O condutor adormece ao volante. O carro está equipado com uma câmara no painel que deteta a condição dos olhos do condutor, que assim ativa um sistema de segurança que orienta o veículo imediatamente para uma paragem segura. Esta já não é somente uma ideia. O sistema, chamado ‘Guardian’, está a ser refinado no Toyota Research Institute (TRI) e no Fórum da Mobilidade do MIT, o professor John Leonard e o chefe do Departamento de Pesquisa de Direção Centrada no Homem do TRI, Avinash Balachandran, apresentaram uma visão geral do seu trabalho sobre automação e direção – a convicção dos dois especialistas sobre a possibilidade de veículos totalmente automatizados com tecnologias incorporadas que ajude os condutores mas sem os substituir.
Antecipar esse tipo de futuro pode fazer sentido, “em vez de pensar mum mundo de tudo ou nada, onde há automação total ou controlo exclusivamente humano”, explicou Leonard. “Existe uma espécie de futuro onde há mais da mistura do melhor do humano e da máquina?”, frisou, apontando as várias etapas que o sistema ‘Guardian’ dá, desde reconhecer a falta de consciência do condutor até assumir o controlo do veículo e, por fim, chegar a um ponto em que o sistema não opera mais o próprio veículo quando o condutor estiver alerta. “A nossa visão é que podemos usar algumas das técnicas avançadas da automação para ajudar mais os motoristas humanos.”
A apresentação, intitulada “Pesquisa de direção centrada no homem no Toyota Research Institute”, ocorreu online na passada sexta-feira diante de uma audiência pública de mais de 200 pessoas. O MIT Mobility Forum é uma série semanal de palestras que cobrem todos os aspetos do transporte, para estimular a inovação e o pensamento estratégico em torno do desenvolvimento de modos de transporte sustentáveis, acessíveis e seguros.
John Leonard é um defensor dos esforços da indústria automobilística para desenvolver veículos de alta tecnologia e um realista sobre a maneira como essas tecnologias provavelmente chegarão à vida quotidiana. “Tenho sido um pouco cético em relação à automação total. Vai demorar muito mais para termos esse tipo de frota de robôs-táxi omnipresente, em que um jovem já não precisa de carta de condução ou não haveria necessidade de um motorista humano da Uber, porque todos os carros operavam sozinhos de forma autónoma”, enfatizou. “Podemos esperar vários caminhos e um horizonte de tempo mais longo do que muitos previram para o lançamento disso”, garantiu.
Leonard e Balachandran destacaram a sofisticação das tecnologias atuais, num vídeo de um sistema TRI que pode ajudar a evitar colisões quando um veículo está à deriva ou prestes a sair da estrada devido a desatenções, más condições ou outros fatores. O sistema destina-se a “amplificar o humano, para ter um melhor desempenho geral. Isso inclui coisas como segurança mas também outros elementos que achamos que [tornam a direção] prazerosa”, assegurou Balachandran, denominando esse tipo de cooperação homem-máquina “HCID”, para direção inteligente e centrada no homem.
Por sua parte, Leonard enfatizou que a necessidade de uma melhor segurança no trânsito é premente, tendo em vista desenvolvimentos como o aumento de mortes no trânsito por quilómetro rodado desde o início da pandemia da Covid-19. “O aumento de acidentes de trânsito e mortes desde a Covid é realmente de partir o coração”, lamentou. “Estou muito desapontado… por não termos encontrado uma forma de usar esta tecnologia avançada para tornar os carros mais seguros. E então eu acho que a peça humana é crítica.”
E, embora a visão de veículos totalmente automatizados a circular pelas ruas sem problemas possa ser atraente, parece bastante provável que centenas de milhões de condutores ainda estejam nas estradas num futuro próximo, pelo que a visão alternativa é ajudar as pessoas a conduzir da maneira mais eficaz possível





