A Associação Portuguesa De Empresas Petroliferas (Apetro) explica os recentes aumentos dos preços dos combustíveis com o sobrecusto da incorporação de biocombustível e sobretudo com a carga fiscal.
“Especula-se bastante porque é que estando a cotação do petróleo e dos refinados muito abaixo dos valores de pico de 2008, os preços de venda nas bombas são superiores a esse período”, diz a Apetro, numa nota enviada hoje.

A Apetro divulga dois gráficos em que são comparados os valores semanais das semanas de 28 de junho deste ano e da semana de 7 de julho de 2008. “Podemos constatar que a explicação para o aumento do preço está no sobrecusto da incorporação de biocombustível e sobretudo na carga fiscal”, conclui a associação.
Recorde-se que, em junho, os preços dos combustíveis sofreram um dos maiores aumentos dos últimos anos em Portugal, aumento esse que foi sentido com especial incidência na gasolina. Para a próxima semana, são esperados novos aumentos já a partir de segunda-feira.
Sobre a carga fiscal, os impostos ascendem já a 61% do consumo total. Isto quer dizer que 942,3 milhões de euros foram pagos em impostos, de um total de 1,1 mil milhões de litros de gasóleos (simples e aditivado) e gasolinas (95 simples, 95 aditivada, 98 simples e 98 aditivada), pelos quais terão pago mais de 1,5 mil milhões de euros, de acordo com a ENSE – Entidade Nacional para o Setor Energético.
Os preços dos combustíveis em Portugal têm registado uma trajetória ascendente. No caso do gasóleo, segundo os dados da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço subiu 19 vezes e desceu apenas três desde o início do ano. Quanto à gasolina, aumentou 22 vezes e recuou apenas duas desde janeiro.
Assim, desde o início do ano, a gasolina 95 subiu 21,5 cêntimos por litro e o gasóleo aditivado valorizou cerca de 18,5 cêntimos. Isto quer dizer que encher um depósito de 60 litros de gasolina custa agora mais de 13 euros do que em janeiro. Já para atestar um depósito de gasóleo são precisos mais de 11 euros do que há seis meses.
Os dados da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que o preço médio do litro de gasolina em Portugal custa atualmente 1,718 euros, enquanto o do gasóleo vale 1,516 euros. Com as subidas da próxima semana, o preço do gasóleo aditivado bate um novo máximo, ultrapassando o recorde de setembro de 2012, enquanto a gasolina 95 está a caminho de um máximo de sempre, registado em abril de 2012, nos 1,732 euros.
Nesta altura, porém, o preço do barril de petróleo rondava os 127 dólares por barril, ao passo que hoje em dia, a matéria prima está a valer pouco mais de 75 dólares por barril. Mas de lá para cá, o peso dos impostos nos combustíveis tem vindo a agravar-se.
Portugal tem o sexto gasóleo mais caro da União Europeia, de acordo com o último relatório de Bruxelas. Já a gasolina ocupa a 3ª posição entre os países do espaço comunitário, com este combustível a valer mais 14 cêntimos que a média europeia e 26 cêntimos mais do que em Espanha.






