaçoso no interior, económico e genuinamente agradável de conduzir.

Voltando ao início do meu artigo o Swift continua a dar a sensação de ter sido desenvolvido por engenheiros apaixonados por automóveis. 

PREÇO

A gama está disponível com preços a partir dos 20.000 euros para a versão Mild Hybrid até aos 24.500 euros da versão mais equipada com transmissão CVT e ensaiada (em acelerações fortes a mesma revela-se mais silenciosa em aceleração mas com uma gestão do “terreno” equilibrada).

 

Nota Editorial de Transparência

Esta análise independente do Suzuki Swift foi produzida com base na experiência real de condução do autor, informação técnica disponibilizada pela marca, documentação oficial, apresentações de produto e dados verificáveis. O artigo privilegia rigor, factualidade, autenticidade e contexto de utilização real, escrito por humano.